Ebola mata quase 1.500 pessoas na RDC e OMS mantém alerta global
Epidemia causada pela cepa Bundibugyo já é a terceira pior da história e não possui vacina ou tratamento específico aprovado

O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) já matou 1.487 pessoas e infectou 3.360, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira, 29, pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).
A epidemia, declarada em maio, já é a terceira pior da história da doença.
Os dados, atualizados até 27 de julho, mostram taxa de letalidade de 44,3%. Atualmente,733 pacientes permanecem hospitalizados ou em isolamento, enquanto 597 pessoas se recuperaram da infecção.
O epicentro continua sendo a província de Ituri, responsável por 88,9% dos casos confirmados e 83,3% das mortes registradas. O vírus também se espalhou para Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele e Tshopo.
O INSP informou que o rastreamento de contatos alcança 78,9%, mas alertou que o acompanhamento ainda é insuficiente para conter a transmissão.
A epidemia também atingiu Uganda.O país registrou 20 casos confirmados, dos quais 15 foram importados da RDC, e duas mortes. Após completar 42 dias sem novos registros, o governo ugandense declarou o fim do surto em seu território nesta terça-feira, 28.
Terceiro pior surto da história
O atual surto é causado pela cepa Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há vacina autorizada nem tratamento específico para essa variante.
A OMS considera alto o risco de expansão da doença na África Subsaariana, mas avalia como baixo o risco em escala global. A agência estima que o vírus circulava em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial da epidemia, em 15 de maio.
O atual surto fica atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, com cerca de 11 mil mortes, e da registrada no leste da RDC entre 2018 e 2020, que deixou 2.299 mortos.
O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e pode causar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.
*Com EFE
