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NegóciosMPOL
29/08/2026
5 min

Ele era vendedor da Orthopride, vendeu o carro para abrir uma franquia e hoje fatura R$ 16 milhões

Vinícius Alves começou como promotor de vendas da Orthopride e passou por diferentes cargos antes de se tornar multifranqueado; para 2026, projeta faturar R$ 17,5 milhões

Ele era vendedor da Orthopride, vendeu o carro para abrir uma franquia e hoje fatura R$ 16 milhões

No primeiro mês como vendedor da Orthopride, o carioca Vinícius Alves perguntou qual era o recorde comercial da unidade. A marca a ser batida era de 53 vendas. Ele fechou 97.

O resultado abriu caminho para uma trajetória construída dentro da rede de clínicas de ortodontia. Alves foi promovido a supervisor, tornou-se gerente e depois gerente regional. Mais tarde, vendeu o carro para comprar uma participação na primeira franquia.

Cerca de oito anos depois de entrar na empresa, ele participa de dez operações. Juntas, elas faturaram mais de R$ 16 milhões em 2025. A projeção para este ano é alcançar R$ 17,5 milhões.

“Eu comecei a virar um recuperador de empresa”, diz Vinícius Alves.

Das dez operações, apenas uma foi aberta do zero. As demais já estavam em funcionamento e algumas enfrentavam dificuldades financeiras quando foram assumidas por Alves, que usou o conhecimento acumulado como vendedor e gestor da rede para reorganizá-las.

Agora, após uma sequência de aquisições, o multifranqueado decidiu interromper temporariamente a expansão. Antes de voltar às compras, quer formar gestores e reduzir a dependência das clínicas em relação à sua presença.

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Como ele passou de vendedor a gerente regional

Antes de chegar à Orthopride, Alves havia administrado um bar, vendido roupas, produzido salgados e prestado consultoria na área de refrigeração. Não tinha experiência com franquias nem com o setor de ortodontia.

A entrada na empresa ocorreu com um convite para uma vaga de supervisor, mas Alves começou como promotor de vendas, função que envolvia abordar clientes e vender tratamentos.

Na clínica, conheceu a história de uma funcionária que havia se tornado franqueada. A possibilidade de percorrer o mesmo caminho transformou a passagem pela empresa em um projeto de longo prazo.

“Desde o meu primeiro dia, decidi que iria crescer. Quando percebi que existia a possibilidade de me tornar franqueado, transformei isso em objetivo”, diz Alves.

A primeira promoção veio após um mês. Alves passou a supervisor, tornou-se gerente oito meses depois e chegou ao cargo de gerente regional após mais seis meses. Permaneceu cerca de quatro anos nessa posição.

A venda do carro para comprar a primeira franquia

A oportunidade de se tornar empresário surgiu por meio de um franqueado para quem Alves já prestava serviço. A proposta inicial era uma sociedade participativa, na qual ele teria direito a uma parcela do lucro sem precisar investir recursos próprios.

Alves recusou o formato. Queria comprar sua participação e assumir também o risco do negócio.

Ele vendeu o veículo e parcelou o restante do valor. A compra também exigiu uma mudança na vida pessoal. O empresário estabeleceu um limite mensal de R$ 4.000 para as próprias despesas e passou a guardar tudo o que recebia acima desse valor.

“Eu ganhava mais que isso, mas vivia com quatro e guardava o restante”, diz.

O dinheiro acumulado permitiu a entrada em outra unidade no mês seguinte. Alves manteve o teto de gastos pessoais para financiar as aquisições seguintes.

Recuperar clínicas virou estratégia de expansão

O crescimento não ocorreu principalmente pela abertura de endereços. Nove das dez operações já estavam em funcionamento quando Alves entrou. Algumas enfrentavam problemas de gestão e caixa.

Uma delas havia usado R$ 150.000 do cheque especial quando o negócio foi oferecido a ele. Ainda assim, decidiu assumir a operação.

“A unidade não estava bem, estava virada no cheque especial, R$ 150.000. Eu falei: ‘Eu topo. No ruim, no ruim, eu volto para onde eu estava’”, diz.

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Segundo Alves, a clínica voltou a registrar resultado positivo em três meses. O caso ajudou a consolidar um método repetido nas aquisições posteriores: assumir unidades existentes, identificar os gargalos e reorganizar a operação.

A passagem por diferentes cargos dentro da Orthopride tornou-se uma vantagem nesse processo.

“Eu nasci na marca. Sei sentar em todos os setores e exercer a função. Ter um franqueado que trabalhou de fato como funcionário é diferente”, afirma.

Atualmente, Alves participa de operações em Araruama, São Pedro da Aldeia, Alcântara, Copacabana, Bonsucesso, Madureira, Miguel Couto e Bangu, no Rio de Janeiro.

O desafio de crescer sem perder o controle

O modelo de multifranqueado é comum na Orthopride. Segundo a rede, 70% dos franqueados administram mais de uma clínica. A companhia projeta superar R$ 370 milhões em faturamento em 2026.

O movimento também aparece no mercado brasileiro. Levantamento da Associação Brasileira de Franchising, a ABF, mostra que a presença de multifranqueados nas redes passou de 83%, em 2022, para 87%, em 2024.

“Você já conhece os processos, a estrutura e a operação. O que muda são as características de cada localidade”, diz Alves.

A familiaridade com o negócio facilita a replicação do modelo, mas o aumento do número de unidades torna a gestão mais complexa. Por isso, Alves não abriu nenhuma clínica em 2026. A última inauguração ocorreu no ano passado.

“É muito difícil crescer organizado. Você cresce, desorganiza tudo e se reorganiza para crescer de novo”, diz.

O foco agora está na formação de profissionais capazes de conduzir as clínicas sem depender diretamente dele. “Meu sonho é construir novos Vinícius”, afirma.

Depois dessa reorganização, Alves pretende retomar a expansão em cidades do litoral, embora ainda não haja unidades anunciadas.

“Não adianta a pessoa só ter vontade e não ter disposição para fazer. Existem dois perfis de franqueado: o investidor e o operacional. O investidor tem que procurar alguém com disposição”, afirma.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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