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InvestMercados
04/06/2026
4 min

Efeito Copa na bolsa: ações sobem no país que vence o torneio, revela estudo

Efeito Copa na bolsa: ações sobem no país que vence o torneio, revela estudo

Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, um estudo do Goldman Sachs aponta que levantar a taça pode ter reflexos além dos gramados. De acordo com um dos maiores bancos de investimento dos Estados Unidos, o mercado de ações do país vencedor tende a superar o desempenho do mercado global em média 3,5% no mês seguinte à final.

A conclusão faz parte de um relatório que analisaa Copa do Mundo sob a ótica financeira e econômica. Para os estrategistas Kevin Daly e Mambuna Njie, do Goldman Sachs, há evidências de que vencer o torneio gera um impacto de curto prazo tanto sobre a atividade econômica quanto sobre os mercados financeiros do país vencedor, ainda que os efeitos sejam limitados e não persistam no longo prazo.

"Em média, o vencedor superou o mercado global em 3,5% no primeiro mês, embora esse desempenho superior diminua significativamente após três meses", afirma o relatório.

O estudo também investigou se sediar uma Copa do Mundo impulsiona a economia nacional. A conclusão foi mais modesta do que muitos governos e organizadores costumam projetar.

Utilizando dados de todas as Copas realizadas desde 1982 e comparando os países anfitriões com uma amostra de 50 economias desenvolvidas e emergentes, o Goldman encontrou apenas um efeito marginalmente positivo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) no ano do torneio, resultado que não foi considerado estatisticamente significativo.

"Há um efeito marginalmente positivo, mas não estatisticamente significativo, sobre o PIB real do país anfitrião durante o ano em que a Copa do Mundo ocorre, e o efeito de longo prazo é efetivamente nulo", destaca o banco estadunidense.

Segundo os analistas, a Copa é, sem dúvida, um grande evento comercial, mas isso não significa necessariamente que gere ganhos duradouros para a economia dos países organizadores.

Parte importante dos benefícios econômicos fica fora das fronteiras dos anfitriões, uma vez que a maior parte dos mais de 5 bilhões de espectadores acompanha o torneio pela televisão ou internet sem visitar os países-sede.

Além disso, o relatório destaca que muitos dos gastos associados ao Mundial podem simplesmente substituir outras despesas que já ocorreriam de qualquer forma. Há ainda o risco de deslocamento econômico, quando turistas tradicionais evitam as cidades-sede por causa da alta de preços e do aumento da circulação de pessoas.

Outro fator, de acordo com o banco, é que os ganhos observados durante a competição costumam ser seguidos por uma normalização do consumo nos meses seguintes.

Os ganhadores da Copa: os bens de consumo

Apesar das limitações macroeconômicas, a Copa movimenta uma ampla cadeia de negócios. O Goldman Sachs classifica o torneio como “o maior evento esportivo do mundo”, superando Olimpíadas, Super Bowl e Copa do Mundo de Críquete.

Segundo dados da FIFA citados pelo banco, cerca de 5 bilhões de pessoas assistiram a alguma parte da Copa do Catar, em 2022, enquanto 1,5 bilhão acompanhou a final entre Argentina e França.

A edição de 2026 promete elevar ainda mais esses números. Pela primeira vez, a competição terá 48 seleções, contra 32 nas edições anteriores. Serão 104 partidas, ante 64 em 2022, e capacidade total de público de aproximadamente 7,2 milhões de espectadores nos estádios. Estados Unidos, México e Canadá dividirão a organização do torneio, que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho.

Para o banco, os principais beneficiários corporativos da competição devem estar nos setores de bens de consumo, varejo, vestuário esportivo, hotelaria, lazer, turismo e companhias aéreas. A expectativa é que o aumento da audiência global e o fluxo de visitantes impulsionem receitas em diferentes segmentos ligados ao consumo e ao entretenimento.

Mesmo assim, os economistas do Goldman argumentam que avaliar a Copa apenas pelo impacto sobre PIB e mercados financeiros pode ser uma visão limitada.

O relatório destaca o conceito de "disposição a pagar" para medir o valor emocional do torneio. Diversos estudos acadêmicos citados pelo banco mostram que a população costuma atribuir valor significativo à possibilidade de sediar ou vencer uma Copa do Mundo, mesmo quando os benefícios econômicos são modestos.

"Ao concentrar-se nos benefícios econômicos restritos da Copa do Mundo, corre-se o risco de perder de vista seu valor mais amplo", afirmam no documento.

Quando é o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2026?

A abertura do Mundial está marcada para 11 de junho de 2026, quando México e África do Sul se enfrentam no Estádio Azteca, na Cidade do México, às 16h (de Brasília).

Nesta edição, a principal novidade é a criação de uma etapa adicional de mata-mata, chamada Round of 32. Com isso, uma equipe que chegar à final poderá disputar até oito partidas, uma a mais do que no formato anterior.

Ao todo, a competição será realizada ao longo de 39 dias, distribuída por 16 cidades-sede nos três países organizadores. A decisão do torneio está marcada para 19 de julho.

AutorClara Assunção
FonteExame
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