Eleição pode virar o jogo do dólar: o que esperar de câmbio e juros após o 1º turno
No último pregão antes do primeiro turno das eleições, o dólar à vista opera na faixa de R$ 5,20 nesta sexta-feira (2), e parte do mercado já espera uma forte reação do câmbio aos resultados do próximo domingo (4), em meio à corrida mais acirrada desde 2002. Com a disputa entre Luiz Inácio Lula da […]

No último pregão antes do primeiro turno das eleições, o dólar à vista opera na faixa de R$ 5,20 nesta sexta-feira (2), e parte do mercado já espera uma forte reação do câmbio aos resultados do próximo domingo (4), em meio à corrida mais acirrada desde 2002.
Com a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) praticamente empatada, bancos trabalham com cenários bastante distintos para o câmbio após as urnas — de uma valorização expressiva do real a uma nova rodada de pressão sobre a moeda brasileira.
No início da semana, o Citi, por exemplo, se posicionou para uma valorização do real via opções, diante da leitura de que o mercado enxerga Flávio como o favorito.
“Queremos ter alguma exposição ao cenário antes do primeiro turno, quando boa parte da incerteza poderá ser dissipada, mantendo alguma munição para aumentar a posição caso [Flávio] Bolsonaro vença”, disse a equipe de estrategistas do banco liderada por Dirk Willer.
“Como grande parte da incerteza provavelmente já será dissipada no primeiro turno, acreditamos ser importante ter alguma exposição ao cenário de antemão, antes de possivelmente ter de correr atrás de uma alta dos ativos brasileiros após o primeiro turno.”
Outras casas também apostam em uma forte apreciação da moeda brasileira no dia seguinte ao primeiro turno: o Goldman Sachs avalia que o dólar pode ser negociado na faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80, o Wells Fargo vê um dólar a R$ 4,75, e o JPMorgan a R$ 4,80, também considerando uma sinalização a uma mudança de governo.
Já em caso de uma vantagem de Lula no primeiro turno, reforçando uma eventual reeleição, os bancos projetam o dólar próximo a R$ 5,80.
E os juros?
Em relatório recente, o Goldman Sachs vê uma assimetria relevante e também espera uma reação da curva de juros ao resultado do primeiro turno das eleições, principalmente na ponta mais curta das taxas de Depósito Interfinanceiro (DI).
“Em nossa visão, um resultado eleitoral que os investidores percebam como favorável ao mercado poderia servir como catalisador para eliminar parte desse residual, atualmente estimado em 80 pontos-base, em média, entre os vértices de 2 e 10 anos da curva de DI“, avaliam os estrategistas.
O movimento, segundo o banco, também poderia ir além de uma reação imediata ao resultado eleitoral. “O valor justo de toda a curva de DI poderia cair ainda mais — representando uma segunda etapa da operação pós-eleitoral”, afirma.
Nesse cenário, o banco também vê espaço para um achatamento da ponta longa da curva, especialmente se a redução da Selic gerar economia nas despesas fiscais do governo.
Por outro lado, os estrategistas também mantêm à mesa o risco, ainda que limitado, de uma venda abrupta de títulos e alta das taxas caso o resultado eleitoral seja percebido pelo mercado como um reforço do status quo político e fiscal.
“Acreditamos que isso poderia se assemelhar à reação do mercado observada em 5 de dezembro de 2025, quando notícias na imprensa sobre o candidato escolhido pela oposição foram interpretadas pelos mercados como uma redução da probabilidade de mudança política e fiscal”, destacaram os estrategistas do banco, mencionando o ‘Flávio Day’.
Neste caso, o banco considera que o risco-retorno favorece posições receivers — expressas na parte intermediária da curva de DI.
