Ele ouviu de um professor que acabaria no McDonald’s. Hoje tem um negócio de seis dígitos
Para o fundador da Geek Window Cleaning, o medo de errar e do julgamento alheio é o que mais trava quem empreende

No ensino médio, Kyle Ray ouviu de um professor que acabaria trabalhando no McDonald’s. Ele não terminou a faculdade, mas transformou um bico de limpeza de janelas, iniciado com US$ 100, na Geek Window Cleaning, um negócio de seis dígitos que atende centenas de clientes em várias cidades do Texas.
Em entrevista ao Business Insider, Ray diz que o maior obstáculo de quem empreende é o medo de fracassar e de ser julgado, e que dá para aprender a lidar com ele.
Em vez de desanimar, Ray usou o comentário do professor como combustível. Conta que duvidou do negócio o tempo todo, mas decidiu que fracassar não estava entre as opções: ia fazer dar certo e descobrir o caminho no processo.
Duas razões diferentes para não desistir
Tal Moore, cofundador e CEO da Popsmith, marca de pipoqueiras de fogão de alto padrão, tirou a energia de outro lugar. Ele e o sócio quase ficaram sem caixa enquanto construíam a empresa, e Moore vendeu US$ 600 mil em ações pessoais para mantê-la de pé.
O que mais pesava não era o próprio dinheiro. Amigos e familiares tinham investido na Popsmith.
“Se você perde o seu dinheiro, é uma coisa. Mas não havia a menor chance de eu perder o dinheiro dos meus amigos e da minha família”, diz Moore.
Os dois chegaram ao mesmo lugar por caminhos opostos. Ray queria provar que o professor estava errado. Moore não queria decepcionar quem tinha apostado nele.
Duas semanas de caixa e um bilhete escrito à mão
Quando restavam só duas semanas de dinheiro em caixa, Moore precisava chamar atenção e vender sem gastar. Comprou o papel mais sofisticado que encontrou numa loja de impressão e escreveu bilhetes à mão para os CEOs da Williams-Sonoma e da Crate & Barrel, redes de artigos para casa. Depois mandou uma pipoqueira para cada um, sem aviso. Em dois meses, as equipes de compras das duas empresas o procuraram.
Depois veio Oprah Winfrey. Moore viu no LinkedIn que uma editora júnior da Oprah Daily tinha publicado sobre pipoca e mandou uma mensagem sem conhecê-la. Ela pediu uma pipoqueira e ajudou a levar o produto até a apresentadora, cuja equipe avalia cerca de 15 mil produtos por ano para a lista anual de favoritos.
Em 2024, a Popsmith entrou na lista. A empresa esgotou o estoque em semanas e voltou a esgotar outras três vezes nos cinco meses seguintes.
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Uma estrada sem saída de emergência
Ray compara o empreendedorismo a uma rodovia sem saídas, em que nenhum plano B espera no próximo retorno.
“Se não há saída, só existe um caminho. E você precisa atravessá-lo”, diz.
Isso não garante que o negócio vai dar certo, e muitos não dão. Para Ray, quem empreende precisa aceitar correr riscos, passar vergonha, errar e partir para a próxima ideia quando for o caso. No centro dessa postura está a disposição de se importar menos com o fracasso e com o que os outros vão pensar.
“Se a Geek falhar agora, vou parecer idiota. Mas tudo bem, qual é o próximo passo? Não ligo”, diz Ray. Quanto mais cedo alguém desenvolve esse desapego, segundo ele, mais perto fica de conseguir empreender.
Uma postura que se treina
Ray acredita que essa mentalidade se aprende como qualquer habilidade, da raquetada no tênis à dança de salão: com tempo, prática constante e paciência. Ele sugere três passos.
- Ler. Livros são baratos ou gratuitos na biblioteca. Ray indica Inner Excellence e Can’t Hurt Me. Moore prefere biografias de empresários como Warren Buffett, Richard Branson e John D. Rockefeller.
- Perguntar a quem já chegou lá. A ideia é encontrar alguém que faz muito bem o que você quer fazer e perguntar o que essa pessoa faz que você não faz, e o que pode estar te impedindo de avançar.
- Buscar mentoria. Ray participa de grupos de mentoria e tem vários coaches. Para ele, quem conhece o lugar aonde você quer chegar ajuda a encurtar o caminho.
Antes do próximo passo, olhar para dentro
A pergunta que Ray recomenda fazer a quem está à frente também serve para ser feita a si mesmo. Entender o que te move, o que te trava e como você reage ao medo de errar ajuda a decidir com mais clareza, empreendendo ou não.
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Para Ray e Moore, o medo de errar continuou ali. Só deixou de decidir por eles.
