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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
12/07/2026
6 min

Ele ouviu sete 'nãos' de seguradoras. Hoje, sua empresa fatura R$ 60 milhões

Ele ouviu sete 'nãos' de seguradoras. Hoje, sua empresa fatura R$ 60 milhões

Em 2013, Pedro Pires saiu de sete reuniões com seguradoras carregando a mesma resposta: não. A ideia era criar um modelo capaz de levar seguros a consumidores que ficavam de fora das ofertas tradicionais, mas nenhuma companhia quis apostar no projeto. Em vez de desistir, decidiu construir um caminho próprio.

A decisão deu origem à Seven, operação de proteção veicular que, anos depois, seria transformada na Split Risk. Hoje regulada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), a empresa fechou com um faturamento de cerca de R$ 60 milhões em 2025, somando seguradora e tecnologia.

Depois de quase quatro anos de adaptação às exigências regulatórias e da obtenção da licença definitiva para operar como seguradora, a empresa amplia sua atuação para novos segmentos e aposta em um modelo de negócio voltado a parceiros que desejam criar suas próprias marcas de seguros.

A expectativa da empresa é triplicar a operação ano a ano pelos próximos três anos. Além do seguro automotivo, a companhia começou a lançar produtos de vida, prestamista, responsabilidade civil e seguros para o mercado imobiliário.

Como o fundador da Split Risk entrou no mercado de seguros

Muito antes de entrar no mercado financeiro, Pires já havia feito uma escolha que mudaria sua trajetória. Filho de um pecuarista e de uma dona de casa em Casa Branca, no interior de São Paulo, decidiu seguir um caminho diferente do da família.

Foi o basquete que abriu as primeiras oportunidades. O esporte lhe garantiu bolsas de estudo e, aos 15 anos, ele deixou a cidade para continuar a carreira como atleta amador. Depois, formou-se em Direito e iniciou a vida profissional em pequenos comércios da cidade.

A mudança de escala aconteceu quando ingressou no Itaú, onde passou a trabalhar com crédito para financiamento de veículos.

"Eu sempre fui muito inquieto e questionava por que a gente negava tanto crédito para pessoas que, na minha visão, tinham capacidade de pagar. Muitas análises eram automatizadas e faltava sensibilidade", diz.

Em 2010, recebeu um convite para estruturar a operação de crédito de uma instituição financeira em Uberlândia. O trabalho envolvia toda a jornada do financiamento, da aprovação das propostas à recuperação de ativos. A operação cresceu rapidamente e passou a atender concessionárias e revendas de veículos em diferentes regiões do país.

A virada aconteceu durante uma viagem de férias aos Estados Unidos. Enquanto estava fora do país, Pires recebeu uma ligação informando que a instituição enfrentava dificuldades para captar recursos em meio à crise bancária que afetava o setor. Dias depois veio a confirmação de que a operação seria encerrada.

Ao voltar ao Brasil, Pires passou a olhar para uma lacuna que já observava desde os tempos do mercado financeiro: consumidores que conseguiam financiar um veículo, mas não encontravam acesso a uma proteção adequada.

Na avaliação do empreendedor, o mercado tradicional restringia parte desse público por causa do preço, das regras de aceitação e do modelo de distribuição concentrado em corretores e canais tradicionais.

Com a proposta de criar uma alternativa, procurou as principais seguradoras do país. Recebeu sete negativas.

Como a empresa foi criada

Sem conseguir uma parceria com as seguradoras, Pires buscou outro caminho para colocar a ideia em prática. A alternativa encontrada foi o mercado de proteção veicular baseado no mutualismo, modelo em que um grupo de participantes forma uma espécie de fundo coletivo para dividir os custos quando algum veículo sofre um evento previsto no contrato.

Na prática, os associados pagavam uma contribuição para participar do grupo. Quando um dos veículos precisava de reparo ou reposição, os custos eram compartilhados entre os integrantes de acordo com as regras definidas pela associação. O modelo se diferenciava do seguro tradicional, em que a seguradora assume o risco e define previamente o valor da apólice.

Foi nesse formato que Pires criou a Seven — nome escolhido em referência às sete negativas recebidas das seguradoras e ao número que usava quando jogava basquete.

Entre 2013 e 2019, a operação alcançou cerca de 40 mil associados ativos e faturamento mensal entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões.

O crescimento, porém, era acompanhado por uma insegurança jurídica constante. O setor ainda não tinha uma regulamentação específica, o que gerava interpretações diferentes sobre a atividade.

Como a Split Risk se tornou uma seguradora

A criação do Sandbox Regulatório da Susep, em 2020, abriu uma oportunidade para transformar o negócio em uma seguradora regulada.

Segundo Pires, o processo exigiu quase quatro anos de adaptações. A empresa precisou reformular processos, desenvolver sistemas próprios, atender às exigências de capital e estruturar uma operação capaz de funcionar dentro das regras do mercado segurador.

Foi desse processo que nasceu oficialmente a Split Risk.
Além da licença para operar como seguradora, a companhia desenvolveu uma plataforma de Insurance as a Service (IaaS), modelo que permite que outras empresas ofereçam seguros com sua própria marca, concentrando a tecnologia e a infraestrutura regulatória da operação.

Hoje, a empresa reúne mais de 20 projetos em diferentes regiões do país.

"A nossa base é composta por dois terços de pessoas que antes não tinham apólice de seguro. Muitas vezes não era apenas uma questão financeira. O produto não chegava até elas da forma adequada", diz.

A estratégia da Split Risk para triplicar o faturamento

Com a estrutura regulatória consolidada, a Split Risk agora concentra esforços na expansão do portfólio e no crescimento da plataforma de tecnologia. A companhia começou pelo seguro automotivo, mas pretende ampliar a oferta para outros ramos, como vida, prestamista, responsabilidade civil e produtos voltados ao mercado imobiliário.

A estratégia é aumentar a participação dos parceiros que utilizam a infraestrutura da empresa para criar e distribuir seguros próprios. Para Pires, o potencial está em empresas que já possuem relacionamento com consumidores e podem incorporar produtos de proteção em suas jornadas de venda.

Em 2025, a seguradora emitiu 120 mil apólices e registrou R$ 48,5 milhões em prêmios, alta de 10% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o braço de tecnologia da companhia alcançou cerca de R$ 10 milhões de reais em receita.

A empresa também captou R$ 50 milhões no ano passado com os grupos HSR Soluções e Participações e La Barca Empreendimentos. Os recursos foram direcionados ao aumento do capital exigido pela regulação e ao desenvolvimento da plataforma tecnológica.

Para os próximos anos, Pires prevê uma nova rodada de investimentos em 2027, após a validação dos novos produtos. A meta é triplicar a operação ano a ano pelos próximos três anos, usando capital para acelerar uma estratégia já definida, e não para testar o modelo de negócio.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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