Ele começou lavando pratos. Agora, seus filhos lideram rede de botecos de R$ 15 mi que leva seu nome
Antônio Rufino saiu do Ceará em busca de oportunidades e criou um boteco no Rio de Janeiro que se transformou em uma rede de franquias com faturamento de R$ 15 milhões

O cearense Antônio Rufino desembarcou no Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades profissionais. O que ele não imaginava era que teria um restaurante que leva o seu nome na capital fluminense — o Buteco Seu Rufino.
O negócio foi fundado em 2016, em Freguesia, no Rio de Janeiro. Começou com o nome Buteco Original, com foco em hospitalidade e comida de raiz. “A loja nasceu no bairro em que ele morava e já conhecia muita gente. Quando o restaurante foi inaugurado, a rua parou”, conta Cláudio Rufino, filho do fundador, responsável por administrar o negócio ao lado dos irmãos.
A empresa começou a estruturar uma rede de franquias em 2022, após integrar o Grupo Impettus, holding de franquias de bares e restaurantes. Hoje, são dez unidades em funcionamento entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 2025, o faturamento fechou em R$ 15 milhões. Para este ano, a expectativa é crescer 20%, com foco no fortalecimento da marca e na abertura de novas lojas.Do balcão ao próprio negócio
Nascido no Ceará, Antônio viajou para uma cidade grande com o sonho de crescer. Seu primeiro destino foi Brasília, onde participou das obras de construção da capital do Brasil. Na década de 1960, seguiu para o Rio de Janeiro, onde construiu sua trajetória profissional.
Ele intercalava dois empregos: pela manhã, fazia faxina e lavava louças na Taberna Azul. À noite, dedicava-se ao Café Lamas.
“Na Taberna Azul, ele começou como faxineiro, depois garçom e, após quase dez anos de casa, chegou ao cargo de gerente. Foi ali, com toda essa experiência que acumulou dentro do restaurante, que começou a pensar em montar o próprio negócio”, diz Cláudio.
Naquele momento, não conseguiu realizar o desejo. Passou por buffets, eventos e hotéis. “Ele se especializou na qualidade e no atendimento, com experiência em hotéis e casas de luxo do Rio de Janeiro.”
Tentou empreender pela primeira vez ao lado dos irmãos, mas a sociedade não deu certo. Em 2016, criou o Buteco Original, em Freguesia, bairro onde morava.
“Ele conseguiu um imóvel bom, em uma rua tranquila, e abriu a primeira loja junto com o meu irmão mais novo. Ele acompanhou toda a montagem do espaço, desde a obra até a decoração, cuidando de cada detalhe. Quando inaugurou, a rua parou. Foi realmente um acontecimento no bairro”, lembra Cláudio.
Seu Rufino trabalhava todos os dias no bar, cuidando de perto do atendimento e da recepção aos clientes. Quem era freguês o conhecia.
“Pediamos para ele ir para casa, mas ele sempre respondia: ‘Não, deixa que eu fico aqui’. O trabalho era uma parte muito importante da vida dele. Tanto que escolheu o dia 1º de maio, Dia do Trabalho, para se casar”, diz o filho. “Graças a Deus, os filhos também puxaram essa veia trabalhadora dele e de honestidade. Então, isso aqui é o mais importante, essa é a principal herança que nós herdamos do velho”, completa.
Desde o início, a proposta gastronômica do negócio esteve ligada ao boteco tradicional, com pratos populares e receitas de memória afetiva. Mas o grande diferencial, segundo Cláudio, sempre foi o atendimento.
“Ele sempre dizia para os clientes: ‘Aqui é a nossa família servindo a sua família’. Essa frase virou o nosso lema e hoje está presente em todas as lojas”, afirma.
Dos processos manuais à expansão
A dedicação de Antônio ao trabalho sempre se destacou, mas ele era firme em algumas decisões. Seu plano inicial era manter apenas um boteco de bairro, com atendimento próximo e uma relação de acolhimento com os clientes. Os filhos, que começavam a participar da gestão, enxergavam um potencial maior para o negócio.
Cláudio entrou na operação quando percebeu que o pai e o irmão precisavam de apoio para modernizar a gestão. Na época, os processos ainda eram bastante manuais: “Era tudo no papelzinho”, como ele lembra. A chegada dele marcou uma nova fase, com a implementação de novos sistemas e uma estrutura mais organizada.
Com a operação mais estruturada, a família abriu a segunda unidade, na Olegário Maciel, na Barra da Tijuca. A nova loja mostrou que a experiência construída na primeira casa poderia ser replicada em outros endereços, sem perder o principal valor deixado por Antônio: a proximidade com o cliente. A partir dali, os filhos começaram a enxergar a possibilidade de transformar o negócio familiar em uma marca maior.
A unidade da Olegário Maciel, na Barra da Tijuca, foi inaugurada após a primeira operação em Freguesia e ajudou a consolidar o padrão da marca antes da expansão por franquias (Divulgação)
A pandemia acelerou a necessidade de mudanças. Acostumada a uma relação próxima e presencial com os clientes, a operação precisou se adaptar ao novo cenário e incorporar canais como o delivery, que passou a fazer parte da estratégia da marca.
O período também marcou uma transição na liderança do negócio. Aos 80 anos, Antônio reduziu a rotina na operação, permitindo que os filhos assumissem a condução da empresa.Após esse processo de reorganização, a família deu um novo passo para transformar o negócio em uma rede. Em 2022, o Buteco Original se uniu ao Grupo Impettus. A parceria trouxe uma nova estrutura de gestão, com criação de manuais, padronização de processos e preparação para o modelo de franquias.
A mudança também veio acompanhada de uma homenagem ao fundador: o Buteco Original passou a se chamar Buteco Seu Rufino. Para a família, manter o nome do patriarca na marca ajudou a preservar sua história e transformar o legado construído por ele em parte da identidade da rede.
A homenagem ajudou a transformar a história da família em parte da experiência do cliente. Fotografias do fundador e da mãe dos sócios aparecem nas unidades, enquanto algumas receitas dela também foram incorporadas ao cardápio.Após o falecimento de Antônio há dois anos, os filhos seguiram na condução do negócio e seguem mantendo vivo os valores do pai.
Franquias e próximos passos
Na expansão, o desafio era transformar uma operação construída de forma familiar em um modelo replicável, sem perder a proximidade da marca. Para isso, foram criados manuais, padrões de atendimento e processos operacionais.
As primeiras lojas foram no Rio de Janeiro e, depois, a marca chegou ao estado de São Paulo. “É um lugar que curte muito a vida do carioca. Muitos bares paulistas são inspirados no carioca, então a recepção com o nosso boteco não foi diferente”, afirma.
A expansão prioriza os mercados do Rio de Janeiro e São Paulo, estratégia pensada para manter o acompanhamento próximo das novas unidades e preservar a experiência do cliente. “Não é só abrir uma loja, é acompanhar essa loja de perto e manter a qualidade”, diz.
O Grupo Impettus coloca consultores para visitar as unidades e apoiar os franqueados. A ideia é ampliar a área de atuação conforme a rede ganhar escala, em vez de abrir lojas em diferentes estados sem uma estrutura de acompanhamento.
Após chegar a R$ 15 milhões em 2025, a meta é crescer 20%. A expansão de unidades não será a única frente para tentar alcançar a meta. A rede também aposta em campanhas comerciais ao longo do ano para aumentar o movimento nas lojas e estimular a recorrência dos clientes.
Uma das principais ações de 2026 está ligada ao Dia dos Pais. Clientes que consumirem mais de R$ 200 nas unidades podem participar de um sorteio de um barril de chope para consumo em casa. A campanha dura durante o mês de agosto.
O próximo desafio do Buteco Seu Rufino é equilibrar crescimento e identidade. Com a expansão por franquias, a família busca levar o modelo criado por Antônio a novos mercados, mantendo a experiência que consolidou a marca entre os clientes.
