Ebola mata 2.184 na RDC em surto com 4.665 casos
Surto no leste do país já supera a epidemia de 2018 a 2020 em número de casos e chegou a seis províncias

O governo da República Democrática do Congo (RDC) elevou para 2.184 o número de mortos pelo surto de ebola no leste do país. Ao todo, foram confirmados 4.665 casos, segundo boletim do Ministério da Comunicação com dados coletados até 12 de agosto.
A taxa de letalidade está em 46,8%. Atualmente, 634 pacientes estão em isolamento ou hospitalizados, enquanto 965 se recuperaram da doença.O rastreamento de contatos alcança 84,2%.
A transmissão já foi registrada em seis províncias, após a União Africana confirmar uma morte em Bas-Uélé, no norte do país. A região se soma a Ituri, epicentro do surto, Kivu do Norte, Haut-Uélé e Tshopo. Em Kivu do Sul, não há novos casos confirmados há mais de 70 dias.
Surto já supera epidemia anterior
A atual epidemia já é a segunda com mais casos registrados na história do ebola e a maior já registrada na RDC. O surto supera o ocorrido entre 2018 e 2020, também no leste do país, que deixou 2.299 mortos e 3.481 casos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ovírus começou a circular na região em fevereiro. Uma pesquisa publicada pela revista Science, porém, indicou que as primeiras infecções podem ter ocorrido ainda em janeiro.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que o surto pode alcançar os números da maior epidemia de ebola já registrada, que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 e provocou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos.
A epidemia também chegou a Uganda, que se declarou livre do ebola em 28 de julho, após registrar 20 casos confirmados, incluindo 15 considerados importados da RDC e duas mortes.
O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia de 30% a 50%. Não há vacina autorizada ou tratamento específico contra essa variante, segundo a OMS.
O vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. A doença pode provocar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.
*Com EFE
