Ele transformou o bar dos avós num negócio que já vendeu 35 milhões de pastéis e mira R$ 90 milhões
Com 16 unidades, Bar do Adão profissionalizou a gestão e agora quer acelerar a expansão por franquias

RESUMO +
A rede de bares e restaurantes Bar do Adão pretende abrir cinco unidades por ano a partir de 2027, após profissionalizar a gestão e iniciar a busca ativa por franqueados em 2026. Com 16 lojas, a empresa prevê faturamento de R$ 65 milhões em 2026 e R$ 90 milhões em 2027. O investimento inicial em uma franquia parte de R$ 500 mil.
O Bar do Adão cresceu antes de aprender a ser uma rede. Entre 2006 e 2012, o botequim criado por uma família carioca saiu de uma unidade no Grajaú para cerca de 12 endereços. Os restaurantes tinham movimento, mas, nos bastidores, faltavam controles financeiros e processos compatíveis com uma operação daquele tamanho.
Foi nesse negócio que Maurício Costa começou como assistente de garçom, em 2008. Neto dos fundadores José Ibiapina Ferreira Costa e Lenir Ferreira Costa, ele passou por diferentes funções, estudou administração, trabalhou fora da empresa e voltou, em 2017, para assumir a presidência da franqueadora com a missão de profissionalizar a gestão.
Agora, a empresa entra em uma nova fase. Aos 35 anos, o Bar do Adão tem 16 unidades, 15 na capital fluminense e uma em Nova Iguaçu, e prevê faturar R$ 65 milhões neste ano e R$ 90 milhões em 2027. Desde a fundação, calcula ter vendido cerca de 35 milhões de pastéis.
“Como qualquer empresa, a gente encontrou resistências dentro da própria família. Houve houve algumas conversas mais duras. Mas, no geral, tivemos o entendimento de que a minha vinda seria melhor para o grupo”, diz Costa.
O próximo teste será crescer novamente. A rede passou a buscar novos franqueados de forma ativa e pretende abrir cinco restaurantes por ano a partir de 2027. A empresa calcula que ainda exista espaço para outras 15 a 17 unidades no estado do Rio de Janeiro.
De um botequim no Grajaú a 12 lojas
A história começou em 1991, quando José e Lenir compraram o Botequim do Seu Adão, no Grajaú. O nome não nasceu de uma estratégia de marca. Seu Adão era simplesmente o antigo proprietário e, depois de colocar dinheiro no negócio, o casal não tinha recursos nem para trocar o letreiro.
O estabelecimento tinha uma porta e vendia cerveja, destilados e salgados de estufa. Os novos donos começaram a apostar em comida, com almoço aos domingos, nhoque todo dia 29, sopa Leão Veloso e empadas.
O pastel, que se tornaria o carro-chefe do Bar do Adão, nasceu de uma necessidade prática. O bar ficava em frente a um colégio e, quando as empadas acabavam nos horários de maior movimento, demorava para produzir outra fornada. O pastel podia ser preparado na hora. Os recheios migraram das empadas para a massa frita e o produto ganhou espaço no cardápio.
Em 1994, um incêndio destruiu o bar. A família tinha seguro e reconstruiu o estabelecimento. A primeira filial só viria em 2006, 15 anos depois da fundação.
O dinheiro para a expansão também não saiu sozinho do caixa da família. Um cliente queria levar a marca para outra região e tornou-se sócio-investidor. Ele colocava capital e a família entrava com a operação. A fórmula foi repetida e ajudou o Bar do Adão a chegar a cerca de 12 unidades em 2012.
“Apesar de a maioria das lojas sempre ter um faturamento alto, uma alta adesão do consumidor, nós começamos a nos deparar com os desafios de gestão”, diz Costa.
Entravam nessa conta controle financeiro, demonstrativo de resultado e planejamento orçamentário.
Um telefone e um Excel para começar a profissionalização
Maurício é o primogênito dos netos e o primeiro integrante da família a concluir o ensino superior. Enquanto os Costa construíram o negócio a partir da experiência com cozinha, ele seguiu por outro caminho.
“É uma família de cozinheiros autodidatas e, na terceira geração, vem alguém que não é cozinheiro para ajudar a administrar o negócio”, diz.
Um dos primeiros problemas que encontrou ajuda a mostrar o estágio da gestão. Mesmo com cerca de dez a 12 lojas, cada restaurante fazia suas compras de forma independente.
Maurício assumiu a função de comprador e começou a centralizar as negociações com fornecedores usando um telefone fixo e uma planilha de Excel. A ideia era aproveitar o tamanho da rede para aumentar o poder de barganha.
Depois, deixou a empresa e passou cerca de quatro anos no mercado corporativo. Voltou no fim de 2017 para assumir a presidência da franqueadora. Na época, eram nove unidades.
A profissionalização também significou reduzir a presença de familiares em algumas funções e contratar executivos de mercado. A franqueadora hoje tem 14 funcionários e áreas dedicadas a suprimentos, marketing, operações, financeiro e tecnologia.
A empresa também unificou sistemas e cadastros das lojas, organizou a área jurídica, internalizou o marketing e fez a reformulação da identidade da marca, em 2019.
Agora, o Bar do Adão quer mais franqueados
A primeira franquia foi aberta em 2013. Dois anos depois, a família decidiu reduzir a quantidade de lojas próprias e concentrar a expansão nesse modelo.
Até recentemente, porém, boa parte dos novos investidores chegava de forma espontânea. Em 2026, a empresa decidiu ir ao mercado para buscar franqueados.
O investimento inicial parte de R$ 500 mil e pode superar R$ 850 mil, dependendo do tamanho e das condições do ponto. O faturamento médio das unidades é de aproximadamente R$ 370 mil por mês.
Segundo a empresa, a rentabilidade média fica entre 8% e 12% do faturamento, com retorno do investimento estimado entre 24 e 36 meses. Cerca de 40% dos franqueados possuem mais de uma loja.
“O negócio não anda sozinho. Um negócio de bar e restaurante exige um envolvimento maior do que outros segmentos de franquia de alimentação”, diz Costa.
A expansão acontece em um momento menos favorável para convencer investidores a assumir esse risco. O próprio executivo reconhece que os juros altos diminuem o apetite para abrir franquias.
A aposta, por enquanto, é crescer perto de casa. A empresa pretende abrir cinco lojas por ano e concentrar os próximos dois anos no estado do Rio.
O pastel continua sendo o cartão de visitas, mas já não explica sozinho a receita. Cerca de metade das unidades fatura mais com refeições do que com pastéis, e o delivery responde por aproximadamente 20% das vendas.
Depois de crescer, descobrir os limites da gestão familiar e passar os últimos anos profissionalizando a operação, o Bar do Adão volta a acelerar. Desta vez, o desafio é fazer as novas lojas crescerem sem deixar a gestão correr atrás da expansão.
