Ele saiu do RS para a Flórida com o 'mínimo para não desistir'. Hoje fatura R$ 11 milhões com saúde

Uma família estadunidense pode gastar até US$ 27 mil ao ano com saúde, segundo o jornal The Wall Street Journal. O valor demonstra os desafios de acesso aos serviços de saúde no país.
Diante desse cenário, o brasileiro Rafael Rolim criou a plataforma GoldCare, em 2022, que combina telemedicina, comunidade de pacientes, conteúdo educacional e ferramentas de inteligência artificial para conectar usuários a uma rede de cerca de 200 médicos.A empresa alcançou 12 mil membros ativos, registra faturamento anual recorrente de US$ 2,2 milhões (cerca de R$ 11,2 milhões) e prepara uma nova fase de expansão. A meta é chegar a 100 mil membros até o fim de 2027.
"Nossa proposta é inverter a lógica do sistema. Em vez de lucrar com a doença, queremos crescer à medida que as pessoas ficam mais saudáveis", afirma Rolim.
O próximo passo é ampliar a distribuição do produto por meio de influenciadores e acelerar sua presença internacional. A empresa já conta com médicos embaixadores em países como Japão, Canadá, Itália e Austrália.
Qual é a história de Rolim
Rafael Rolim começou a empreender aos 17 anos. Depois de iniciar a carreira em uma agência de desenvolvimento de sites, comprou a própria empresa quando os donos decidiram encerrar as operações.
Natural de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, ele construiu a carreira atendendo pequenos empresários e, anos depois, foi convidado para trabalhar em um projeto de comércio eletrônico nos Estados Unidos."O lugar onde nasci e vivi até os 27 anos era marcado pela violência e pela pobreza. Desde cedo, eu sabia que precisava encontrar uma oportunidade para construir algo diferente", afirma.
A mudança para a Flórida, aos 27 anos, foi decisiva. Ao conhecer o sistema de saúde americano, Rolim identificou uma contradição que chamou sua atenção: a presença de tecnologia avançada em diversos setores da economia contrastava com a experiência encontrada em clínicas e hospitais.
Segundo ele, médicos frequentemente gastam mais tempo preenchendo sistemas do que atendendo pacientes. A percepção abriu espaço para a criação de um negócio focado em simplificar a relação entre profissionais de saúde e usuários.
A vontade de empreender no país nasceu após a empresa onde trabalhava fechar. "Eu passei um ano vivendo com o mínimo possível para continuar nos Estados Unidos. Mas nunca considerei desistir porque acreditava que as oportunidades estavam ali", diz Rolim.
Antes mesmo de lançar o produto, a GoldCare abriu inscrições para interessados em participar do projeto como membros fundadores. "Nós abrimos um formulário e lançamos a ideia para o público. Não existia produto ainda, era uma promessa. Para nossa surpresa, mais de mil pessoas se interessaram", afirma Rolim.
O resultado trouxe um aprendizado importante cerca de 80% dos interessados tinham mais de 55 anos. A partir desse perfil, a empresa passou a desenvolver a plataforma com foco em acessibilidade e acompanhamento de longo prazo.O primeiro produto foi lançado em junho de 2022. Inicialmente, as consultas dos interessados cadastrados aconteciam por meio de uma versão simplificada da plataforma, enquanto a tecnologia era desenvolvida com base no feedback dos próprios usuários.
Na prática, a Gold Care funciona como uma plataforma de saúde por assinatura. Os usuários pagam uma mensalidade a partir de 17 dólares para ter acesso a uma rede de cerca de 200 médicos, consultas online, conteúdos educacionais, comunidades de pacientes e ferramentas de inteligência artificial que ajudam a encontrar informações e especialistas.A proposta não é substituir hospitais ou atendimentos de emergência, mas acompanhar o paciente ao longo do tempo, com foco na prevenção, orientação e gestão da saúde.
A aposta em tecnologia para médicos e pacientes
A plataforma reúne consultas online, comunidade fechada de pacientes, webinars educativos gravados por médicos e recursos de inteligência artificial que ajudam usuários a encontrar informações e especialistas dentro da rede.
A proposta também busca resolver uma dor recorrente dos profissionais de saúde. "Os médicos passam, em média, cinco minutos falando com o paciente e 17 minutos aplicando os dados no sistema", afirma Rolim.
A plataforma aposta, então, em uma tecnologia desenhada para reduzir tarefas administrativas e permitir que os profissionais dediquem mais tempo ao atendimento.
A tecnologia, que utiliza inteligência artificial, acompanha as consultas, organiza informações e ajuda na documentação dos atendimentos, mas mantém o profissional no controle das decisões. O sistema foi desenvolvido para gerar registros auditáveis e dar mais segurança aos médicos, que operam em um ambiente regulatório e jurídico rigoroso nos Estados Unidos.
Outro diferencial está no modelo econômico. A assinatura custa 17 dólares por mês para usuários individuais ou 29 dólares para planos familiares. Quando uma consulta é realizada, 60% do valor fica com o médico – diferente do que acontece em outros modelos.
O plano para alcançar 100 mil membros
A GoldCare encerrou 2025 com cerca de 12 mil membros ativos e agora trabalha para multiplicar essa base por mais de oito vezes.
A estratégia passa pela contratação de influenciadores alinhados ao público da empresa. A meta é construir uma rede de mil criadores de conteúdo utilizando e divulgando a plataforma.
"Quando as pessoas conhecem a plataforma e entendem como ela funciona, a adesão acontece de forma natural", diz Rolim.
Outra frente de expansão é a chegada a novos países por meio de médicos embaixadores. Segundo Rolim, a GoldCare já pode ser utilizada fora dos Estados Unidos e vem recrutando profissionais em mercados como Japão, Canadá, Itália e Austrália para representar a marca localmente.
A estratégia busca ampliar o acesso de pacientes à rede de especialistas da plataforma sem a necessidade de abrir operações próprias em cada país. Com o crescimento do número de usuários, a empresa espera chegar a um faturamento anual de US$ 24 milhões.
"Não importa onde a pessoa esteja. Existem problemas de acesso à informação médica e de coordenação do cuidado que se repetem em vários países", afirma.
