Ele vai faturar R$ 140 milhões fazendo camisetas para empresas, shows e festivais
Fundada em 1967, a Dimona aposta em produção própria, tecnologia e expansão internacional para ampliar sua atuação no mercado de camisetas personalizadas

As camisas personalizadas são conhecidas por muitos como brindes de empresas ou eventos, mas uma empresa carioca quer reposicionar essa categoria. A Dimona aposta na confecção própria de camisetas, além de tecnologia para a estamparia e para a experiência do cliente. “Eu costumo dizer que a camisa personalizada saiu da gaveta de brinde e entrou no guarda-roupa”, afirma Leonardo Zonenschein, sócio e diretor de marketing da Dimona.
Fundada em 1967, a empresa prevê faturar R$ 140 milhões em 2026, considerando as operações no Brasil e nos Estados Unidos. Para sustentar o crescimento, a companhia investe na diversificação do portfólio, com produtos de maior valor agregado, no atendimento a grandes marcas e festivais e na expansão de sua operação internacional.
A estratégia também passa pelo aumento da capacidade produtiva e pela adoção de novas tecnologias de impressão. No Brasil, a Dimona fabrica as próprias camisetas e atende desde consumidores individuais até grandes empresas.
Nos Estados Unidos, opera com um modelo de impressão sob demanda, integrado a mais de 20 mil lojas de e-commerce. Para os próximos cinco anos, a companhia estrutura um planejamento estratégico com o objetivo de consolidar sua posição como referência nacional em personalização.
Qual é a origem da Dimona
A história da empresa começa com Seweryn Blumberg, pai do padrasto de Leonardo Zonenschein, que deixou a Polônia como refugiado durante a Segunda Guerra Mundial e se estabeleceu no Brasil.
Ele começou a trabalhar como comerciante até abrir sua primeira loja de roupas, em 1967. Localizada no Saara, tradicional polo de comércio popular no centro do Rio de Janeiro, a loja revendia peças de roupa e chegou a ser uma das maiores representantes da Hering no estado.
Com a mudança de foco de fornecedores tradicionais, como a Hering, que passaram a priorizar coleções de moda em vez de camisetas básicas, a Dimona viu a necessidade de desenvolver uma marca própria e investir na estamparia, em meados da década de 1980.
Nos últimos 20 anos, desde que Zonenschein começou a integrar a empresa, a loja de estamparia que nasceu no centro do Rio e competia pelo melhor preço passou a investir na verticalização da produção e da logística. Uma das primeiras mudanças foi a construção de um galpão logístico para armazenar o estoque, que até então ficava no segundo andar de uma das lojas. A empresa também adquiriu máquinas inovadoras para o setor de estamparia e, em 2018, começou a confeccionar as próprias camisetas.
“Entendemos que, no mercado de personalização, não bastava ser rápido na estamparia. Precisávamos ter controle total da qualidade e ampliar as possibilidades na fabricação das próprias camisetas”, afirma Zonenschein.
A mudança contribuiu para o crescimento da empresa, que passou a oferecer prazos de entrega menores que os dos concorrentes, por exemplo, além de um atendimento ainda mais personalizado, que abrange desde o tecido e o modelo da camiseta até a estampa.
Do cliente final às grandes empresas
A Dimona mantém cinco lojas físicas no Rio de Janeiro, ainda com foco no cliente final. O e-commerce e as vendas B2B, porém, também se tornaram canais importantes de comercialização.
O B2B representa, atualmente, 56% do faturamento da empresa. “Conseguimos entender as necessidades dos clientes mergulhando em cada projeto. A partir daí, pesquisamos como atendê-los, seja com malhas especiais ou outras soluções, e desenvolvemos as peças em conjunto com o parceiro, de acordo com o que ele precisa”, diz.
As vendas B2B atendem grandes empresas, eventos, shows e exposições, com projetos para marcas como Coca-Cola, além de festivais como Rock in Rio e Lollapalooza. A empresa também já desenvolveu produtos licenciados para exposições dedicadas a artistas como Frida Kahlo, Banksy e Leonardo da Vinci.
Produtos licenciados: peças inspiradas em artistas, competições e exposições ( Aline Oliveira)
Já o e-commerce conta com um estúdio de criação que permite escolher o tipo de peça, enviar estampas próprias ou usar inteligência artificial para personalizar a camiseta.
O portfólio vai além das camisetas e inclui canecas, ecobags, moletons e aventais. “Muitos dos produtos que hoje fazem parte da nossa linha regular surgiram de demandas específicas de clientes e projetos. Desenvolvemos essas soluções em parceria e, depois, incorporamos os produtos ao nosso portfólio para atender a outros clientes”, afirma Zonenschein.
Há ainda as colaborações com bares e restaurantes que ajudam a atrair novos clientes. A Dimona desenvolve coleções em parceria com estabelecimentos cariocas, criando estampas que traduzem a identidade de cada lugar. As parcerias são divulgadas nas redes sociais, por meio de um quadro de dicas, que apresenta histórias dos estabelecimentos e ajuda a aproximar a marca de outros negócios do setor.
Nos últimos seis meses, o número de clientes provenientes de bares e restaurantes cresceu 550%, segundo Zonenschein. “Muito mais do que só o produto, a gente acaba ajudando a vender conteúdo, comunicação. A gente acaba sendo uma marca parceira para mostrar o que tem por trás de cada um dos estabelecimentos”, afirma.
Além dos projetos sob encomenda, a Dimona também investe em coleções próprias, como a linha de roupas para o Carnaval. A iniciativa surgiu da observação do comportamento dos foliões e da demanda por peças para curtir os blocos de rua. A empresa passou a desenvolver produtos específicos para a folia e a trabalhar com estilistas especializados no segmento, transformando a coleção em uma nova frente de negócios.
Como dezembro é um mês de pouco movimento, a empresa aproveita o período para desenvolver as coleções de Carnaval. Em 2026, foram R$ 2 milhões em vendas de peças para a folia, segundo Zonenschein.Como a operação chegou aos Estados Unidos
A entrada da Dimona nos Estados Unidos começou no fim de 2020, durante a pandemia, a partir de uma demanda de um cliente. A necessidade apresentada por ele chamou a atenção dos sócios, que decidiram estruturar a operação no país.
A expansão, no entanto, exigiu adaptações operacionais e tecnológicas. Para viabilizar o negócio, um dos sócios da empresa passou 15 dias no México, em quarentena, enquanto adaptava o software próprio da Dimona às necessidades da operação americana. A empresa conta com duas unidades de estamparia nos Estados Unidos, em Miami e Chicago.
Diferentemente do Brasil, a operação americana funciona em um modelo totalmente digital, sem lojas físicas ou fabricação própria de camisetas. A empresa recebe os pedidos de lojas virtuais integradas à sua plataforma, imprime as peças sob demanda e as envia diretamente ao consumidor final.Nos Estados Unidos, a Dimona aproveita a oferta de camisetas básicas de grandes fabricantes e distribuidores locais, que conseguem abastecer a operação rapidamente. Com isso, não precisa investir em confecção própria no país e pode concentrar a operação na personalização e na logística dos pedidos.
“Não temos estoque nos Estados Unidos. Quando o cliente faz um pedido, nosso sistema envia ao distribuidor um resumo das vendas do dia. Em até 12 horas, recebemos as camisetas na fábrica, estampamos cada peça de acordo com a demanda e entregamos diretamente ao consumidor final”, resume Zonenschein.
Ainda em fase de estudo, a Dimona pretende construir uma rede integrada de produção e distribuição sob demanda em toda a América. A ideia é permitir que marcas vendam seus produtos em diferentes países do continente e tenham os pedidos produzidos e entregues localmente, por meio de operações próprias ou de parceiros.
Quais são os próximos passos
Na terceira geração à frente da Dimona, a empresa mantém a gestão familiar, com a participação de diferentes membros da família no negócio. “É uma empresa familiar, e a família toda trabalha muito aqui”, diz Zonenschein. Para alcançar a meta de faturar R$ 140 milhões em 2026, somando as operações do Brasil e dos Estados Unidos, a Dimona aposta na ampliação do portfólio e na oferta de produtos de maior valor agregado.
A empresa tem investido em camisetas premium de algodão, modelos de algodão Pima, peças fitness, tecidos tecnológicos, camisetas estonadas e moletons de alta qualidade. Como fabrica as próprias camisetas no Brasil, a companhia afirma conseguir oferecer produtos personalizados a preços competitivos em relação aos praticados pelo mercado.
Leonardo Zonenschein e Luis Blumberg, sócios da Dimona: gestão familiar e estratégia de expansão no mercado de camisetas personalizadas (Aline Oliveira)
A estratégia também acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores, que buscam maior liberdade para expressar sua identidade por meio das roupas. Para atender a essa demanda, a Dimona oferece desde peças lisas até a possibilidade de criar estampas próprias, tanto para consumidores individuais quanto para empresas. “Acho que as pessoas se tornaram marcas. A mídia social trouxe isso”, afirma.
Nesse movimento, a empresa lançou uma ferramenta que utiliza inteligência artificial para transformar ideias em estampas. O usuário descreve o que deseja em um comando de texto, e a plataforma gera a arte, aplica o desenho aos produtos disponíveis e permite concluir a compra em poucos minutos. A solução busca simplificar o processo para quem não tem conhecimentos de design e ampliar o acesso à personalização.
Para sustentar o crescimento, a Dimona também está investindo em tecnologia e eficiência operacional. A empresa prepara a implementação de uma plataforma de inteligência artificial para aprimorar o primeiro contato com os clientes e ajudar a equipe comercial a identificar as necessidades de cada pedido, recomendando o tipo de camiseta, a técnica de estamparia e o prazo mais adequados.
A proposta é combinar automação e atendimento humano, sem substituir os vendedores. “Eu não acredito no atendimento 100% por IA, principalmente no nosso negócio, mas acredito que a tecnologia pode nos ajudar a aprimorar as informações para que o vendedor consiga entrar de uma maneira mais efetiva”, afirma Zonenschein.
Outra frente é o aumento da capacidade produtiva. Após ampliar a fábrica brasileira, a companhia informa ter capacidade diária de estamparia de 9 mil peças no Brasil e 5 mil nos Estados Unidos. Em paralelo, contratou uma consultoria para elaborar um planejamento estratégico para os próximos cinco anos.
O objetivo é consolidar a Dimona como referência nacional em personalização, ampliando o reconhecimento da marca para além do Rio de Janeiro, onde já é conhecida pelo serviço. “Queremos que as pessoas lembrem da Dimona em primeiro lugar quando precisarem estampar camisetas e acessórios para qualquer quantidade, seja uma peça seja milhares”, diz.
