Ebola avança para quarta província na República Democrática do Congo

A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), responsável por 360 mortes, avançou para uma quarta província e passou a atingir todo o nordeste do país, região que concentra cerca de 15 milhões de habitantes. Antes dessa nova confirmação, um balanço divulgado na semana anterior já indicava que o surto permanecia fora de controle mais de um mês após ter sido oficialmente declarado.
De acordo com uma fonte do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), um novo caso foi registrado na província de Alto Uele, na fronteira com o Sudão do Sul e a República Centro-Africana. A ocorrência envolve uma pessoa que havia se deslocado de Bunia, capital da vizinha Ituri, considerada o epicentro da epidemia. Segundo informações de um profissional de saúde, o paciente não resistiu.
A região afetada, marcada por intensa atividade mineradora, apresenta elevado fluxo de pessoas, fator que contribui para adisseminação do vírus. Além disso, a atuação de grupos armados e episódios frequentes de violência dificultam o trabalho das equipes de saúde e a resposta às emergências sanitárias.
Doença de alta letalidade
O Ebola é uma doença viral de alta letalidade, transmitida por contato direto com fluidos corporais, podendo causar febre hemorrágica e falência múltipla de órgãos. Até o momento, o atual surto — provocado pela cepa Bundibugyo — soma 1.274 casos confirmados e 360 mortes, segundo o INRB.
Ao longo dos últimos 50 anos, estima-se que o vírus tenha provocado mais de 15 mil mortes no continente africano. No caso atual da RDC, a detecção tardia da doença contribuiu para a rápida expansão da epidemia, cuja dimensão ainda é considerada difícil de mensurar. Organizações humanitárias e entidades não governamentais que atuam no país avaliam que os números oficiais podem estar subestimados.
A disseminação do vírus já ultrapassou fronteiras. Na semana passada, ao menos 20 casos foram identificados em Uganda, país vizinho da RDC e do Sudão do Sul. Já na última quarta-feira, 24, foi confirmada uma ocorrência na França, envolvendo um médico de nacionalidade congolesa ligado à organização Alima, que esteve no epicentro do surto antes de viajar a Paris.
