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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
29/08/2026
8 min

Ela ergueu uma empresa do zero e, cinco anos depois, mira o primeiro R$ 1 bilhão

Com uma aposta na construção industrializada de data centers, Alinie Mendes fez a receita da Modular crescer 61% em 2025 e colocou a empresa em destaque no prêmio EXAME Negócios em Expansão 2026

Ela ergueu uma empresa do zero e, cinco anos depois, mira o primeiro R$ 1 bilhão

A corrida por mais capacidade computacional está mudando a forma como empresas constroem data centers. Com mais serviços na nuvem e o avanço da inteligência artificial, operadores precisam colocar novas estruturas de pé sem depender apenas de obras que podem levar meses ou anos.

É nesse mercado que atua a Modular Data Centers, empresa fundada há pouco mais de cinco anos e com fábrica em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A companhia produz estruturas modulares que recebem servidores, sistemas elétricos, refrigeração e cabeamento. Em vez de construir tudo no terreno do cliente, boa parte do trabalho é feita dentro da fábrica e depois levada ao endereço onde o data center será instalado.

A Modular chega a 2026 depois de registrar receita operacional líquida de R$ 579 milhões em 2025, crescimento de 60,90% em 12 meses. O resultado colocou a empresa na oitava posição da categoria entre 300 milhões e 600 milhões de reais doranking EXAME Negócios em Expansão 2026.

Na edição 2026, a quinta do maior prêmio para empreendedores do Brasil, foram 491 empresas selecionadas nesta edição. Para 2026, a Modular trabalha com a possibilidade de alcançar R$ 1 bilhão em vendas caso conclua um dos projetos que estão em negociação.

“Se a gente vender mais um projeto este ano, a gente ultrapassa isso”, diz Alinie Mendes, fundadora e CEO da Modular. Segundo ela, os contratos em negociação envolvem projetos de mais de 100 megawatts, capacidade comparável à de alguns dos maiores data centers no mundo. “Este projeto vai garantir um salto para a companhia”, diz Alinie.

O próximo salto depende justamente desses contratos maiores. A empresa já tem garantido para 2026 um volume próximo ao resultado do ano passado e trabalha em projetos que podem mudar a escala da operação.

Ao mesmo tempo, tenta adaptar seus módulos a uma indústria em que o tipo de servidor, a quantidade de energia e o desenho dos data centers mudam conforme novas aplicações de inteligência artificial chegam ao mercado.

O que a Modular Data Centers faz

Um data center é, na prática, um prédio preparado para abrigar servidores que processam e armazenam dados. Além das máquinas, é preciso fornecer energia sem interrupção, controlar a temperatura e garantir conexões de internet capazes de transportar grandes volumes de informação.

No modelo tradicional, grande parte dessa estrutura é construída diretamente no terreno onde o data center vai funcionar. A Modular transfere uma parte desse trabalho para dentro da fábrica.

A empresa produz estruturas metálicas que funcionam como salas. Depois, essas estruturas recebem painéis elétricos, cabos e equipamentos fornecidos por parceiros. Tudo passa por testes antes de sair da fábrica. “É como se fossem peças de Lego”, diz Alinie.

Os módulos são transportados até o endereço do cliente, montados e conectados. A estrutura é definitiva. Não se trata de um data center provisório que será retirado quando uma construção convencional ficar pronta.

Os equipamentos podem ser instalados ao ar livre ou dentro de prédios e galpões. A Modular também consegue combinar vários blocos até formar estruturas maiores.

Hoje, a empresa produz desde unidades compactas até projetos formados por blocos de 3 ou 5 megawatts, que podem chegar a mais de 100 megawatts quando combinados. A Modular desenha, fabrica, instala e testa a infraestrutura. Depois da entrega, quem opera o data center é o cliente ou uma empresa contratada por ele.

Uma empresa que nasceu de uma fábrica em Mococa

A origem da Modular está ligada à Gemelo, empresa que já fabricava pequenos data centers modulares em Mococa, no interior de São Paulo. No fim de 2021, um grupo de investidores que incluía Alinie Mendes comprou a operação industrial e seus ativos. A fábrica tinha cerca de 2.300 metros quadrados.

O plano inicial era usar aquela estrutura para fabricar unidades menores, especialmente para atender à expansão de redes de telecomunicações e do 5G. Esses equipamentos poderiam ser instalados em regiões distantes dos grandes centros de processamento e atender uma demanda local por dados.

O cenário mudou pouco depois.

A pandemia aumentou o consumo de serviços digitais e colocou pressão sobre empresas que precisavam ampliar sua capacidade computacional. Ao mesmo tempo, construir novos data centers continuava exigindo preparação de terreno, obras e licenças.

A Modular passou então a usar sua fábrica para produzir partes maiores dos data centers enquanto o terreno do cliente ainda estava sendo preparado.

“Enquanto o site estava sendo preparado do ponto de vista de licenciamento e terraplanagem, na fábrica o recheio do data center estava sendo constituído”, diz Alinie.

Esse movimento levou a companhia a deixar de olhar apenas para unidades pequenas e passar a trabalhar com projetos de maior capacidade.

Da fábrica de 2.300 metros quadrados para Santana de Parnaíba

O aumento do tamanho dos projetos exigiu espaço.

A empresa saiu de Mococa e passou por uma instalação de cerca de 8.000 metros quadrados em Cotia, em 2022. No ano seguinte, transferiu a produção para Santana de Parnaíba.

A operação atual soma cerca de 40.000 metros quadrados de área produtiva, segundo informações da companhia. Ali ficam etapas como corte e pintura das estruturas metálicas, montagem de painéis, instalação de cabos e integração de equipamentos.

A mudança representa uma área fabril mais de 17 vezes maior do que a primeira instalação em Mococa. A companhia também ampliou o quadro de funcionários. Hoje, a empresa tem perto de 1.000 funcionários.

A Scala abriu a primeira porta

Um dos primeiros clientes da Modular foi a Scala Data Centers. A ligação entre as duas empresas também passa pela história dos fundadores. Marcos Peigo, marido e sócio de Alinie na Modular, é fundador e CEO da Scala e atua no conselho da Modular.

Foi Peigo quem apresentou a ideia inicial do negócio. A Scala funcionou como cliente inicial para projetos maiores e ajudou a testar o modelo de construção modular em uma escala diferente daquela que a empresa havia imaginado no começo.

Hoje, segundo Alinie, a Modular também atende outros operadores de data centers e trabalha diretamente com grandes consumidores de capacidade computacional. Não há exclusividade com a Scala.

A empresa também levou projetos para outros países da América Latina. Nos materiais fornecidos aparecem operações ou entregas em mercados como Chile, Colômbia e Guatemala. Neste momento, um novo projeto está sendo desenvolvido para o Paraguai.

Por que a inteligência artificial aumentou a pressão por data centers

O crescimento da Modular também coincide com uma mudança no tipo de infraestrutura procurada pelos clientes. Aplicações de inteligência artificial exigem grandes quantidades de processamento. Isso significa mais servidores e, em muitos casos, mais energia concentrada em espaços menores.

Para quem constrói data centers, o problema é que o desenho necessário hoje pode mudar antes mesmo de uma obra longa ficar pronta. A Modular tenta responder a isso dividindo os projetos em blocos.

Um cliente pode contratar uma determinada capacidade e definir detalhes de parte da infraestrutura mais perto da fabricação. “A gente está vendo a arquitetura mudar de uma forma em que conseguimos processar muito mais dentro de um espaço muito menor”, diz Alinie.

A empresa também começou a usar ferramentas de inteligência artificial dentro dos próprios projetos de engenharia. "Sistemas como ChatGPT e Claude passaram a fazer parte da rotina das equipes, inclusive no trabalho com informações de projetos e desenhos", diz Alinie.

De processos industriais para data centers

Antes de entrar no setor de tecnologia, Alinie trabalhou na indústria automobilística. Formada em administração, ela também fez especializações ligadas a produção e processos.

Em 2010, migrou para uma empresa de serviços de tecnologia adquirida pelo UOL Diveo, unidade de tecnologia do Grupo UOL. Ali, Alinie passou a cuidar de processos ligados a ambientes que precisavam permanecer disponíveis o tempo inteiro.

A função envolvia criar procedimentos para manutenção, segurança e resposta a falhas. “Foi quando fui aprendendo o que era um ambiente crítico, que nunca poderia parar”, diz Alinie.

O desafio de crescer sem saber como será o próximo projeto

O tamanho dos contratos cria uma característica pouco comum na receita da Modular.

Um único projeto pode alterar de forma relevante o resultado de um ano inteiro.

Por isso, embora a empresa tenha terminado 2025 com R$ 579 milhões de receita líquida, a diferença entre repetir esse número e ultrapassar R$ 1 bilhão em 2026 pode depender do fechamento de poucos contratos.

A companhia afirma ter dois projetos de grande porte em desenvolvimento, ambos com capacidade superior a 100 megawatts.

Essa concentração também obriga a fábrica a ajustar pessoas, fornecedores e linhas de produção de acordo com cada encomenda.

Na visão da CEO, o Brasil reúne oferta de energia e demanda por processamento, mas ainda precisa de regras mais previsíveis para atrair uma parcela maior dos projetos internacionais.

Por enquanto, dentro da fábrica de Santana de Parnaíba, o objetivo é preparar espaço para o próximo contrato.

Se um dos projetos em negociação entrar na linha de produção ainda em 2026, a Modular pode chegar ao primeiro bilhão anual pouco mais de cinco anos depois de começar a fabricar seus primeiros módulos.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2026.

AutorLeo Branco
FonteExame
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