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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
07/09/2026
6 min

Ele encontrou um negócio milionário na economia de água — e sua empresa cresceu 85% em um ano

Criada em 2018, T&D Sustentável saltou de R$ 2,26 milhões para R$ 4,19 milhões em receita operacional líquida e ficou em segundo lugar em sua categoria no Negócios em Expansão 2026

Ele encontrou um negócio milionário na economia de água — e sua empresa cresceu 85% em um ano

Em 2018, quando Pedro Vitali decidiu abrir uma empresa, o negócio era formado por uma ideia que ainda precisava ser testada. “Fui naC&A, comprei duas camisas, mandei bordar uma logo que a gente criou e fui vender uma coisa que meio que nem existia direito”, relembra Vitali.

O primeiro contrato veio de um hospital em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. O segundo, de um cliente em Vila Velha, no Espírito Santo. Depois vieram o terceiro, o quarto e o quinto.

O que começou pequeno se transformou em uma empresa com 106 funcionários e unidades espalhadas pelo país. Em 2025, a T&D Sustentável registrou R$ 4,19 milhões em receita operacional líquida, ante R$ 2,26 milhões no ano anterior. O crescimento de 85,4% colocou a companhia de Macaé, no norte fluminense, na segunda posição da categoria de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões do Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026.

A explicação para o crescimento passa por um modelo relativamente simples de entender: a T&D entra em grandes empresas para reduzir o consumo e os custos relacionados à água, banca os recursos necessários para o projeto e é remunerada de acordo com a eficiência que consegue gerar.

“A proposta da T&D é trabalhar com economia de água. Então a gente traz a premissa de ter sustentabilidade com ROI, com retorno sobre o investimento”, afirma Vitali.

Da engenharia química ao primeiro cliente

A história da empresa começou anos antes de sua fundação. Natural de Colatina, no Espírito Santo, Vitali estudou engenharia química na Universidade Federal do Espírito Santo. Em 2015, ainda durante a graduação, conseguiu um estágio de seis meses na China. Voltou ao Brasil no ano seguinte e se mudou para Macaé em busca de uma oportunidade no mercado de óleo e gás.

Enquanto tentava entrar no setor, trabalhou como auxiliar de escritório e ajudou um amigo que mantinha uma loja. Foi nesse período que conheceu Camilo, com quem dividia uma república.

A ideia do negócioapareceu a partir de um problema bastante cotidiano: a conta de água do prédio onde moravam.

Vitali também observava a questão no trabalho de administração de condomínios. Os dois começaram a pensar em possíveis soluções, perceberam que algumas intervenções poderiam gerar retorno financeiro e descobriram que já existiam empresas trabalhando com conceitos semelhantes.

Em 21 de março de 2018, abriram o CNPJ da T&D. Sem investidores, a companhia foi construída em modelo bootstrap, financiando o crescimento com os recursos gerados pela própria operação.

A falta de dinheiro para contratar profissionais experientes também acabou moldando uma característica que Vitali hoje considera central na empresa: formar funcionários dentro de casa.

Em 2018 eram apenas os dois empregados. Hoje, são 106 funcionários, com idade média de 24 anos. Parte da equipe está na companhia há seis ou sete anos.

Como funciona o negócio

O foco da T&D está nos grandes consumidores urbanos de água. Entre os clientes mencionados por Vitali estão Rede D'Or, que ele aponta como o maior cliente da empresa, além de redes de supermercados e outros grupos da área de saúde.

Na prática, o trabalho começa pelo diagnóstico do consumo. A empresa analisa pontos como torneiras, chuveiros e vasos sanitários e faz ajustes para reduzir desperdícios sem necessariamente realizar grandes obras ou interromper a operação do estabelecimento. Em um hospital, por exemplo, a quantidade necessária de água em uma cozinha é diferente daquela demandada em um banheiro de visitantes.

Durante a implementação, a equipe também mapeia equipamentos deteriorados ou que podem apresentar problemas, realiza treinamentos com funcionários e acompanha continuamente as oscilações no consumo.

“Quanto de água entra, quanto de água sai e quais são as oscilações desse consumo”, resume Vitali ao explicar uma das etapas do serviço.

A T&D também atua na relação dos clientes com concessionárias, avaliando a estrutura tarifária e possíveis cobranças incorretas.

O ponto central do modelo está na forma de remuneração. Segundo Vitali, o cliente não precisa fazer o investimento inicial em pessoal, dispositivos e equipamentos usados no projeto. A T&D assume esses custos e recebe com base na eficiência alcançada.

Isso faz com que a sustentabilidade precise fechar também na planilha financeira.

“As nossas soluções têm como premissa base atender o critério ambiental, o critério social e também o critério financeiro. Tem que compor esse tripé”, diz.

Contratos de quatro anos ajudaram a puxar o crescimento

Outro componente importante para entender o salto de 85,4% está na recorrência.

Os contratos costumam ter duração de 48 meses. Em vez de executar uma intervenção e deixar o cliente, a T&D permanece acompanhando seu consumo e buscando novas oportunidades de eficiência.

O crescimento também ganhou força quando a companhia passou a atender grandes grupos empresariais com operações espalhadas pelo país. A entrada em uma unidade pode abrir caminho para dezenas ou centenas de outras.

Para acompanhar grandes clientes, a empresa expandiu sua presença para além de Macaé. Hoje há unidades em Campos dos Goytacazes, Niterói, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Campinas e São Paulo.

“Quando a gente começa a atender esse perfil de cliente, as portas se abrem para outros de porte parecido”, afirma.

Foi justamente essa expansão da base corporativa que, segundo o CEO, sustentou boa parte do avanço registrado no ranking. Os números mostram o tamanho do salto: a receita operacional líquida saiu de R$ 2,26 milhões em 2024 para R$ 4,19 milhões em 2025.

Uma equipe de seis pessoas só para IA

A tecnologiaganhou outra função dentro da estratégia da companhia.

Além de ferramentas disponíveis no mercado, a T&D está desenvolvendo uma inteligência artificial própria. Segundo Vitali, a companhia estava, no momento da entrevista, em fase final de aquisição de um servidor para o projeto e mantinha uma equipe de seis profissionais dedicada à aplicação de IA na empresa.

Uma das aplicações está diretamente ligada à água.

A empresa coleta dados sobre oscilações de consumo dos clientes. Com inteligência artificial, passou a processar essas informações e identificar correlações e possíveis desvios com mais rapidez.

“Hoje tem uma máquina que faz para a gente, aprende com isso”, diz Vitali.

A tecnologia também aparece no planejamento estratégico, na criação de documentos e no acompanhamento dos indicadores da própria companhia. Segundo o CEO, os principais indicadores do negócio já podem ser calculados em tempo real.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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