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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
20/10/2026
6 min

Ele criou um canal de YouTube com R$ 50 mil, atraiu Rony Meisler e agora mira R$ 100 milhões

Com mais de 1 bilhão de visualizações, o Canal Foco recebeu investimento da Rebels e prepara novos programas, aquisições e produtos próprios para crescer em 2027

Ele criou um canal de YouTube com R$ 50 mil, atraiu Rony Meisler e agora mira R$ 100 milhões
RESUMO +

O Canal Foco, empresa de entretenimento criada em 2023 com R$ 50 mil, recebeu um aporte de valor não revelado da Rebels Ventures, empresa de investimentos de Rony Meisler. Após superar 1 bilhão de visualizações, o canal de YouTube projeta receita de até R$ 45 milhões em 2027 e mira R$ 100 milhões em 2028.

Quem acompanha o YouTube já deve ter esbarrado em algum vídeo com uma pessoa tentando convencer outras 30 sobre um assunto polêmico. Os cortes circulam pelo TikTok, Instagram e outras redes sociais, acumulam milhões de visualizações e, muitas vezes, fazem mais sucesso do que os próprios participantes.

Por trás de parte desses vídeos está o Canal Foco, uma empresa de entretenimento criada em 2023 com apenas R$ 50.000. O negócio já ultrapassou 1 bilhão de visualizações e tem uma particularidade: nenhum dos fundadores precisa aparecer diante das câmeras para atrair audiência. O segredo está nos formatos dos programas.

A estratégia chamou a atenção de Rony Meisler, fundador da Reserva, que acaba de investir no canal por meio da Rebels Ventures, sua empresa de investimentos. O valor do aporte não foi revelado.A aposta é transformar o Canal Foco em uma espécie de emissora de televisão do YouTube, com programas próprios, novos canais e até produtos vendidos diretamente aos espectadores.

"Nosso objetivo é ser uma mistura de Silvio Santos e Endemol", afirma Daniel Levy, CEO do Canal Foco.

A referência não é por acaso. O empresário quer combinar a capacidade de vender produtos para uma audiência fiel, como fazia Silvio Santos, com o modelo de criação e licenciamento de programas da produtora responsável por formatos como o Big Brother.

A ambição tem números. Para 2027, o Foco projeta faturar entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões apenas com publicidade, podendo chegar a R$ 45 milhões de reais se conseguir vender todas as cotas de patrocínio. Em 2028, a meta é alcançar R$ 100 milhões. O desafio será transformar vídeos virais em uma programação capaz de atrair espectadores e anunciantes de forma recorrente.

Como surgiu o Canal Foco

A história começou em 2023, quando Daniel Levy e seus sócios perceberam uma oportunidade no mercado de entretenimento digital. Enquanto boa parte dos criadores apostava em vídeos curtos, o grupo decidiu investir em conteúdos longos, com debates e experimentos sociais, e usar pequenos trechos para atrair espectadores nas redes.

A aposta funcionou logo nos primeiros vídeos. Um deles, que colocou um ex-presidiário e um sargento da Polícia Militar em uma dinâmica de verdade ou consequência, alcançou cerca de 7 milhões de visualizações.

Mas foi com o formato 1x30, em que uma pessoa enfrenta outras 30 em um debate, que o canal ganhou projeção. Hoje, é a principal atração do Foco e também a inspiração para diversos programas semelhantes que surgiram nas redes.

O crescimento aconteceu com uma estrutura enxuta. Os fundadores investiram 50.000 reais para começar e conseguiram uma produtora a trabalhar em troca de participação societária.

Segundo Levy, o Foco registra lucro desde o início. Atualmente, mantém uma equipe fixa de aproximadamente 10 a 15 pessoas e contrata profissionais de produção conforme a demanda.

Por que Rony Meisler decidiu investir no canal

A aproximação com Meisler começou por causa de outro programa do Foco, o Os Caras do Pix, uma atração de empreendedorismo que mistura negócios e entretenimento.

Levy procurava empresários para participar da bancada e convidou o fundador da Reserva. Meisler aceitou participar do projeto e, durante as conversas, conheceu melhor o modelo de negócios do canal.

Naquele momento, o Foco já negociava a entrada de investidores. A escolha pela Rebels veio da possibilidade de ter um sócio que, além de aportar recursos, ajudasse a desenvolver novos produtos e abrir portas comerciais.

"A gente gosta, como investidores, de encontrar pessoas que não precisam da gente como investidor, que se sustentam sozinhas", afirma Meisler.

Criada em 2025, a Rebels nasceu com a proposta de investir em empresas nas quais seus sócios também possam participar da construção do negócio.

Entre as apostas já anunciadas estão a Norte Media, dona de um portfólio que inclui a marca de suplementos Guday; a Blank, especializada na presença digital de executivos; a marca de alimentos Dane-se; e a rede de academias The Simple Gym.

O Foco entra nessa carteira como uma aposta no mercado de mídia e entretenimento, com uma vantagem de ter uma audiência própria que pode ser utilizada para distribuir novos produtos.

A participação de Meisler também envolve reuniões estratégicas, desenvolvimento de programas e aproximação com anunciantes. Uma das primeiras mudanças foi a contratação de Gustavo Lerner, executivo que passou quase 25 anos na área comercial da Globo e agora assume a geração de receitas do canal.

Apesar da entrada do investidor, Levy afirma que os fundadores continuam responsáveis pelas decisões editoriais e pela escolha dos conteúdos.

Como o Canal Foco quer virar uma 'emissora de televisão'

O modelo que levou o Foco ao primeiro bilhão de visualizações tem uma limitação. Atualmente, o canal publica aproximadamente um vídeo por semana, o que restringe o número de espaços comerciais disponíveis para os anunciantes.

Para faturar mais, a empresa precisa aumentar a produção sem transformar cada episódio em uma sequência de propagandas.

A solução encontrada foi criar uma grade de programação, semelhante à de uma emissora de televisão, com atrações voltadas a diferentes públicos.

"É mais fácil vender para o anunciante quando a gente tem um conteúdo com uma audiência mais qualificada", afirma Levy.

Para 2027, o Foco prepara atrações de negócios, gastronomia, música e bem-estar. Os primeiros pilotos estão sendo desenvolvidos ainda em 2026, enquanto a equipe negocia patrocínios para as próximas temporadas.

Com a ampliação da programação e a venda de todas as cotas comerciais, a receita pode chegar a R$ 45 milhões em 2027.

Os planos para comprar canais e vender produtos próprios

A ambição do Foco vai além de produzir mais vídeos. A empresa também negocia participações em outros canais do YouTube e pretende desenvolver formatos que possam ser licenciados para emissoras e plataformas de streaming.

A lógica é semelhante à dos grandes grupos de televisão, que controlam diferentes emissoras e atrações. Ao criar um formato próprio, o Foco passa a deter uma propriedade intelectual, ou seja, os direitos sobre aquele programa, que pode ser reproduzido em outros mercados.

Outra frente será transformar espectadores em consumidores.

Hoje, a principal fonte de receita do canal é a publicidade. Levy, porém, acredita que depender exclusivamente dos anunciantes pode comprometer a experiência de quem assiste aos vídeos.

A empresa estuda desenvolver produtos próprios em parceria com companhias que já dominam a fabricação e a operação comercial. O Foco entraria com a marca e a distribuição para sua audiência, enquanto o parceiro ficaria responsável pelo produto.

Também estão nos planos o comércio integrado aos vídeos, o licenciamento de formatos e a realização de eventos presenciais ligados às gravações.

A meta de chegar a R$ 100 milhõe em receita em 2028 depende justamente dessa diversificação. Afinal, transformar um vídeo em sucesso de audiência é uma coisa. Fazer milhões de espectadores comprarem produtos, acompanharem novos programas e criarem uma relação duradoura com uma marca será o próximo teste do Foco.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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