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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
02/07/2026
4 min

Ela criou uma escola de mecânica. Agora aposta nos carros elétricos para chegar aos R$ 80 milhões

Ela criou uma escola de mecânica. Agora aposta nos carros elétricos para chegar aos R$ 80 milhões

A primeira oficina onde Sandra Nalli trabalhou não parecia um lugar para uma adolescente de 14 anos. Em um setor quase exclusivamente masculino, ela passou duas décadas aprendendo mecânica, enfrentando preconceitos e ocupando funções que, até então, raramente eram exercidas por mulheres. Anos depois, transformou essa experiência em um negócio.

O que começou como um projeto social para capacitar jovens em situação de vulnerabilidade virou a Escola do Mecânico. Hoje, a rede soma 48 unidades em 12 estados, já formou mais de 120 mil alunos e projeta faturar R$ 80 milhões em 2026.

Agora, Sandra aposta nos carros elétricos, a próxima transformação da indústria automotiva.

A empresa anunciou a fusão com a NEO Automotive, especializada em diagnóstico de veículos híbridos e elétricos. A operação cria um novo polo de capacitação voltado à eletrificação automotiva e amplia a atuação da Escola do Mecânico em um segmento que deve ganhar espaço à medida que a frota brasileira muda de perfil.

"Mais do que acompanhar essa transformação, queremos liderá-la por meio da educação", afirma Sandra Nalli.

A próxima aposta

A decisão não surgiu por acaso. Nos últimos anos, Sandra percebeu que a falta de mão de obra qualificada deixou de ser um problema restrito às oficinas tradicionais.

A chegada dos veículos híbridos e elétricos criou uma demanda por profissionais capazes de trabalhar com baterias de alta tensão, eletrônica embarcada, sistemas ADAS e diagnósticos avançados, competências ainda pouco difundidas no mercado brasileiro.

Segundo dados da Fenabrave, as vendas de automóveis e comerciais leves eletrificados praticamente dobraram no primeiro quadrimestre de 2026, passando de 70.433 para 138.886 unidades.

Ao mesmo tempo, estimativas do setor apontam que o Brasil poderá enfrentar um déficit entre 20 mil e 50 mil profissionais especializados nos próximos cinco anos, caso a formação técnica não acompanhe o crescimento da frota.

Foi olhando para esse cenário que a Escola do Mecânico decidiu incorporar a NEO Automotive.

Fundada pelo engenheiro Nelson Fernando, a empresa é especializada em diagnósticos de veículos híbridos e elétricos e passa a integrar a holding comandada por Sandra. A gestão da nova operação será compartilhada entre os dois executivos.

"Temos um volume cada vez maior de manutenção, mas poucos técnicos habilitados para atuar em veículos de alta tensão", diz Fernando.

Da mecânica ao ecossistema

A aquisição representa mais um passo na estratégia de diversificação da empresa.

Nos últimos anos, a Escola do Mecânico deixou de atuar apenas na formação de mecânicos e passou a construir um ecossistema voltado ao mercado de reparação automotiva.

Além da escola original, lançou a Escola do Funileiro e desenvolveu uma plataforma que conecta alunos às empresas do setor.

Hoje, cerca de 30% dos alunos formados pela rede já ingressaram no mercado de trabalho por meio dos aplicativos Emprega Mecânico e Emprega+, criados pela própria companhia.

A empresa também ampliou sua atuação junto às fabricantes, oferecendo treinamentos corporativos para empresas como Scania, Toyota, Mobil, Tirreno, Norton Saint-Gobain e MTE-Thomson.

Como o crescimento do negócio passa pela eletrificação

Segundo Sandra, a expectativa é que a eletrificação represente um dos principais motores de crescimento da companhia nos próximos anos.

O objetivo é transformar a Escola do Mecânico em uma referência em capacitação para tecnologias automotivas avançadas.

"Nos próximos dois anos queremos ser a principal referência em formação técnica do setor de reparação da América Latina, especialmente nas áreas de tecnologia embarcada, eletrificação, diagnósticos avançados e capacitação de instrutores", afirma.

A estratégia faz parte de um plano mais amplo de expansão da holding, que projeta faturar R$ 80 milhões em 2026, impulsionada pela combinação entre franquias, novas verticais de ensino, treinamentos corporativos e, agora, a aposta na formação de profissionais para uma indústria que passa por sua maior transformação em décadas.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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