Economia da China desacelera: investimento cai 6,7% e desemprego sobe para 5,2%
Dados de julho mostram piora no consumo, investimento e indústria e aumentam pressão por estímulos

Os sinais de fraqueza da economia chinesa se espalharam em julho, colocando mais pressão sobre Pequim para reforçar o apoio à atividade no segundo semestre. O investimento urbano aprofundou a queda, o consumo quase parou de crescer e a produção industrial desacelerou, enquanto o desemprego subiu.
Para o professor de economia da Universidade Tsinghua, Li Daokui, ouvido pelo canal americano, a intensidade da retração dos investimentos é "sem precedentes". Ele considera essa queda dos investimentos e o elevado desemprego entre jovens os maiores obstáculos para a China atingir suas metas de crescimento.
O investimento em ativos fixos urbanos, que inclui imóveis e infraestrutura, recuou 6,7% nos primeiros sete meses do ano, na comparação com igual período de 2025. A retração superou a queda de 6% projetada em pesquisa da Reuters e foi maior que a de 5,7% registrada no primeiro semestre.
Já a produção industrial e as exportações ligadas ao ciclo global de investimentos em inteligência artificial (IA) vinham ajudando a compensar a fraqueza do consumo e do investimento privado. Os números de julho, contudo, sugerem que esse suporte pode estar perdendo força, segundo a CNBC.
Consumo e crédito perdem força
A produção industrial cresceu 4,5% em julho, abaixo dos 4,8% esperados e dos 5,3% de junho. A atividade fabril e a construção perderam impulso no mês, depois de o índice oficial de gerentes de compras da indústria manufatureira ter registrado contração pela primeira vez desde fevereiro.
As vendas no varejo também cresceram 0,6% em julho na base anual, abaixo da expectativa de 1,5% em pesquisa da Reuters e do avanço de 1% de junho. O Goldman Sachs vê que o programa de subsídios para troca de produtos, que antecipou parte das compras, passou a pesar sobre o ritmo das vendas.
Neste cenário, a inflação ao consumidor desacelerou para 0,5% em julho, menor nível em seis meses, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,9%.
O crédito também mostrou sinais de deterioração. Os novos empréstimos bancários concedidos em julho tiveram a maior queda mensal já registrada, conforme o Barclays. Os empréstimos às famílias, incluindo hipotecas, diminuíram depois de uma breve recuperação em junho.
Mercado de trabalho preocupa
Enquanto isso, a taxa oficial de desemprego urbano passou de 5% em junho para 5,2% em julho. Uma pesquisa privada, porém, aponta uma taxa ampla de desemprego ainda maior, de 10,2% no mês.
A pesquisa inclui pessoas que estão sem trabalho há até dois anos e deixaram de ser contabilizadas no levantamento oficial da força de trabalho. Mais da metade dos cerca de 24 milhões de desempregados de longo prazo identificados pelo estudo têm entre 16 e 24 anos.
No dado oficial mais recente, o desemprego entre jovens estava em 14,9% em junho, maior nível para o mês desde que o governo retirou estudantes universitários da amostra, há mais de dois anos.
Pressão por estímulos aumenta
O conjunto dos indicadores reforçou as expectativas de uma resposta mais forte do governo. Presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management, Zhiwei Zhang vê que os dados apontam para "riscos adicionais de baixa" e aumentou sua expectativa de um corte de juros pelo Banco Popular da China.
Já o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Fu Linghui, disse que as pressões geopolíticas externas e as altas temperaturas dentro da China afetaram a economia em julho, mas acredita que as exportações, novos motores de crescimento e políticas macroeconômicas devem sustentar a economia.
A economista-sênior da Oxford Economics, Sheana Yue, também espera que a aceleração dos gastos fiscais ajude a atividade. Ela, porém, prevê apenas uma recuperação modesta no segundo semestre e mantém a projeção de crescimento da China em 4,8%.
*Com informações da CNBC
