Ele decidiu conectar indústria e lojistas por meio de lives e agora deve movimentar R$ 1 bilhão

A digitalização das vendas entre indústria e varejo ainda ainda enfrenta burocracias e demoras. De olho nesse cenário, Rafael Belmonte e Daniel Arcoverde apostaram em umlive commerce que conecta indústria e pontos de venda.
A empresa nasceu fazendo shows online de cantores e pivotou ao longo dos anos. A estratégia de lives para o B2B foi criada há menos de dois anos e já virou o carro-chefe da empresa.
A vertical responde por cerca de 50% das receitas da empresa e deve movimentar mais de R$ 1 bilhão em transações em 2026. Até agora, a plataforma já gerou mais de R$ 230 milhões em vendas por meio desse formato.
O foco é acelerar a expansão em segmentos como farmacêutico, cosméticos, alimentos e bebidas e autopeças. A expectativa da companhia é mais do que dobrar o faturamento neste ano, impulsionada pelo crescimento da nova frente de negócios.
Um TCC que virou empresa
Belmonte se formou em Administração na Fundação Getulio Vargas (FGV) com um objetivo definido: empreender. Antes da Netshow.me, acumulou experiências em negócios próprios, incluindo empresas que vendeu e outras que não deram certo.
A ideia da atual companhia surgiu ainda na faculdade. O plano de negócios desenvolvido como trabalho de conclusão de curso acabou se transformando na empresa que ele comanda até hoje.
Antes de mergulhar no projeto, o empreendedor passou três anos em um fundo de investimentos, experiência que ajudou a entender como gerir empresas com capital de terceiros e ganhar confiança para iniciar o negócio.
Em 2013, ao lado de Daniel Arcoverde, lançou a Netshow.me para possibilitar que artistas realizassem shows online e recebessem contribuições dos fãs. A aposta antecipava um comportamento que se popularizou durante a pandemia.
"Tudo o que você viu acontecer com os shows online na pandemia a gente fazia em 2013", afirma Belmonte.
A empresa realizou mais de 5 mil transmissões, mas encontrou um obstáculo comum a negócios que chegam cedo demais ao mercado: a demanda ainda não existia em escala suficiente.
Quando o mercado não está pronto
A tecnologia usada para transmissões de shows se manteve a mesma, mas a Netshow.me passou a atender empresas.
A primeira solução vendida no novo modelo foram plataformas de vídeo para treinamento, comunicação interna e engajamento de colaboradores.
A empresa criou ambientes próprios de conteúdo para grandes companhias, em um modelo que Belmonte costuma comparar a um “Netflix corporativo”.
"Se a Netshow.me chegou aos 12 anos não foi porque insistimos na mesma ideia. Foi porque aprendemos a ouvir o cliente, nos adaptar rápido e transformar a tecnologia para resolver problemas diferentes ao longo do caminho", afirma Belmonte.
Com o formato, a empresa atendeu mais de 300 clientes, mas seguia acompanhando as tendências do setor e uma delas chamou atenção: o live commerce, estratégia de vendas de marcas em plataformas como TikTok e Kwai que começava a ganhar espaço na China.
O live commerce para farmácias, franquias e lojistas
Em 2023, a companhia adquiriu a LiveCo, empresa especializada em tecnologias para live commerce. “A aquisição trouxe a escala tecnológica necessária para transformar o live commerce em uma frente relevante de negócios e ampliar nossa atuação no mercado corporativo", afirma Belmonte.
A empresa passou a organizar e produzir as lives — em redes sociais ou plataforma própria da marca — para vendas ao consumidor final.
Mas uma demanda dos clientes abriu uma oportunidade maior. “A relação entre indústria e lojistas de visitas presenciais e contatos fragmentados era uma reclamação que chegava dos nossos clientes”, diz.
A Netshow.me começou a ofertar transmissões das indústrias para as suas redes de franquias, distribuidores e pontos de venda. O objetivo é permitir que os parceiros realizem pedidos durante a transmissão.
Um dos exemplos citados pelo executivo envolve a indústria farmacêutica. Em vez de depender exclusivamente de visitas comerciais, fabricantes conseguem reunir centenas de farmácias em uma única transmissão para apresentar lançamentos, explicar estratégias comerciais e receber pedidos em tempo real.
A EMS é uma das empresas que utilizam o modelo. Segundo Belmonte, algumas transmissões reúnem até 900 donos e gestores de farmácias.
O formato ainda funciona como ferramenta de treinamento para os pontos de venda. "Muitas vezes o vendedor tem dificuldade porque a malha de farmácias é muito capilarizada. A live permite ampliar contato, aumentar pedidos e educar", afirma.
Apesar do crescimento acelerado, convencer empresas a adotar um novo canal de vendas continua sendo uma das principais barreiras.
A estratégia tem sido utilizar os próprios clientes como vitrine. Casos de sucesso em setores como cosméticos, farmacêutico e bens de consumo ajudam a reduzir a resistência de empresas mais conservadoras. Entre os clientes citados pela companhia estão EMS, Grupo SC, L'Oréal, Fini e O Boticário.
Rumo a R$ 1 bilhão em transações
O live commerce B2B se tornou o principal produto da empresa em 18 meses. A divisão responde por metade da receita da Netshow.me. Enquanto a “Netflix das empresas” corresponde a 40%.
A expectativa para 2026 é concentrar investimentos na expansão do live commerce B2B.
A meta é superar R$ 1 bilhão em vendas movimentadas por meio da plataforma e ampliar a presença em segmentos onde a empresa já encontrou maior aderência, como farmacêutico, cosméticos, alimentos e bebidas e autopeças.
