Ele aprendeu a costurar com a avó e hoje vende ternos de até R$ 45 mil para jogadores de futebol
Empreendedor construiu uma operação de alfaiataria premium sem formação tradicional em moda e agora busca escalar o negócio mantendo o atendimento personalizado.

RESUMO | Jean Araujo lançou a Jean Araujo Alfaiataria em junho de 2022, marca de alfaiataria masculina que hoje fatura R$ 250 mil por mês. Os ternos sob medida custam de R$ 12,8 mil a R$ 45,9 mil. O empresário projeta receita próxima de R$ 4 milhões em 2026 e de R$ 8 milhões em 2027.
Aos 17 anos, Jean Araujo entrou no mercado de moda quase por acaso. O convite veio da avó, dona de um ateliê de vestidos de noiva, onde ele começou trabalhando no caixa. Dez anos depois, a pequena loja familiar deu lugar a uma marca de alfaiataria masculina que atende jogadores de futebol, empresários e executivos, com ternos sob medida que chegam a R$ 45,9 mil.
A operação saiu de um faturamento anualizado de R$ 480 mil em 2022, primeiro ano da marca Jean Araujo Alfaiataria, para uma média atual de R$ 250 mil por mês — ou R$ 3 milhões anualizados. Para 2026, a projeção é chegar próximo de R$ 4 milhões e, no ano seguinte, alcançar R$ 8 milhões.
"Eu aprendi que (o produto) era algo extremamente artesanal, era algo que eu não dava valor o suficiente. Para mim era simples porque eu fiz isso a vida inteira. Quando você entende que é uma mão de obra rara, fica muito mais fácil vender caro", diz Araujo.
Como uma loja de vestidos virou uma marca de alfaiataria masculina
A primeira experiência empreendedora de Jean começou em 2015, quando ele abriu uma pequena loja de locação de vestidos de festa em frente ao ateliê da avó, em uma rua de Campinas conhecida pelo comércio de roupas para casamentos e eventos.
Na época, ele tinha pouco mais de 17 anos e contou com a ajuda do pai para comprar o ponto comercial. O investimento inicial foi feito de forma parcelada, e a loja começou com apenas 11 vestidos próprios, complementados por peças emprestadas por familiares que também atuavam no segmento.
A ideia inicial era trabalhar apenas com moda feminina. O segmento masculino parecia distante: além do investimento maior, envolvia mais peças e uma operação mais complexa, com calça, camisa, paletó, sapato e acessórios.
A trajetória, porém, teve algumas mudanças de rota. Em 2017, ele chegou a iniciar o curso de Engenharia Civil, seguindo uma influência do pai, que trabalha no setor de construção. Ficou apenas seis meses no curso antes de decidir abandonar a graduação.
No ano seguinte, tentou uma nova mudança: foi para os Estados Unidos estudar e jogar futebol por meio de uma bolsa universitária. Durante a experiência, trabalhou em diferentes funções, como limpeza, construção civil e serviços de restaurante.
A volta ao Brasil aconteceu em 2018, quando ele retomou a loja de locação. "Quando eu volto aqui, eu não tenho nenhuma formação, eu não tenho nada. Eu vou fazer o quê?", relembra.
O retorno acabou sendo definitivo. Ao assumir novamente o negócio, Jean começou a olhar a operação com uma visão mais empresarial. Ainda naquele ano, comprou uma segunda loja, maior, na mesma rua, e passou a incluir ternos na operação.
Como ele aprendeu a fazer alfaiataria sem formação em moda
A técnica veio da prática. Antes de produzir ternos, Jean aprendeu a fazer ajustes nos vestidos da própria loja.
Sem recursos para contratar profissionais, começou a estudar por conta própria. Assistia a vídeos na internet, aprendia ao observar o trabalho da avó e treinava nos momentos em que não havia clientes.
"Eu aprendi a costurar em 2015, basicamente com a minha avó e sozinho. Eu treinava muito porque eu não tinha muito cliente ainda e, quando eu não tinha o que fazer, ficava lá costurando", afirma.
A entrada definitiva na alfaiataria masculina aconteceu em 2020. Durante a pandemia, a operação de locação de vestidos foi afetada pela queda de eventos e Jean percebeu uma oportunidade: muitos clientes que procuravam roupas para festas vinham acompanhados dos maridos, que também precisavam de peças.
Ao migrar a operação para Paulínia, cidade onde morava, ele passou a vender e alugar mais ternos do que vestidos. Foi nesse período que começou a estudar mais profundamente modelagem masculina e construção de peças.
Em junho de 2022, lançou oficialmente a marca Jean Araujo Alfaiataria. A mudança mais importante veio em 2023, quando Jean decidiu separar definitivamente a locação da alfaiataria.
Até então, os dois modelos conviviam: a mesma marca alugava roupas e vendia peças sob medida. Mas uma consultoria de posicionamento mostrou que os negócios tinham propostas diferentes.
"A marca tem que gerar desejo. Quando você loca também, qualquer pessoa tem acesso à marca, e ela deixa de ser algo de desejo", explica.
A partir de 2024, a Jean Araujo passou a trabalhar apenas com venda de alfaiataria. O movimento veio acompanhado de uma mudança de posicionamento: menos volume, mais exclusividade.
No início de 2025, as peças sob medida partiam de R$ 3 mil. Depois de trabalhar o posicionamento da marca, ele elevou a percepção de valor do produto e passou a vender ternos sob medida entre R$ 12,8 mil e R$ 45,9 mil.
Como atletas ajudaram a ampliar a marca
O crescimento ganhou velocidade a partir de 2023, quando Jean começou a atender jogadores de futebol.
O primeiro contato veio com João Caetano, então jogador do Corinthians, indicado por um conhecido. A partir dali, vieram novas indicações dentro do clube e a produção de peças para eventos, casamentos e premiações.
"Quem me deu visibilidade para eu estar onde eu estou hoje foram jogadores de modo geral", afirma.
Hoje, a marca atende atletas como Maurício, do Palmeiras e da seleção paraguaia, além de outros jogadores e profissionais ligados ao futebol. Também atende médicos, advogados e empresários.
A estratégia, segundo Jean, não depende de publicidade tradicional. O crescimento acontece principalmente por indicação.
"Hoje meu trabalho é 100% por indicação. Eu não faço anúncio. A gente vende muito bem através de indicação porque é um trabalho que entrega o que promete", diz.
Como funciona uma alfaiataria de até R$ 45 mil
A marca trabalha com duas frentes. Em Paulínia, há uma operação mais ampla, com peças prontas como camisetas, polos, tênis e calças de alfaiataria. Em Alphaville, inaugurada recentemente, o foco está no atendimento personalizado e nas peças sob medida.
O cliente escolhe tecidos, cores, estampas e modelagem. Entre os materiais usados estão tecidos italianos de marcas como Loro Piana e Zegna.
A empresa também realiza atendimentos fora dos ateliês, inclusive em outras cidades do Brasil, após uma conversa inicial para entender o perfil do cliente e se o produto faz sentido para ele.
Hoje, Jean tem uma equipe de cinco pessoas. Ele deixou de concentrar toda a produção e passou a atuar mais na venda, no relacionamento com clientes e na coordenação da operação.
"O desafio da escala é que eu sou um só. As pessoas querem ser atendidas pelo Jean, então eu preciso ter uma equipe muito boa para entregar a mesma qualidade", afirma.
A expansão agora passa por aumentar a presença física sem abandonar o conceito artesanal. A ideia é abrir novas lojas de pronta entrega com características de peças sob medida, enquanto o trabalho mais exclusivo de alfaiataria continua concentrado nos atendimentos personalizados.
Quanto fatura a Jean Araujo Alfaiataria?
A Jean Araujo Alfaiataria fatura, em média, R$ 250 mil por mês, o equivalente a R$ 3 milhões anualizados. Em 2022, primeiro ano da marca, o faturamento anualizado foi de R$ 480 mil.
Quanto custa um terno sob medida da Jean Araujo Alfaiataria?
Os ternos sob medida custam entre R$ 12,8 mil e R$ 45,9 mil. No início de 2025, as peças partiam de R$ 3 mil, mas Jean Araujo elevou os preços após reposicionar a marca.
Como Jean Araujo aprendeu alfaiataria?
Jean Araujo afirma que aprendeu a costurar em 2015 com a avó e por conta própria, por meio de vídeos, observação e prática. Ele começou com ajustes em vestidos e aprofundou os estudos de modelagem masculina após entrar na alfaiataria em 2020.
Quais jogadores de futebol já foram atendidos pela marca?
O primeiro jogador atendido foi João Caetano, então atleta do Corinthians, após a indicação de um conhecido. A marca também atende Maurício, do Palmeiras e da seleção paraguaia, além de outros profissionais ligados ao futebol.
Onde ficam as lojas da Jean Araujo Alfaiataria?
A operação de Paulínia vende peças prontas, como camisetas, polos, tênis e calças de alfaiataria. A unidade de Alphaville concentra o atendimento personalizado e a produção de peças sob medida.
Qual é a projeção de faturamento da Jean Araujo Alfaiataria?
A projeção da marca é alcançar receita próxima de R$ 4 milhões em 2026 e chegar a R$ 8 milhões em 2027. A expansão prevê novas lojas de pronta entrega, enquanto a alfaiataria mais exclusiva continuará nos atendimentos personalizados.
