Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
07/11/2026
4 min

Ela vendeu seu apartamento para investir em saúde capilar — uma receita de arrepiar

Ao investir o patrimônio pessoal, a dermatologista Débora Cadore abriu caminho para expandir sua clínica de 38 para 450 metros quadrados, além de criar uma academia para especialização médica na na área

Ela vendeu seu apartamento para investir em saúde capilar — uma receita de arrepiar

Em 2014, a dermatologista Débora Cadore colocou o próprio patrimônio a serviço de um sonho. Vendeu o apartamento onde morava e destinou todo o dinheiro à expansão da clínica, aprofundando a dedicação às doenças do couro cabeludo. Sua trajetória como empresária tinha apenas dois anos.

Mais de uma década depois, aquele consultório de 38 metros quadrados deu lugar a uma estrutura de 450 metros quadrados, que recebe mais de 400 pacientes por mês, em Florianópolis. A experiência também originou a Cadore Academy, escola de formação médica com alunos de todos os estados brasileiros.

Os R$ 800 mil obtidos com o imóvel financiaram a primeira ampliação, para um espaço de 125 metros quadrados, em 2015. “Foi reinvestir tudo o que eu tinha quando dava vontade de comprar ou gastar em outras coisas. Foi estudar nos fins de semana enquanto muita gente descansava”, afirma.

A mudança para a sede atual, no Complexo Milano, no centro da capital catarinense, ocorreu em setembro de 2025. Com a área mais de três vezes maior, subiram também os custos fixos. A experiência anterior não eliminou o frio na barriga. “Foi o passo de maior risco e medo. Confesso que até hoje não acredito que tive tamanha coragem”, diz.

O faturamento já cresceu aproximadamente 20% no primeiro ano no novo endereço. O investimento acumulado em equipamentos e tecnologia é estimado em R$ 2 milhões.

Filha de professores, Cadore nasceu em Brusque e se formou em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2004. Seguiu para São Paulo, onde fez residência em dermatologia na Santa Casa e se especializou em oncologia cutânea no A.C.Camargo Cancer Center.

O interesse pelas doenças dos cabelos e das unhas surgiu durante uma temporada de estudos na Itália, em 2008. Foi lá que conheceu a dermatologista Antonella Tosti, que se tornou uma de suas mentoras. Em 2015, aprofundou essa formação na Universidade de Miami.

Ao voltar a Florianópolis, em 2012, porém, a bagagem acadêmica convivia com uma dificuldade comum a quem abre um consultório. Faltavam pacientes. Cadore contratou um empréstimo de aproximadamente R$ 40 mil para pagar a cota de ingresso na Unimed. Os pais também participaram da aposta, vendendo um imóvel comercial em Blumenau para ajudar na reforma do espaço.

Durante cerca de um ano e meio, atendeu por convênios. O retorno dos pacientes e as indicações permitiram a transição para consultas exclusivamente particulares. Hoje, de acordo com a clínica, 90% da procura está relacionada aos cabelos e ao couro cabeludo.

Protocolo próprio

Foi nessa rotina que começou a nascer o segundo negócio. Por volta de 2014, médicos passaram a procurar Cadore para acompanhar seus diagnósticos e tratamentos. Os primeiros grupos reuniam dois ou três profissionais.

Pouco antes da pandemia, ela organizou um curso para 30 participantes, com aulas teóricas em um hotel e atividades práticas na clínica. As restrições sanitárias impediram o encontro. A saída foi levar o conteúdo para a internet, alcançando interessados que sequer estavam inscritos na turma original.

A iniciativa deu origem à Cadore Academy, formalizada em 2021 como empresa independente. Segundo a escola, mais de mil médicos já passaram pelos cursos. Atualmente, a operação segue em ritmo menor, devido à agenda da fundadora, e recebe cerca de dez novos alunos por ano. O formato combina teoria on-line e dois encontros presenciais em Florianópolis.

Na clínica, Cadore passou a utilizar, em 2022, um protocolo próprio com material obtido da gordura do paciente para complementar o tratamento de alguns tipos de alopecia. Segundo a dermatologista, 27 pessoas receberam o procedimento e são acompanhadas por ela. “É uma terapia complementar e adjuvante. Não exclui o papel dos tratamentos convencionais”, afirma.

Os próximos planos incluem ampliar a formação de médicos e participar do desenvolvimento de produtos. Mas, ao falar de sua maior conquista, Cadore recorda uma paciente com alopecia areata universal que passou anos evitando o mar por medo de perder a prótese capilar. Depois, voltou a entrar na água com a família.

“Minha maior conquista profissional não é a clínica nem a Academy. É ver o paciente voltando com o resultado do tratamento e retomando a vida”, diz.

AutorRafael Martini
FonteExame
Distribuído por