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Sacre Investimentos
Economia
16/07/2026
3 min

Edge adquire Akaer para avançar na fabricação de drones militares no Brasil

Edge adquire Akaer para avançar na fabricação de drones militares no Brasil

A Edge, uma das maiores fabricantes de equipamentos militares do mundo, comprou a empresa brasileira Akaer, uma grande fornecedora de tecnologia para as Forças Armadas do Brasil e fabricantes de aviões, como a Embraer.

O contrato foi assinado nesta quinta-feira, 16, e ainda depende de aprovação das autoridades brasileiras. O valor do negócio não foi revelado.

Com a compra, a Edge busca avançar no desenvolvimento de drones e de tecnologias espaciais, algumas das especialidades da Akaer.

"Um dos projetos de drones que temos, que se chama Jeniah, está sendo desenvolvido pela Akaer. Vemos a empresa como um parceiro fundamental para continuar o crescimento das capacidades de aerospace, e até mesmo a parte espacial", diz Rodrigo Torres, CFO da Edge, em conversa com a EXAME.

Torres explica que a Akaer está desenvolvendo toda a parte estrutural do drone, mas também a aerodinâmica, os cabos e a integração com o motor.

"A gente vê também a oportunidade de desenvolver um drone novo, similar ao TB3, da Turquia, para o mercado da América Latina. Isso está no pipeline", diz Torres.

A Akaer atua, ainda, na construção de um lançador de microsatélites, em parceria com a Finep, cujo projeto está cerca de 20% concluído.

A trajetória da Akaer

Sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e criada em 1992, a Akaer é uma empresa de engenharia que ajuda grandes fabricantes a desenvolver aeronaves e outros produtos de alta tecnologia. Ela já atendeu clientes como Embraer, Boeing e Airbus, e trabalha em um projeto para modernizar os veículos blindados Cascavel, usados pelo Exército brasileiro.

A Akaer já teve 40% de participação do grupo SAAB e atuou no desenvolvimento do caça Gripen. O presidente da empresa, Cesar Silva, depois recomprou as ações da Saab, mas depois enfrentou problemas com a vinda da pandemia de Covid, que afetou as cadeias de fornecimento de peças, e a alta dos juros.

O caça F-39E Gripen, usado pela Força Aérea Brasileira

O caça F-39E Gripen, usado pela Força Aérea Brasileira (Evaristo Sá/AFP/Getty Images)

A Akaer também atuava em várias outras frentes, como projetos de mineração. No entanto, a falta de foco e a abertura de várias frentes é apontada como outra das causas que levaram a empresa a ter problemas financeiros.

No começo do ano, autoridades do governo brasileiro procuraram a Edge com um pedido de que eles avaliassem algum caminho para ajudar a Akaer, já que muitos projetos do setor militar brasileiro estavam sendo tocados pela empresa.

Depois disso, a Edge iniciou negociações, que duraram três meses, até fechar a compra de 100% de participação na empresa.

"Hoje talvez 40% da receita da Akaer já venha da própria Edge", afirma Torres.

Os planos da Edge incluem reduzir o escopo de atuação da Akaer, para que ela possa concentrar esforços nas áreas mais rentáveis, que incluem a modernização de tanques, a fabricação de elementos óticos, como lentes especiais, e baterias.

"Queremos trazer a empresa para seu patamar anterior, e focar na engenharia, que é no que eles são fortes", diz Torres.

Outros negócios fortes da empresa são a produção de lentes para equipamentos e baterias, como as que serão usadas no Evtol, apelidado de carro voador, que está sendo desenvolvido pela Embraer.

Seat e Condor

A Edge, com sede nos Emirados Árabes, tem avançado no Brasil. A companhia já comprou as empresas Condor, de armas não letais, e Siatt, focada em mísseis.

"A Edge já investiu US$ 600 milhões no Brasil nos últimos dois anos e meio. É quase o dobro do que a Embraer investiu em três anos", diz Torres.

AutorRafael Balago
FonteExame
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