Efeito de 30 programas sociais: André Esteves, do BTG, diz qual é o remédio que pode levar Selic a 7% ao ano
Na abertura do evento Macro Day 2026, do BTG Pactual, o chairman do banco explicou o que falta para derrubar os juros e impulsionar a economia

Um efeito equivalente a "30 vezes qualquer programa social". Esse é o potencial econômico que uma queda expressiva da taxa de juros poderia gerar para a economia, na visão de André Esteves, chairman do BTG Pactual.
Durante o evento Macro Day 2026, realizado nesta segunda-feira (31) pelo banco, o executivo defendeu que o Brasil tem condição para cortar a Selic pela metade, a um dígito de 7% ao ano.
Se feito de forma sustentável, esse cenário teria potencial de gerar um impacto positivo principalmente para a população de menor renda.
“Ir para um juro de um dígito sólido é uma enorme transformação da sociedade, principalmente para a base da pirâmide, que é quem mais sofre com isso”, afirmou.
Para Esteves, a mudança é viável, relativamente simples e pode ser aproveitada pelo próximo governo no novo ciclo político que se inicia em 2027. Porém, para chegar a esse patamar de juros, o país precisa lidar com um elefante na sala: o controle da dívida pública.
Dívida pública é o calcanhar de Aquiles
Esteves acredita que a economia brasileira está organizada em diversos aspectos.
O chairman do BTG destaca as reservas cambiais de cerca de US$ 370 bilhões, a solidez do sistema financeiro, a força do mercado de capitais e o baixo nível de desemprego.
O principal desequilíbrio, porém, é a trajetória fiscal.
“Tem um item que ainda está fora do lugar: o crescimento da dívida pública no Brasil está muito alto, muito forte e muito rápido. A gente precisa tratar desse tema”, disse.
Para o empresário, o controle da dívida não deve ser tratado como uma discussão ideológica, mas como uma questão técnica e institucional.
“Existe uma técnica para isso, existe tecnologia, existe ciência. A gente tem que abraçar essa ciência e entregar para a sociedade esse enorme benefício”, afirmou durante o evento.
Juro alto é 'hostil'
O executivo também defende que, ao contrário do que popularmente se imagina, a ideia de que bancos se beneficiam de um ambiente de juros elevado não corresponde à realidade.
Segundo o executivo, a taxa de juros em 14% ao ano cria um ambiente “muito hostil” para a atividade econômica e prejudica diferentes setores, incluindo o próprio sistema financeiro.
“É ruim para as empresas, para todos os setores, para a indústria, para o varejo, para o empreendedorismo e para os bancos. Essa ideia de que juro alto é bom para os bancos, não é. É muito ruim”, disse.
*Com informações de Money Times
