Educação executiva abre novos caminhos para mulheres na liderança industrial
Formação, mentoria e networking ganham espaço como ferramentas para acelerar carreiras e lideranças femininas

Depois de avançar de forma contínua por sete anos, a participação das mulheres na liderança global praticamente estacionou. Entre 2015 e 2022, a fatia de cargos ocupados por elas subiu de 27,9% para 30,7%. Nos três anos seguintes, o ganho acumulado foi de apenas 0,3 ponto percentual.
Os números vêm da pesquisa State of Women in Leadership 2026, uma análise com dados agregados e anonimizados do LinkedIn. Em 2025, segundo o levantamento, 62% dos 74 países analisados registraram estabilidade ou queda na liderança feminina em relação ao ano anterior.
O freio amplia uma diferença que já era grande. As mulheres representam 44% da força de trabalho, mas ocupam 31% das posições de vice-presidência e C-Level. No Brasil, esse índice é de 32,2%.
Para a indústria, a desaceleração ocorre em um momento de transformações. Inteligência artificial, transição energética, digitalização e concorrência internacional exigem profissionais capazes de combinar conhecimento técnico, visão estratégica e capacidade de adaptação.
“A indústria precisa aproveitar todos os talentos e diferentes perspectivas disponíveis para inovar, tomar decisões mais assertivas e responder às transformações do mercado. Ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão fortalece as empresas, o empreendedorismo e a própria economia”, afirma Danusa Lima, diretora de Governança Interna e Externa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Barreiras que vão além da formação
A baixa presença feminina nos cargos de decisão não pode ser explicada apenas pela qualificação profissional. Estereótipos de gênero, menor acesso a redes de relacionamento e oportunidades de desenvolvimento e a dificuldade de conciliar responsabilidades profissionais e pessoais ainda interferem nessas trajetórias.
Por isso, preparar mulheres para liderar é apenas parte do trabalho. As empresas também precisam rever processos de recrutamento, promoção e sucessão, adotar critérios transparentes e ampliar o acesso a projetos estratégicos. “Não basta aumentar a presença feminina na base das organizações. Precisamos garantir que essa participação se reflita também nos níveis de gestão e nos espaços de maior poder de decisão”, diz Lima.
Uma das respostas da Confederação à baixa presença feminina nos cargos de decisão é o LiderA, Programa de Liderança Feminina na Indústria criado pelo Fórum Nacional da Mulher Empresária (FNME). A iniciativa articula ações da CNI, do SESI, do SENAI e do IEL em quatro eixos: competitividade, gestão, inovação e negócios.
A proposta combina capacitação, mentoria, conexão entre lideranças, disseminação de práticas e estímulo ao empreendedorismo feminino. Assim, alcança desde profissionais que se preparam para assumir funções de gestão até executivas que já participam das decisões das empresas.
Executivas brasileiras em Lisboa
O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) atua nessa estratégia por meio da Academia de Líderes IEL, que oferece programas sobre liderança, estratégia, governança, sucessão e futuro da indústria. O objetivo é preparar executivos, novas lideranças, sucessores e empresários para tomar decisões em ambientes mais complexos.
“A liderança que a indústria precisa hoje é mais colaborativa, inclusiva e preparada para lidar com os desafios do presente, mas também para antecipar os que virão”, afirma Sarah Saldanha, superintendente nacional do IEL.
Uma das iniciativas da Academia é o Programa de Educação Executiva Global – Liderança Feminina, vinculado ao LiderA. De 21 a 25 de setembro de 2026, 40 executivas participarão de uma imersão em Lisboa, realizada em parceria com a Nova School of Business & Economics (Nova SBE).
A programação inclui conteúdos sobre liderança, transformação, diversidade, equidade e inclusão, contexto global e forças de mudança, além de visitas técnicas, networking e acompanhamento individualizado.
As participantes terão contato com especialistas, pesquisadores, empreendedores e investidores e receberão certificação internacional da Nova SBE.
“Esperamos que elas retornem com novos conhecimentos, mas, principalmente, com novas perspectivas para aplicar em sua liderança, na gestão e nos negócios”, diz Saldanha. A experiência busca aproximar as executivas de outras realidades e modelos de gestão que possam inspirar respostas aos desafios das empresas brasileiras.

Conhecimento, rede e oportunidade
A imersão integra um conjunto mais amplo de ações. O curso de Liderança Feminina da Academia de Líderes IEL trabalha autogestão, gestão de pessoas e transformação do ambiente organizacional. O Bate-papo com Elas promove encontros sobre carreira e alta liderança. Já o Programa de Mentoria para Mulheres, presente em nove estados, aproxima profissionais e empreendedoras de outras lideranças.
Essa combinação parte do entendimento de que competência técnica não remove sozinha as barreiras. “É muito difícil liderar sozinha. Ter mentoria, estar próxima de outras lideranças e construir relações de confiança pode abrir caminhos, ampliar oportunidades e acelerar o desenvolvimento profissional”, afirma Sarah.
Para saber se as iniciativas estão produzindo mudanças, é preciso acompanhar indicadores como promoção, retenção, evolução de carreira e participação feminina em posições de liderança e projetos estratégicos. O resultado depende tanto da preparação das mulheres quanto da capacidade das empresas de reconhecer esses talentos e oferecer oportunidades reais de avanço.
