Ele decolou há 20 anos, celebra em 2026 o 'voo de cruzeiro' e mira R$ 2 bi
À frente da Rôgga, construtora catarinense com R$ 10,5 bilhões em banco de terrenos, Vilson Buss aposta em tecnologia, governança e expansão até 2030

Concreto, aço e tijolos sempre representaram apenas uma parte dos negócios de Vilson Buss. Desde que fundou a Rôgga Empreendimentos, em Joinville, o empresário mirou para além das paredes e dos edifícios.
Seu foco, como gosta de definir, é "melhorar o habitat humano". Mas, em 2026, quando a construtora celebra 20 anos, Buss recorre à aviação para traduzir o momento da empresa: "alcançamos o voo de cruzeiro".
Isso não significa, porém, que seja hora de desafivelar o cinto de segurança. Afinal, os juros continuam nas alturas, há novos mercados no horizonte e um próximo destino já traçado: superar R$ 2 bilhões em lançamentos anuais até 2030.
Pelo segundo ano consecutivo, a companhia trabalha com três indicadores em patamares semelhantes. Para 2026, projeta R$ 1,3 bilhão em lançamentos, R$ 1,2 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV) líquido e R$ 1,2 bilhão em Receita Operacional Líquida (ROL).
A empresa combina industrialização, diversificação de produtos e governança corporativa. Conta ainda com um banco de terrenos de R$ 10,5 bilhões, considerando o potencial estimado de vendas dos futuros empreendimentos.
Segundo o ranking Melhores e Maiores 2026, da EXAME, a construtora registrou receita de R$ 1,14 bilhão e lucro líquido de R$ 191 milhões em 2025, com avanço de 24,5% na receita em relação ao exercício anterior.
Em entrevista à EXAME, Buss atribui os resultados ao planejamento e à tecnologia, mas faz questão de destacar o propósito que acompanha a empresa desde sua fundação. "Tudo nasce do propósito que colocamos de melhorar o habitat humano, buscando a melhoria contínua da empresa pela geração de produtos", afirma.
DNA industrial
Uma das decisões que marcaram a trajetória da Rôgga foi incorporar processos industriais a uma atividade tradicionalmente concentrada nos canteiros de obras.No Perini Business Park, em Joinville, a companhia mantém uma unidade fabril responsável pela produção de componentes de concreto desenvolvidos especificamente para seus edifícios. A tecnologia permite transferir parte das etapas construtivas para um ambiente industrial, com maior controle de custos, produtividade e padronização.
A empresa também possui uma estrutura própria de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), dedicada ao aperfeiçoamento dos métodos de construção.Segundo os números atualizados apresentados por Buss, a Rôgga mantém 25 empreendimentos simultâneos em construção, aproximadamente 80 torres e 6.515 apartamentos em execução.
Administrar essa operação exige planejamento de fornecedores, logística, mão de obra e cronogramas. Nesse cenário, a industrialização tornou-se parte central da competitividade da companhia.
Outra característica do negócio é a atuação em dois segmentos do mercado imobiliário. Buss utiliza o conceito de "ambidestria" para explicar a estratégia das divisões Easy e Prime.
A primeira concentra empreendimentos do segmento econômico, enquanto a segunda atua no mercado de maior padrão. O modelo permite atender diferentes perfis de consumidores e reduzir a dependência de uma única faixa de renda.
Próximo destino
A presença da Rôgga no Litoral Norte catarinense começou a ganhar força em 2009, com a aposta no conceito de home club em Penha. A ideia era transformar o apartamento de praia, tradicionalmente associado às férias de verão, em uma opção de moradia permanente, com infraestrutura de lazer para utilização durante todo o ano.
O modelo acompanhou a chegada de compradores de outros estados, especialmente de São Paulo e Curitiba, movimento também impulsionado pelo trabalho remoto e pela valorização imobiliária da região. Em 2024, um episódio surpreendeu até mesmo Buss: a primeira das quatro torres do Landscape Home Club, em Penha, foi comercializada em apenas oito horas, segundo o empresário.
Por trás dos resultados comerciais está uma estrutura de gestão que começou a ser organizada quando a empresa ainda dava seus primeiros passos. A Rôgga adotou auditoria externa no segundo ano de atividades e, posteriormente, instituiu um conselho consultivo independente. Atualmente, quatro dos cinco integrantes do conselho de administração são independentes, e o próprio fundador não ocupa assento no colegiado.
Outro princípio mantido desde a origem é a comercialização de imóveis na planta, evitando a formação de estoques de unidades prontas. A estratégia exige disciplina financeira, planejamento das vendas e controle do fluxo de caixa. Em duas décadas, a construtora já atendeu mais de 16 mil famílias.
Com operações em Joinville, Jaraguá do Sul, Penha, Balneário Piçarras, Barra Velha, Itapoá e Itajaí, a companhia prepara agora uma nova etapa. O planejamento prevê ampliar seu raio de atuação para aproximadamente 200 quilômetros a partir de Joinville, com Florianópolis, Blumenau e Curitiba entre os mercados considerados.
O desafio é avançar em um cenário de crédito caro. Na avaliação de Buss, o Brasil precisaria alcançar juros reais entre 4% e 5% ao ano, acompanhados de ajustes fiscais estruturais, para estimular os investimentos. Mesmo diante desse ambiente, a empresa registrou alta de 14,7% nas vendas líquidas no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Aos 20 anos, o empresário tem pela frente uma missão diferente daquela de quando fundou a Rôgga: preservar a eficiência de uma operação bilionária enquanto prepara a companhia para novos mercados. E, pelo visto, o céu ainda não é o limite.
