Economia da zona do euro cresce mais que o esperado no 2º tri por gastos com IA e confiança dos consumidores
A economia da zona do euro cresceu mais do que o esperado no segundo trimestre já que o aumento dos investimentos em IA, os gastos governamentais generosos e vários fatores pontuais mais do que compensaram o impacto negativo dos altos custos de energia e da guerra no Irã. A economia dos 21 países que adotam […]

A economia da zona do euro cresceu mais do que o esperado no segundo trimestre já que o aumento dos investimentos em IA, os gastos governamentais generosos e vários fatores pontuais mais do que compensaram o impacto negativo dos altos custos de energia e da guerra no Irã.
A economia dos 21 países que adotam o euro cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, superando a expectativa de 0,2% em pesquisa da Reuters, já que muitos dos maiores países do bloco apresentaram desempenho acima do esperado, segundo dados divulgados pelo Eurostat nesta quinta-feira (30).
Em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o crescimento no bloco de 360 milhões de pessoas acelerou para 1,0%, contra expectativa de 0,5%, conforme alguns números anteriores de crescimento também foram revisados para cima.
Inicialmente, esperava-se que o segundo trimestre marcasse o início de uma recuperação após um ano difícil e turbulento para a Europa. No entanto, os custos crescentes da energia minaram grande parte do ímpeto, e a maioria dos analistas agora prevê um crescimento anual inferior a 1% neste ano, abaixo do potencial já bastante reduzido do bloco.
Embora o crescimento tenha sido melhor do que o previsto no trimestre, ele continua fraco e contrasta fortemente com o boom contínuo nos Estados Unidos, cuja economia provavelmente crescerá mais de 2% este ano, impulsionada em parte pelos gastos excessivos e potencialmente insustentáveis do setor privado com inteligência artificial.
Ainda assim, parece haver alguns pontos positivos para a zona do euro, e o bloco está demonstrando o tipo de resiliência observada em recessões anteriores, incluindo a pandemia da Covid-19 e após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Reforçando essa narrativa de resiliência, o desemprego manteve-se estável em 6,3% em junho, contrariando as expectativas de enfraquecimento do mercado de trabalho. Um importante indicador de confiança econômica, também divulgado nesta quinta-feira, subiu mais do que o esperado, impulsionado por uma melhora no ânimo dos setores industrial e de serviços.
Os investimentos das empresas em IA também vêm disparando na Europa, o consumo das famílias tem se mantido firme diante das expectativas pessimistas, e o governo da Alemanha está, de forma lenta mas segura, aumentando seus gastos há muito prometidos em defesa e infraestrutura.
A indústria, em baixa há anos, também tem se mantido surpreendentemente bem diante dos altos custos de energia e pode ter contribuído para o crescimento, ao contrário dos anos anteriores, quando exerceu peso.
A Alemanha, terceira maior economia do mundo, a França e a Itália cresceram 0,2% no trimestre, enquanto a Espanha, que há anos apresenta o melhor desempenho do bloco, expandiu 0,7%, acima da expectativa de 0,6%. Já a Holanda cresceu 0,4%, o dobro da taxa esperada.
“No entanto, a recente escalada da guerra no Oriente Médio significa que provavelmente levará mais tempo até que um acordo final seja alcançado entre os EUA e o Irã”, disse Jörg Krämer, economista do Commerzbank. “Isso provavelmente prejudicará a recuperação econômica no segundo semestre do ano.”
