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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
07/10/2026
6 min

Ele transformou a dor de cabeça de grandes empresas em um negócio de R$ 75 milhões

Fundada em 2012, companhia assume planejamento, fornecedores, logística e execução de projetos para multinacionais e projeta crescer 36% em 2026

Ele transformou a dor de cabeça de grandes empresas em um negócio de R$ 75 milhões

Para uma multinacional, organizar uma convenção, lançar um produto ou executar uma campanha para parceiros em diferentes países significa coordenar dezenas de fornecedores, controlar orçamento, logística, viagens e produção — além de torcer para que tudo funcione quando chegar a hora.

Foi em cima dessa complexidade que Humberto Gonçalves construiu a Connect2B. Fundada em 2012, a companhia deixou de atuar apenas como uma agência de marketing para assumir projetos corporativos de ponta a ponta. A lógica é concentrar em um único fornecedor tarefas que, em alguns casos, exigiriam a contratação de cinco, 10 ou até 15 empresas diferentes.

O modelo ganhou escala. Depois de faturar R$ 55 milhões em 2025, a empresa projeta chegar a R$ 75 milhões neste ano, crescimento de 36%. Hoje, conta com mais de 70 profissionais e atende empresas como Dell Technologies, AWS, Microsoft, Red Hat, LinkedIn e Stanley Black & Decker.

“Quando uma empresa multinacional vai fazer um projeto grande, ela precisa trabalhar com cinco, seis, dez, 15 fornecedores diferentes. A pessoa responsável acaba deixando de focar no negócio para virar uma gerente de projetos”, diz Gonçalves. A proposta da Connect2B, afirma, é retirar essa operação das mãos do cliente.

Como transformar complexidade em negócio

Na prática, a empresa atua desde a definição da estratégia até a contratação de fornecedores, elaboração do orçamento, logística e execução. Entre os projetos estão eventos corporativos, ativações de marca, campanhas de incentivo, encontros de canais, lançamentos de produtos e ações de relacionamento.

Hoje, a operação supera 150 projetos por trimestre. Desde a fundação, já foram mais de 10 mil entregas para 700 clientes, segundo a companhia.

Um exemplo está nas campanhas voltadas a redes de distribuição. Para uma fabricante de ferramentas, por exemplo, não basta convencer uma loja a comprar determinado produto. Há ainda o desafio de fazer com que o vendedor que está na ponta apresente aquela marca ao consumidor.

É nesse ponto que a Connect2B diz entrar para entender não apenas o negócio do contratante, mas também o cliente do cliente. A estratégia pode envolver treinamento, campanhas de incentivo, coleta de informações, materiais promocionais e acompanhamento da execução.

“Eu preciso entender o meu cliente e, muitas vezes, preciso entender o cliente do meu cliente”, afirma Gonçalves.

A obsessão por controlar as etapas do processo levou a empresa a internalizar ou aproximar atividades que normalmente ficariam nas mãos de terceiros. Quando as viagens corporativas passaram a representar uma parcela relevante das operações, por exemplo, Gonçalves decidiu criar uma empresa de turismo para atender os projetos do grupo.

A justificativa foi operacional. Ele conta que não queria depender de parceiros que encerravam o expediente no fim da tarde e deixavam apenas um telefone de plantão para passageiros que poderiam ter problemas durante a noite.

“Eu era responsável pelo projeto inteiro e ficava na mão desses fornecedores”, diz. “A estratégia não é só entregar a parte de marketing, mas uma solução completa, com um ponto único de contato.”

Por que a América Latina entrou na conta

A expansão internacional começou poucos anos depois da fundação. Hoje, a Connect2B realiza trabalhos em mercados como Chile, México, Argentina, Peru e Colômbia, acompanhando principalmente multinacionais que operam em vários países da região.

Parte dessa estratégia surgiu de uma ineficiência que Gonçalves percebeu no fluxo financeiro dos próprios clientes.

Em projetos contratados pelas matrizes americanas e executados na América Latina, o dinheiro podia passar por sucessivas conversões cambiais antes de chegar ao país em que seria usado. Segundo ele, em determinados casos, esse processo consumia perto de 40% da verba disponível.

A resposta veio em 2016, quando o empresário abriu uma estrutura da companhia nos Estados Unidos. Assim, o cliente poderia pagar diretamente por lá, enquanto a Connect2B coordenava a execução latino-americana.

“Isso não foi o cliente que me pediu. Para ele, era natural”, afirma. “Ao invés de perder aquela verba com as conversões, eu conseguia devolver parte desse dinheiro para o próprio projeto.”

A solução financeira acabou abrindo caminho para uma ambição maior: transformar os Estados Unidos também em mercado de origem de novos contratos.

De onde virá o próximo crescimento

Em 2026, a internacionalização entrou em uma nova etapa. A empresa fez sua primeira contratação local nos Estados Unidos e pretende se aproximar das matrizes americanas de clientes que já atende na América Latina.

A movimentação faz sentido diante da carteira atual. A Dell tem sede em Austin, no Texas, enquanto a AWS está baseada na região de Seattle. Segundo Gonçalves, somente dentro da Dell a empresa começou atendendo uma área e hoje trabalha com mais de 40 áreas diferentes.

A companhia também venceu recentemente uma concorrência da Wise, movimento que colocou a Europa no radar. O objetivo, por enquanto, é avançar principalmente nos Estados Unidos e aprofundar a presença latino-americana.

Essa expansão é um dos pilares para alcançar os R$ 75 milhões de receita previstos para 2026, ante R$ 55 milhões no ano anterior. O terceiro trimestre já deu um sinal dessa aceleração: de acordo com Gonçalves, foi o melhor da história da empresa, com mais de R$ 13 milhões em faturamento.

A Connect2B também está reorganizando negóciosque nasceram ao redor da operação principal. Neste ano, a companhia separou sua área digital em uma nova empresa, a Hyper, que, segundo o fundador, já superou R$ 4 milhões em faturamento. A intenção é reunir essas operações de forma mais clara sob a estrutura de um grupo empresarial.

Como a trajetória do fundador moldou a empresa

Filho de português, Gonçalves, hoje aos 44 anos, teve o primeiro contato com o trabalho ainda criança, quando acompanhava o pai na padaria da família. Depois, estudou administração e passou por empresas como CIEE, companhias farmacêuticas e uma consultoria antes de empreender.

Ele conta que a ideia de ter o próprio negócio começou a amadurecer ainda na faculdade. Em uma semana de empreendedorismo, foi escolhido por uma professora para apresentar um evento da instituição. A escolha, segundo ele, ajudou a aumentar sua confiança para seguir uma trajetória empresarial.

Uma tentativa inicial de montar uma parceria com uma agência argentina não avançou. O projeto ficou engavetado até 2012, quando ele decidiu finalmente abrir a Connect2B.

Desde então, a companhia cresceu menos pela criação de um produto padronizado e mais pela disposição de assumir problemas diferentes de clientes grandes. Planejamento, produção, logística e fornecedores são combinados conforme cada projeto.

O desafio dessa estratégia é justamente não transformar personalização em perda de eficiência. A empresa diz responder a isso com equipes de planejamento e produção, controle de fornecedores e planos alternativos para as etapas consideradas críticas.

“Eu não prometo que as coisas vão sair 100% como estão planejadas”, diz Gonçalves. “Mas garanto que o cliente não vai precisar gastar o tempo dele resolvendo os problemas que aparecerem.”

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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