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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
30/06/2026
5 min

Ela criou um império da moda e agora fará R$ 10 milhões com economia criativa 'escalável'

Ela criou um império da moda e agora fará R$ 10 milhões com economia criativa 'escalável'

Depois de ajudar a construir um dos maiores ecossistemas de moda digital do país que fatura mais de R$ 300 milhões ao ano, a empresária Ana Isabel de Carvalho Pinto decidiu começar de novo.

Fundadora doShop2gether e cofundadora do OQVestir, ela lançou neste ano a Visionary Brazil, plataforma que une investimento, mentoria e desenvolvimento de negócios para marcas da economia criativa. A expectativa é acompanhar entre cinco e oito empresas ao longo de 2026 e faturar R$ 10 milhões já no primeiro ciclo anual de operação.

A empresa nasce enxuta, com uma equipe fixa de seis pessoas e grupos dedicados para cada projeto. O foco inicial está em marcas de moda, design, lifestyle e bem-estar, áreas que, na visão da empresária, concentram grande potencial criativo, mas ainda carecem de estrutura de gestão e acesso a capital.

"Mais do que aportar capital, o trabalho é construir marcas. O diferencial está no acesso que conseguimos oferecer a grupos de moda, compradores, imprensa e investidores que uma marca autoral levaria anos para alcançar sozinha", afirma.

Como Ana Isabel começou sua trajetória empreendedora

Antes de empreender, Ana Isabel não imaginava construir carreira na moda. Formada em Administração e com MBA em Marketing, ela começou a trajetória no varejo e no atacado, desenvolvendo produtos e aprendendo os bastidores da indústria.

A primeira grande virada veio em 2010. Após um intervalo de dois anos no mercado de trabalho para se dedicar à primeira filha, foi convidada para atuar em uma empresa de vendas online de roupas, em um momento em que os clubes de compras começavam a popularizar o comércio eletrônico de moda no Brasil.

Ela passou cerca de um ano tentando reposicionar a operação. Ao perceber que havia espaço para um modelo diferente, decidiu criar o Shop2gether.

Na época, o conceito de marketplace ainda era pouco difundido no país. A proposta era reunir diversas marcas em uma única plataforma, mantendo o estoque sob responsabilidade dos próprios parceiros e transformando o Shop2gether em uma grande vitrine digital.

"Eu fui aproveitando todas as oportunidades que apareceram. O grande diferencial do empreendedor é saber enxergar uma oportunidade e não ter medo de desbravá-la", diz.

Como ela consolidou um império da moda no Brasil

Com o crescimento do Shop2gether, Ana Isabel também estruturou uma empresa de serviços para atender marcas interessadas em entrar no comércio eletrônico. Durante a pandemia, essa operação foi adquirida pela Infracommerce em uma transação bilionária.

O movimento permitiu que a executiva consolidasse sua posição financeira e repensasse os próximos passos da carreira.

Aos poucos, foi deixando a operação executiva do grupo e assumindo um papel mais estratégico, dedicando-se à construção da Visionary.

O modelo de negócio combina diferentes frentes. Dependendo do estágio da empresa, a plataforma pode investir capital, assumir participação societária, atuar na gestão ou oferecer mentoria estratégica e acesso a uma rede de relacionamentos construída ao longo de quase três décadas no mercado de moda.

"Para quem está começando, poder sentar na mesa com um CEO, um grande varejista ou um editor de revista é muito difícil. São essas portas que eu também abro através da Visionary."

Um ecossistema que se retroalimenta

A Visionary foi desenhada para funcionar como uma engrenagem em que um negócio impulsiona o outro.

Entre as primeiras iniciativas está a Cercle, plataforma de recommerce de moda de luxo. O sistema permite que peças adquiridas pelas consumidoras sejam digitalizadas e posteriormente revendidas dentro do próprio ecossistema, gerando créditos para novas compras.

A empresa também participa da organização do FFW Brasil Fashion Awards, premiação voltada ao reconhecimento de talentos da moda nacional, e acompanha o desenvolvimento de marcas emergentes como a Normando.

Outra frente em construção envolve o desenvolvimento de negócios ligados a criadores de conteúdo, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados.

Segundo a empresária, a demanda por novos projetos já superou as expectativas iniciais. A agenda de 2026 está praticamente preenchida e novas iniciativas começam a ser discutidas apenas para 2027.

O que vem por aí

Por trás da nova empresa existe uma missão mais ampla: profissionalizar a economia criativa brasileira. Na avaliação de Ana Isabel, setores como artesanato, moda autoral e design ainda são frequentemente vistos apenas sob uma perspectiva cultural, sem uma estrutura capaz de transformá-los em negócios escaláveis.

"Eu quero tirar isso do lado cultural e levar para o lado comercial. O Brasil tem um legado criativo, uma ancestralidade e saberes artesanais muito valorizados fora do país, mas ainda não temos uma estrutura capaz de profissionalizar essas pessoas para atender o mercado internacional."

Entre os planos futuros está a criação de um espaço que reúna artesãos brasileiros e funcione como ponte entre esses produtores e a indústria da moda global.

Depois de ter ajudado a colocar o luxo nacional no ambiente digital, Ana Isabel agora quer fazer o caminho inverso: usar a criatividade brasileira como matéria-prima para construir empresas mais robustas e, eventualmente, exportar esse capital criativo para o mundo.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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