Ele deixou o Brasil aos 18 anos e foi pedreiro na Espanha. Hoje tem construtora de milhões nos EUA

"Meu sonho era ser jogador de futebol. A construção civil apareceu por acaso e acabou mudando toda a minha vida”, diz o empresário brasileiro Douglas Strabellil, dono da Sagewood, construtora e incorporadora criada nos Estados Unidos.
A história de Strabelli com o ramo da construção aconteceu no começo da década de 90, quando aos 18 anos o paranaense, natural de Maringá, embarcou sozinho para Madrid, na Espanha, disposto a perseguir uma carreira nos gramados. O plano era defender um clube das divisões inferiores do futebol espanhol e construir uma vida na Europa.
"Quando cheguei, vi que os jogadores não eram tão bons quanto eu imaginava e comecei a me destacar", diz.
Mas, entre um treino e outro, precisava trabalhar para pagar o aluguel. Por isso, foi preciso encontrar um emprego e a primeira oportunidade foi para ser pedreiro. Depois virou pintor, supervisor de obras e, sem perceber, descobriu um setor que despertava nele a mesma ambição que antes depositava no esporte.
"O futebol era meu objetivo, mas quando conheci a construção civil, percebi que ali existia uma oportunidade enorme de crescer", afirma o empresário.
Em poucos anos, Strabelli deixou de ser funcionário para abrir sua própria construtora na Espanha. O negócio prosperou durante cinco anos, mas uma inquietação permanecia: queria construir algo maior. Foi então que decidiu trocar a Europa pelos Estados Unidos, atrás do chamado sonho americano.
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O sonho americano começou com uma quebra
Nova York, no entanto, não foi o recomeço que ele imaginava.
Ao chegar aos Estados Unidos, em 2001, Strabelli decidiu abandonar temporariamente a construção civil. Investiu todas as economias em um restaurante, acreditando que aquele seria seu novo caminho. O negócio fracassou.
"Quebrei. Perdi praticamente tudo”, conta.
Foi um dos momentos mais difíceis da trajetória. Sem dinheiro e precisando recomeçar, voltou ao único mercado que realmente conhecia: as obras.
Aceitou trabalhar sem salário para um empresário brasileiro do setor de reformas. O objetivo era simples: aprender como funcionava o mercado americano – o risco valeu a pena.
Em pouco tempo, assumiu funções de liderança. Depois virou sócio. Sob sua gestão, a empresa saiu de três funcionários para cerca de 50 profissionais em quatro anos.
Foi essa experiência que lhe deu confiança para fundar, em 2001, a Sagewood Corporation, companhia especializada em construção e incorporação de imóveis de alto padrão.
O nome da empresa, segundo o empresário, foi escolhido pelo sócio na época e traduz a filosofia do negócio. "Sage" significa sabedoria. "Wood", madeira.
Hoje, 25 anos depois, a empresa atua em projetos residenciais e comerciais de luxo e projeta faturar US$ 100 milhões até o fim de 2026, quatro vezes mais que os cerca de US$ 25 milhões registrados em 2025.
Da Nova York à Flórida: por que o mercado mudou
Embora Nova York tenha sido o ponto de partida da empresa, foi a Flórida que se transformou no principal eixo de crescimento da Sagewood.
O movimento acompanha uma mudança que vem redesenhando o mapa dos negócios nos Estados Unidos. Nos últimos anos, empresários, investidores e famílias de alta renda migraram para estados como Flórida e Texas, atraídos por menor carga tributária, ambiente regulatório mais favorável e crescimento populacional acelerado.
Para Strabelli, essa transformação criou uma demanda crescente por empreendimentos de luxo.
"A Flórida deixou de ser apenas um destino de férias. Hoje é um destino de patrimônio. E, para quem constrói imóveis de alto padrão, é onde as oportunidades estão."
Entre os projetos mais emblemáticos da empresa está a construção de um empreendimento na Quinta Avenida, em Nova York, um dos endereços mais valorizados do mundo, além de condomínios, hotéis e mansões de luxo na Flórida.
Casa de 40 milhões de dólares em Miami, na Flórida (Sagewood/Divulgação)
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A política de imigração nos EUA
Mesmo com o endurecimento das políticas de imigração do presidente Donald Trump, Strabelli afirma que quem chega aos Estados Unidos para investir, empreender ou gerar empregos continua encontrando espaço.
“As regras migratórias ficaram mais rígidas, mas isso não diminuiu o interesse de empresários e investidores. Pelo contrário: quem consegue entrar no mercado americano continua vendo na Flórida um dos melhores ambientes para fazer negócios."
Embora a demanda por imóveis de alto padrão continue aquecida, Strabelli afirma que a política migratória dos Estados Unidos mudou a forma como as empresas contratam na construção civil. Segundo ele, a Sagewood passou a concentrar as contratações em profissionais com documentação regular e oriundos de mercados considerados mais seguros.
"A imigração ficou mais restritiva e isso exige mais planejamento. Hoje buscamos profissionais que chegam por canais legais e de países considerados seguros. Dessa forma conseguimos manter a operação estável e crescer com segurança."
Expansão e planos para o Brasil
A estratégia agora é ampliar a presença da Sagewood dentro e fora dos Estados Unidos.
Além do crescimento acelerado previsto para 2026, muito focodo nas construções em Miami, a empresa também busca fortalecer operações no Brasil, especialmente por meio de parcerias, investimentos e novos projetos ligados ao mercado imobiliário de alto padrão.
"O Brasil continua sendo um mercado estratégico para nós. Existe muito espaço para conectar investidores brasileiros às oportunidades que estamos desenvolvendo nos Estados Unidos", afirma o executivo.
O foco, no entanto, segue sendo a Flórida para o brasileiro.
"Quando cheguei aos Estados Unidos, queria apenas recomeçar. Hoje vejo a Flórida se transformar em um dos principais centros de negócios do mundo. Crescer junto com essa mudança é o que nos faz acreditar que o melhor ainda está por vir”, afirma.
O avanço da Sagewood acompanha um movimento mais amplo de migração de empresas e investimentos para a Flórida. Segundo a Florida Chamber Foundation, o estado liderou os Estados Unidos em relocação de empresas em 2025, com saldo líquido de 503 companhias transferindo operações para o estado. No mesmo período, foram abertas mais de 47 mil novas empresas apenas em janeiro, impulsionadas por um ambiente de negócios favorável, ausência de imposto estadual sobre renda e políticas voltadas à atração de investimentos.
