Eleições 2026: As ações do varejo para ficar de olho, segundo JP Morgan
O primeiro turno das eleições ocorre no próximo domingo (4) e o varejo brasileiro entra no período eleitoral com valuations deprimidos e revisões de resultados majoritariamente negativas, na leitura do JP Morgan. O banco avalia que o cenário cria boas oportunidades caso os prêmios de risco político e as taxas de juros recuem. Apesar de […]

O primeiro turno das eleições ocorre no próximo domingo (4) e o varejobrasileiro entra no período eleitoral com valuations deprimidos e revisões de resultados majoritariamente negativas, na leitura do JP Morgan. O banco avalia que o cenário cria boas oportunidades caso os prêmios de risco político e as taxas de juros recuem.
Apesar de as expectativas apontarem para uma administração mais disciplinada do ponto de vista fiscal e para um ambiente potencialmente mais favorável em termos de juros e custo de capital próprio, os analistas ponderam que o resultado eleitoral não está claramente inclinado para esse cenário.
“Considerando a fluidez da situação eleitoral e a relevância do fluxo de capital local para o setor, vemos o posicionamento mudando rapidamente para ações expostas ao mercado doméstico, com preços (e valuations) se movimentando de forma significativa antes do evento”, dizem os analistas do banco.
Na leitura do JP Morgan, esse contexto altera a relação risco-retorno dos diferentes cenários, comprimindo os cenários de alta e de baixa.
Ainda que nomes mais alavancados, como Magazine Luiza (MGLU3)e Assaí (ASAI3), fossem as escolhas naturais em um cenário de juros mais baixos, após a recente valorização dessas ações, o banco vê neste momento uma assimetria risco-retorno mais atrativa nas empresas de vestuário, Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3), uma vez que seus valuations deprimidos podem amortecer o risco de queda.
Enquanto isso, o banco acredita que o aumento das posições vendidas em Smart Fit (SMFT3), que vem sendo utilizada como fonte de financiamento para operações de maior beta, altera a dinâmica para essa empresa, que negocia com forte desconto e apresenta crescimento consistente de lucro por ação, favorecendo uma posição comprada no papel neste momento.
Cenário difícil para o consumo
Independentemente de qual seja o resultado da eleição, o ano de 2027 ainda deve apresentar um cenário de fortes obstáculos para o consumo, na leitura do JP Morgan.
Mesmo com o desemprego ainda baixo, a desaceleração da atividade econômica em meio a juros elevados, alto endividamento das famílias, o aumento da inadimplência das pessoas físicas e o crédito caro devem restringir o poder de compra e dificultar o acesso ao financiamento.
“A menor confiança do consumidor e as intenções de gastos contidas devem manter as famílias na defensiva, priorizando itens essenciais, poupança e pagamento de dívidas em detrimento dos gastos discricionários, criando um cenário difícil para os varejistas”, dizem os analistas.
Algumas medidas de política econômica pós-eleição, como restrições às apostas, Desenrola 3.0 e aumento do Bolsa Família, poderiam oferecer suporte temporário ao consumo ou à desalavancagem das famílias, mas esses efeitos provavelmente serão desiguais e não recorrentes.
Em todo o varejo, o JP Morgan revisou as estimativas de lucro líquido para baixo em aproximadamente 2%, em média, e 5% quando considerado o valor mediano.
Magazine Luiza é vencedora?
Por outro lado, as revisões positivas mais relevantes das expectativas são para o Magazine Luiza, à medida que os analistas incorporam ganhos de participação de mercado esperados decorrentes da recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3), além da parceria recente com o Mercado Livre (MELI34), e para a Alpargatas (ALPA4), refletindo a melhora das tendências operacionais nos mercados internos e o fortalecimento da execução no Brasil.
Há ainda um potencial de alta significativo para a maioria dos nomes sob cobertura, particularmente se um ambiente de juros mais baixos se materializar.
As ações para ficar de olho
Os principais betas do setor, ou seja, com maior sensibilidade a um cenário de queda dos juros, são o Magalu, para o qual o JP Morgan tem classificação Underweight (equivalente à venda) e, particularmente, Assaí (ASAI3), com recomendação neutra. Os dois nomes são os varejistas mais alavancados da cobertura do banco, apresentando alta sensibilidade a juros e custo de capital próprio mais baixos.
No entanto, as ações se movimentaram significativamente. À medida que o mercado começa a considerar um cenário de juros mais baixos, o setor de varejo apresentou desempenho em linha com o Ibovespa, mas impulsionado principalmente por Magalu e Assaí.
O varejo de vestuário fast fashion, com Lojas Renner, C&A e Riachuelo, parece ser uma boa aposta para as eleições neste momento, segundo os analistas. O banco tem classificação Neutra para LREN3 e Overweight (equivalente à compra) para CEAB3 e RIAA3.
De um lado, a perspectiva de curto prazo continua fraca, com novas revisões negativas do LPA (lucro por ação) no horizonte. De outro, as expectativas de crescimento dos resultados são bastante conservadoras, os valuations já estão deprimidos e não há problemas de balanço.
Já o posicionamento em Smart Fit, com classificação Overweight, favorece a operação comprada. Os analistas ponderam que muitos argumentam que a companhia não é uma ação de beta; o Brasil representa apenas cerca de 40% dos negócios; e um cenário de juros mais baixos para a companhia não ajudaria a aliviar as pressões decorrentes da rápida expansão da concorrência.
Ainda assim, embora a concorrência e os impactos de um negócio de agregadores em crescimento dominem as discussões, a análise de sensibilidade sugere que o valuation atual oferece uma margem de proteção significativa contra riscos de queda do LPA.
“Além disso, como uma empresa com exposição à América Latina, acreditamos que seu valuation reflete o ambiente de custo de capital próprio do Brasil, e não a diversificação de seus negócios”, diz o banco.
O JP Morgan vê a RD Saúde (RADL3), com classificação Overweight, como uma operação de duration longa, que pode capturar o benefício dos juros, enquanto o desconto atual sobre o valor justo limita o risco de queda.
A companhia apresenta o maior duration de DCF (fluxo de caixa descontado) entre as empresas de varejo brasileiro sob cobertura do banco, dada a solidez dos vetores estruturais que impulsionam o setor, sua resiliência histórica e a liderança da companhia em um setor em consolidação.
Já a atratividade de Alpargatas e Natura, ambas com recomendação neutra, é limitada pelo valuation.
“A Alpargatas é o nome para o qual temos revisado as estimativas consistentemente para cima, inclusive desta vez (+8% no LPA e novo preço-alvo de dezembro de 2027 de R$ 17 por ação, substituindo o preço-alvo de dezembro de 2026 de R$ 13,50), sendo uma das poucas empresas com risco concreto de alta em relação ao consenso”, dizem os analistas.
As revisões são impulsionadas pelo fortalecimento da execução tanto no Brasil quanto nos mercados internacionais, que está levando a um crescimento maior da receita e das margens.
No caso da Natura, o banco rebaixou a ação de Overweight para neutra.
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