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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
05/10/2026
6 min

Ele fundou uma clínica para tratar a calvície da família e agora fatura R$ 18 milhões

Fundado em 2017, o Centro Médico Capilar começar a aposta no modelo de franquias para ampliar a atuação e prevê novas unidades em outras capitais brasileiras

Ele fundou uma clínica para tratar a calvície da família e agora fatura R$ 18 milhões

Os tios de João Gabriel Nunes sofriam com calvície e viram no sobrinho, formado em medicina, a possibilidade de mudar a situação. “Era uma época em que existiam duas possibilidades: ou era muito caro ou não era tão bem feito”, diz Nunes.

Foi pensando em oferecer um transplante capilar com qualidade e preço acessível que ele fundou sua primeira clínica, em 2017, o Centro Médico Capilar. O negócio chamou atenção e chegou a ter fila de espera. Hoje, a empresa fatura R$ 18 milhões e conta com uma marca de produtos capilares, uma farmácia de manipulação e programas de formação de médicos.

Em 2026, o empresário espera faturar pelo menos R$ 20 milhões. A principal aposta para o crescimento é o início de uma estruturação de franquias, que começa neste ano com uma unidade em Belo Horizonte.

Da Turquia ao Brasil

Apesar do interesse da família de João Gabriel Nunes em encontrar formas de tratar a calvície, as opções disponíveis nacionalmente eram inacessíveis financeiramente. Foi em uma viagem para a Turquia que o médico percebeu um turismo voltado à realização de transplantes capilares.

“Comecei a conversar e entendi que na Turquia era mais barato, mais acessível que no Brasil. Foi quando pensei: ‘Essa é a minha chance de levar esse tratamento e essa técnica de transplante para o Brasil’”, diz.

A partir disso, ele começou a se especializar e estudar sobre a área. Financeiramente, vendeu uma moto e investiu R$ 50 mil na abertura da clínica.

O transplante realizado no Centro Médico Capilar é um procedimento feito manualmente, com a retirada e a implantação dos folículos de forma individual. A etapa de desenho e implantação da linha frontal recebe atenção especial, com o objetivo de obter um resultado de aparência natural.

“Eu tentei enxugar o máximo possível os custos, mas sem abrir mão da qualidade. Todos os componentes que utilizamos são de primeira linha. Não adianta reduzir o preço sacrificando os materiais, porque isso pode até colocar o paciente em risco”, afirma.

Ele conta que existem procedimentos de transplante capilar que podem custar até R$ 100 mil, enquanto o tíquete médio de sua empresa fica em cerca de R$ 11 mil. Segundo ele, parte da diferença de preço está no modelo de atendimento. Enquanto clínicas que cobram valores mais altos podem realizar apenas um procedimento por dia, com uma estrutura mais exclusiva, o Centro Médico Capilar opera em escala, chegando a realizar seis transplantes simultaneamente.

Além do procedimento, o Centro Médico ainda consegue oferecer uma série de serviços, como transporte do aeroporto de Campinas, duas noites de hospedagem, orientação pós-operatória, acompanhamento médico por um ano e tratamento injetável após 30 dias.

Além do público brasileiro, o Centro Médico Capilar também passou a atrair pacientes de outros países. Segundo Nunes, a clínica recebeu pessoas de 26 países em 2026, com estrutura de atendimento bilíngue e suporte que inclui hospedagem e transporte.

A estratégia de internacionalização também ganhou força por meio de uma parceria com uma universidade dos Estados Unidos, que passou a divulgar o trabalho da clínica entre seus profissionais e alunos. Para o empresário, a frente internacional representa uma oportunidade de ampliar o alcance do negócio para além do mercado brasileiro.

A divulgação inicial da clínica aconteceu de forma orgânica, a partir da parceria com um influenciador que compartilhava nas redes sociais sua jornada para tratar a calvície. Ele foi um dos primeiros pacientes do médico e, após acompanhar o resultado do transplante, passou a mostrar a experiência e o procedimento ao público.

A estratégia ampliou rapidamente o alcance da clínica e fez a procura pelo transplante crescer. A demanda aumentou a ponto de formar uma fila de espera de sete a oito meses.

Da fila de espera à expansão

Com a alta demanda, Nunes chegou a receber propostas para franquear, mas decidiu seguir com clínicas próprias no primeiro momento.

“Eu sempre achei que a franquia faria cair a qualidade. Tinha muito medo disso. Hoje vejo de outra forma: se eu confiar no médico que vai comandar esse time, posso criar uma expansão que tenha a mesma qualidade da nossa”, diz.

Até este ano, são três clínicas próprias: duas em Mogi Guaçu (SP) e uma em São Paulo (SP). A inauguração da unidade da capital paulista foi em janeiro de 2026. De acordo com Nunes, o investimento para abrir a unidade foi recuperado em seis meses, resultado que o levou a considerar a abertura de unidades em outras capitais.

Neste ano, ele aposta no modelo de franquias, que tem como base a formação oferecida aos médicos interessados. A primeira unidade será inaugurada em Belo Horizonte.

A estratégia de divulgação também deve mudar com a expansão. Enquanto a unidade original cresceu principalmente por indicações e divulgação orgânica, as novas franquias devem contar com ações de marketing mais intensas para conquistar o público local.

Para a primeira unidade, em Belo Horizonte, estão previstas iniciativas como tráfego pago, equipes comerciais externas e ações em shoppings, incluindo a possibilidade de oferecer avaliações com médicos.

A ideia é aproximar o público do procedimento e esclarecer dúvidas sobre o transplante, especialmente entre pessoas que ainda têm receio de que o resultado fique artificial ou de que a cirurgia seja dolorosa.

Para crescer por meio de franquias, ele prevê a abertura das próximas unidades em Brasília e no Rio de Janeiro.

Novas frentes de negócios

O crescimento do Centro Médico Capilar levou o grupo a diversificar suas atividades para além dos transplantes. Uma das primeiras iniciativas foi a criação de uma linha própria de produtos capilares, que começou com um shampoo desenvolvido para os pacientes da clínica e posteriormente ganhou outros itens, como máscaras, vitaminas e produtos para diferentes tipos de cabelo.

A marca chegou a farmácias e pontos de venda em diferentes estados do país. “Começou como uma brincadeira, para atender os meus próprios pacientes, e acabou virando uma empresa grande”, afirma.

A expansão também alcançou o segmento de manipulação de medicamentos. No ano passado, o grupo abriu uma farmácia com o objetivo inicial de desenvolver e testar formulações para os próprios pacientes. A operação, porém, passou a atender também clientes de fora da clínica e se tornou uma nova frente de receita. A estratégia agora é levar farmácias para as cidades onde forem abertas novas unidades do Centro Médico Capilar, como ponto de apoio e canal de crescimento.

Outra frente é a educação médica. O fundador mantém um programa no formato de fellowship, pelo qual recebe médicos de diferentes partes do país para ensinar técnicas de transplante capilar. A iniciativa também está relacionada ao plano de expansão: profissionais formados pelo próprio médico podem se tornar responsáveis por novas unidades da rede.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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