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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
02/09/2026
7 min

Ele vai demolir a casa mais cara do Brasil para erguer um projeto de R$ 360 milhões no Leblon

Casa que pertenceu a uma das famílias mais ricas do Rio de Janeiro começa a ser demolida nesta quarta-feira

Ele vai demolir a casa mais cara do Brasil para erguer um projeto de R$ 360 milhões no Leblon

A casa era tão grande que tinha outra casa para quem trabalhava nela. Uma réplica menor do casarão principal servia aos funcionários que cuidavam da propriedade no Jardim Pernambuco, no Leblon, Rio de Janeiro.

Eram 43 pessoas trabalhando por dia em uma mansão de 2.500 metros quadrados, com seis suítes, 18 banheiros, piscina semiolímpica, biblioteca, sauna e heliponto, cercada por um terreno de 11 mil metros quadrados, avaliada em 220 milhões de reais.

Nesta quarta-feira, 2, parte dessa história começa a vir abaixo. A mansão, considerada a mais cara do Brasil, será demolida para dar espaço a um novo projeto milionário.

Quem vai comandar a transformação é a Mozak, construtora carioca fundada há 32 anos por Isaac Elehep. A empresa começou com projetos na Zona Norte do Rio e na Barra da Tijuca, avançou sobre bairros como Ipanema, Lagoa, Gávea e Jardim Botânico e, nos últimos anos, concentrou boa parte de sua operação no Leblon.

Neste ano, chega à marca de 100 prédios entregues na cidade. Breno Elehep, filho do fundador e um dos sócios, faz parte da segunda geração que começa a assumir mais espaço no negócio.

A demolição marca o capítulo mais recente daquela que se tornou a principal aposta da construtora.

A Mozak comprou o imóvel depois de uma negociação que, segundo Breno, levou seis anos. Agora, o terreno dará lugar ao Estância Pernambuco, conjunto residencial com dez mansões e VGV, valor geral de vendas dos imóveis do projeto, próximo de 360 milhões de reais.

“De todos os lugares em que já fui na minha vida, no mundo, essa casa foi o lugar mais insano que eu já visitei”, diz Breno Elehep.

Para ele, colocar o casarão abaixo encerra uma etapa, mas mantém a lógica de ocupar um dos endereços mais disputados do Rio. “A gente fala internamente que está fazendo a sucessão da casa mais cara do Brasil.”

As novas casas devem ficar prontas no segundo semestre de 2028.

Sete das dez unidades já estão vendidas. O projeto arquitetônico é da Bernardes Arquitetura e permitirá que cada comprador personalize sua residência. A Mozak prevê ainda cerca de 8 mil metros quadrados de trilhas, mirantes e bosques e 2.500 metros quadrados de áreas de lazer no terreno.

Qual é a história da Mozak

A Mozak nasceu quandoIsaac Elehep saiu da faculdade e decidiu empreender no mercado imobiliário carioca.

Os primeiros projetos estavam concentrados na Zona Norte, na Barra da Tijuca e no Jardim Oceânico.

A mudança de endereço da construtora ocorreu de forma gradual. Há cerca de uma década, segundo Breno, a companhia passou a aumentar a presença na Zona Sul. Vieram projetos em Ipanema, Lagoa, Gávea e Jardim Botânico.

Nos últimos cinco anos, o recorte ficou ainda mais estreito, com maior concentração no Leblon.

A estratégia coloca a empresa diante de uma limitação básica do mercado imobiliário da Zona Sul: faltam terrenos.

Em bairros já densamente ocupados, crescer depende de encontrar imóveis antigos, reunir terrenos ou apostar em retrofit, reforma que reaproveita uma construção existente. A escassez ajuda a explicar por que um terreno de 11 mil metros quadrados no Jardim Pernambuco chamou tanta atenção dentro da companhia.

“Quando meu pai falou que estava pensando em comprar um terreno no Jardim Pernambuco, todo mundo na empresa pensou: ‘calma aí, isso aqui é outro nível’”, diz Breno.

O Jardim Pernambuco ocupa uma área elevada do Leblon, próxima à praia, à Lagoa Rodrigo de Freitas e à Rua Dias Ferreira. O acesso controlado e a oferta limitada de imóveis fizeram do endereço um dos símbolos do mercado de luxo carioca.

Foi ali que a família Amaral, ex-proprietária da rede de supermercados Disco, construiu em 1986 o casarão que décadas depois seria colocado à venda.

Como foi a negociação

Comprar a propriedade exigiu paciência.

Segundo Breno, as conversas duraram seis anos. Durante esse período, a família de Neymar também chegou a tentar adquirir o imóvel, afirma o executivo. A Mozak acabou fechando o negócio em 2024.

À época, a casa era anunciada por 220 milhões de reais. O preço efetivamente pago pela construtora não foi divulgado.

O tamanho do lote era tão relevante quanto o casarão. São 11 mil metros quadrados em uma região na qual novas áreas desse porte praticamente deixaram de existir.

“Eu posso aparecer daqui a um ano com um terreno na orla, daqui a dois anos com outro terreno maravilhoso. Agora, um terreno como o Estância Pernambuco eu não vou conseguir comprar de novo”, diz Breno. “Geograficamente, é impossível.”

A compra também mudou a escala dos projetos da Mozak. A construtora, acostumada principalmente a edifícios residenciais e comerciais, passou a trabalhar com casas dentro de um condomínio de altíssimo padrão.

A segunda geração da Mozak

Enquanto conduz seu maior projeto residencial em termos de exposição, a Mozak também passa por uma mudança dentro de casa.

Isaac Elehep continua à frente da empresa, mas os filhos começam a ocupar mais funções na operação. Breno define o movimento como a entrada da segunda geração da família na construtora.

“Meu pai está posicionando cada um dos filhos para a segunda geração”, diz.

A companhia manteve nos últimos anos uma média de três a cinco lançamentos anuais, segundo Breno. Atualmente, afirma o executivo, são seis lançamentos simultâneos no Leblon, com imóveis que vão de estúdios a coberturas.

A marca de 100 edifícios entregues serve como ponto de passagem dessa transição. O desafio agora é continuar encontrando terrenos capazes de sustentar novos projetos justamente na região em que a Mozak decidiu concentrar sua operação.

No Jardim Pernambuco, ao menos, essa procura já terminou. O terreno está comprado, sete casas estão vendidas e a antiga mansão começa a desaparecer.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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