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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
19/10/2026
5 min

Ele transformou resíduos em um negócio de R$ 72 milhões. Agora quer monitorar água com franquias

Biosolvit lança franquias de tratamento de água com investimento de até R$ 500 mil e potencial de faturamento de R$ 30 milhões por unidade ao ano. Meta é chegar a 15 operações até 2027

Ele transformou resíduos em um negócio de R$ 72 milhões. Agora quer monitorar água com franquias
RESUMO +

A empresa de soluções ambientais Biosolvit lançou a Biofranquia, franquia de tratamento de água, no fim do primeiro semestre de 2026 e já assinou cinco contratos. Cada unidade exige investimento de R$ 300 mil a R$ 500 mil, enquanto a companhia projeta 15 operações até o fim de 2027.

A indústria precisa tratar água, mas instalar e manter equipamentos em clientes espalhados pelo país custa caro. É nessa conta que a Biosolvit vê espaço para crescer com franquias.

Fundada por Guilhermo Queiroz, a empresa começou transformando resíduos de palmeiras em vasos e materiais para absorver petróleo. Hoje, tem seis fábricas, cerca de 170 funcionários e faturou R$ 72 milhões em 2025, aproximadamente 100 vezes a receita de 2019.

A novidade é a Biofranquia, lançada no fim do primeiro semestre de 2026. A Biosolvit esperava assinar três contratos neste ano e chegar a cinco em 2027. Já fechou cinco e elevou a meta para 15 operações até o fim do próximo ano.

“A gente já está com cinco contratos assinados. Está sendo muito rápida a migração para as franquias”, diz Queiroz.

Cada unidade exige investimento total de R$ 300.000 a R$ 500.000. A companhia projeta receita anual de até R$ 30 milhões por franquia madura, mas ainda não tem operações com histórico suficiente para comprovar esse resultado. O primeiro desafio é fazer os contratos saírem do papel.

Como funciona a franquia de tratamento de água

A Biofranquia não tem balcão nem loja aberta ao público. O franqueado atende empresas, condomínios, hospitais e companhias de saneamento em uma região definida. Vende, instala e acompanha equipamentos de tratamento e monitoramento da água.

Os sistemas usam sensores e inteligência artificial para medir indicadores como cloro e turbidez, que aponta partículas presentes na água. A tecnologia ajuda a ajustar o tratamento, mas depende de manutenção e reposição de insumos.

“Depois que ele assina, a gente garante o resto todo. A gente deixa tudo rodando e mantém durante a vida do contrato aquele equipamento funcionando adequadamente”, diz Queiroz.

A Biosolvit procura empresários que já trabalham com limpeza de caixas-d'água, produtos químicos ou manutenção. A ideia é aproveitar a experiência técnica e, sobretudo, a carteira de clientes desses parceiros.

“Muitas vezes já tem um cliente na mão, cliente é parte do relacionamento dele. Então esses caras são nosso sonho de consumo”, diz.

Para atrair os primeiros franqueados, a companhia dispensa a taxa de franquia e permite montar a estrutura aos poucos. Segundo o fundador, o desembolso nos seis primeiros meses pode ficar entre R$ 6.000 e R$ 8.000 por mês, com deslocamentos e contratação de um técnico. Esse gasto inicial não substitui o investimento total previsto.

A projeção é faturar entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões por ano quando a operação amadurecer, entre o segundo e o quinto ano. A Biosolvit não informou margem de lucro nem prazo de retorno. Receita, portanto, não é dinheiro garantido ao franqueado.

De resíduos de palmito a seis fábricas

A origem do negócio está em uma fábrica de palmito comprada por Queiroz em 2008. Ele pretendia produzir conservas, mas viu pouco espaço para crescer. Apenas cerca de 3% da palmeira era aproveitada na produção do alimento. O restante virava resíduo.

Em 2014, fundou a Biosolvit para transformar esse descarte em vasos e substratos de jardinagem. Depois vieram materiais vegetais que absorvem petróleo em acidentes ambientais. A partir de 2019, investimentos e aquisições levaram a empresa a outros mercados.

Hoje, a operação inclui tratamento de água, filtração industrial, resposta a acidentes ambientais, controle de poeira e reaproveitamento de resíduos. As fábricas ficam em seis estados: Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais.

Em uma parceria com a Vale, a Biosolvit usa garrafas PET descartadas para produzir materiais de controle de poeira. Segundo Queiroz, a operação recupera mais de 6 milhões de garrafas por mês.

A Biosolvit também aparece na 18ª posição do ranking Negócios em Expansão 2026, da EXAME, que reconhece empresas brasileiras em crescimento. Sediada em Barra Mansa, no interior do Rio de Janeiro, a companhia registrou receita de 45,8 milhões de reais em 2024, ante 17,5 milhões de reais no ano anterior, um avanço de 162,4%.

A meta de R$ 700 milhões

A Biosolvit quer chegar a R$ 700 milhões de receita até 2032, com novos produtos, aquisições e expansão das operações. As franquias entram nesse plano, mas Queiroz ainda não sabe quanto poderão acrescentar ao faturamento.

“Pode ser um crescimento de 30% a 40%, como pode ser um crescimento muito expressivo. A gente pode bater 100% de crescimento a depender da força e da determinação desse canal franqueado”, diz.

Antes de chegar às 15 operações previstas para 2027, a empresa precisa colocar as cinco contratadas para funcionar. É nesse teste que a projeção de faturamento dos franqueados começará a enfrentar os custos e as exigências do mercado.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura do evento de lançamento da edição 2026.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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