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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
09/10/2026
4 min

Ele transformou 'segredo' em grupo de R$ 160 mi e mira robôs humanoides

De uma loja com aluguel de R$ 400 em Curitiba, Andrei Amaral expandiu para moda, tecnologia e logística; o grupo prevê faturamento de R$ 160 milhões em 2026

Ele transformou 'segredo' em grupo de R$ 160 mi e mira robôs humanoides

O porteiro de uma galeria comercial de Curitiba até tentou desencorajar Andrei Amaral quando soube que ele pretendia abrir uma loja naquele endereço.

O estabelecimento anterior havia fechado depois de apenas dois meses e quase ninguém circulava por ali. O aluguel custava R$ 400 mensais. Amaral ignorou o conselho e decidiu arriscar. A localização, tão discreta quanto improvável para um comércio, acabou inspirando o nome do negócio: Secret.

Dezessete anos depois, aquela pequena loja deu origem ao Secret Group, companhia paranaense que reúne empresas de moda, comércio eletrônico, tecnologia e logística. A companhia projeta encerrar 2026 com faturamento de R$ 160 milhões, crescimento de 28% sobre os R$ 125 milhões registrados em 2025.

A expansão prevê investimentos de R$ 28,4 milhões neste ano, considerando os valores realizados até agosto e o orçamento dos últimos quatro meses. Atualmente, o grupo reúne oito marcas e soluções, emprega mais de 120 profissionais e mantém uma estrutura logística própria com mais de 3.600 metros quadrados.

Nascido em Passo Fundo (RS) e criado pela mãe solo, Amaral começou a trabalhar aos 14 anos, vendendo coleções de livros infantis. Passou pelo comércio de cosméticos e participou de cerca de 70 entrevistas de emprego até conquistar uma vaga em uma gigante da indústria farmacêutica. A transferência para Curitiba, onde passou a atender grandes redes de farmácias, abriu caminho para o empreendedorismo.

Antes de escolher a moda, avaliou negócios como cafeteria, restaurante e distribuição de bebidas. Optou por um outlet, montado inicialmente com roupas trazidas dos Estados Unidos por uma conhecida, peças de um amigo que havia fechado uma loja e mostruários de representantes. Patrícia, sua então namorada, assumiu a operação enquanto ele mantinha o emprego.

Sem dinheiro para campanhas publicitárias, a dupla apostou na divulgação direta. Recolhia contatos em feiras, organizava planilhas e enviava mensagens manualmente pelo Outlook, em grupos de 50 destinatários. Panfletos distribuídos no bairro Batel e na saída de colégios completavam a estratégia. Segundo Amaral, os primeiros clientes apareceram logo nos dias iniciais.

O salto veio com o comércio eletrônico. Quando a pandemia acelerou as compras pela internet, a Secret já possuía uma operação digital estruturada, o que permitiu ampliar as vendas e ganhar escala.

Do varejo à inteligência artificial

Hoje, o Secret Outlet, especializado em moda masculina, responde pela principal operação do grupo. A plataforma comercializa produtos de mais de 45 marcas, possui uma base superior a 500 mil clientes e registra taxa de recorrência de 30%, conforme dados da companhia.

Segundo a empresa, a operação é considerada topseller da Dafiti e figura entre os três maiores vendedores da categoria de moda no Mercado Livre. Em 2024, a aquisição da Adamanto ampliou a presença no setor de vestuário.

O portfólio inclui ainda Dixen, Secret Shop, Secret Solutions, Solcon, Epost e Fashion Secret Group. No primeiro semestre de 2026, os negócios cresceram aproximadamente 40%, acompanhados de uma ampliação de 10% no quadro de funcionários, segundo informações do grupo.

Parte da diversificação nasceu das próprias dificuldades de administrar uma operação digital em expansão. A necessidade de integrar sistemas, controlar estoques e automatizar processos levou à criação da Secret Solutions, empresa de tecnologia que passou a comercializar para terceiros ferramentas desenvolvidas a partir das demandas internas.

A plataforma utiliza inteligência artificial para integrar atendimento e vendas por WhatsApp, Instagram, e-mail e sites. As soluções permitem consultar pedidos, verificar estoques, automatizar comunicações e administrar processos comerciais e logísticos.

Em 2026, os clientes da Secret Solutions movimentaram R$ 543 milhões em vendas on-line com apoio dessas tecnologias, de acordo com a companhia. O valor representa o volume de transações processadas pelos sistemas, não a receita da empresa, e tampouco integra o faturamento consolidado do Secret Group.

Outra frente de expansão é a Epost, com lançamento previsto para os próximos meses. A operação pretende oferecer serviços de envio e devolução de encomendas por meio de caixas inteligentes, explorando oportunidades em uma das etapas mais complexas do comércio eletrônico.

“Estamos construindo uma plataforma de negócios capaz de conectar diferentes setores do varejo, da tecnologia e da logística. O foco é crescer com consistência, ampliar nosso portfólio e fortalecer uma estrutura que permita escalar novas oportunidades sem perder eficiência operacional”, afirma Andrei Amaral, CEO do Secret Group.

A próxima aposta, porém, está fora do varejo tradicional. Aos 40 anos, o empresário voltou à universidade para cursar um mestrado com foco em robótica e humanoides. Paralelamente, avalia a formação de uma joint venture para trazer robôs humanoides da China ao Brasil nos próximos anos.

O projeto ainda está em fase de estudos, mas sinaliza uma nova etapa de diversificação. Para quem começou em uma loja escondida, desacreditada até pelo porteiro, o próximo desafio pode estar justamente em uma tecnologia que promete transformar a maneira como empresas e pessoas trabalham.

AutorRafael Martini
FonteExame
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