Economia brasileira perde força e pode enfrentar “tempos difíceis”, diz especialista
O mercado brasileiro opera em ritmo mais fraco nesta quinta-feira (24), diante da espera por novas pesquisas sobre a eleição presidencial e após o relatório do Banco Central (BC), segundo Uitan Maciel, head de renda variável da TCM Capital. Em entrevista ao Giro do Mercado, Maciel avalia que apesar da alta do petróleo e das […]

O mercado brasileiro opera em ritmo mais fraco nesta quinta-feira (24), diante da espera por novas pesquisas sobre a eleição presidencial e após o relatório do Banco Central (BC), segundo Uitan Maciel, head de renda variável da TCM Capital.
Em entrevista ao Giro do Mercado, Maciel avalia que apesar da alta do petróleo e das ações da Petrobras, a maior parte das empresas permanece cautelosa diante dos riscos de inflação e da volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio. Para ele, o ambiente de incerteza acaba pressionando o mercado doméstico.
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Exterior também injeta volatilidade
No cenário internacional, Wall Street reage à divulgação do PMI, que veio forte e acabou pressionando os títulos americanos, segundo o especialista. Além disso, as tensões entre Estados Unidos e Irã e entre Estados Unidos e China continuam no radar.
Maciel também citou o aumento do tom de Donald Trump durante o encontro da ONU, além das discussões envolvendo inteligência artificial e das preocupações com a inflação.
Economia brasileira desacelera
O Relatório de Política Monetária do BC reduziu a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 de 2% para 1,8%. A autoridade monetária também projeta inflação de 4,4% no terceiro trimestre, antes de uma aceleração para 5,2% no fim do ano.
Na avaliação de Maciel, a desaceleração econômica já está contratada diante do cenário fiscal. “Estamos vendo uma economia que está desacelerando, mas os juros continuam em níveis restritivos, petróleo em alta, o que afeta toda a cadeia produtiva”, disse.
O especialista citou ainda o aumento dos pedidos de recuperação judicial ao longo do ano como um sinal de enfraquecimento da economia. Para 2027 e 2028, segundo ele, o mercado já trabalha com um ambiente mais difícil.
Petróleo pode voltar a pressionar inflação
Maciel também chamou atenção para o efeito defasado do petróleo sobre a inflação. Segundo ele, a melhora recente dos preços havia contribuído para uma percepção de controle inflacionário, mas a retomada do conflito no Oriente Médio mudou esse cenário.
“Quando falamos em inflação hoje, a ideia de uma deflação que estava acontecendo era, na verdade, um controle dos preços do petróleo”, afirmou.
Com a nova alta da commodity, ele explica que o impacto sobre os índices de preços ainda deve aparecer mais à frente.
Selic deve continuar em nível restritivo
Para este ano, Maciel espera pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. No entanto, a possibilidade de uma nova aceleração da inflação deve limitar o espaço para uma flexibilização mais intensa da política monetária.
“O BC já sinalizou que vai manter os juros ainda em níveis restritivos. Então mesmo que o corte aconteça, ainda vamos ter a Selic alta”, afirmou.
Para o especialista, o cenário eleitoral também será importante para a trajetória dos juros.
Independentemente de uma eventual alternância de governo, Maciel avalia que, sem uma reforma capaz de melhorar a situação fiscal, a Selic tende a permanecer elevada por mais tempo.
*Com supervisão de Renan Sousa
