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Sacre Investimentos
EconomiaACS
01/10/2026
4 min

Eleições 2026: o que pode levar o Ibovespa aos 248 mil pontos — ou derrubá-lo a 165 mil, segundo a XP

XP considera a bolsa brasileira ainda barata e indica ações para diferentes cenários políticos, fiscais e cambiais após o pleito deste mês

Eleições 2026: o que pode levar o Ibovespa aos 248 mil pontos — ou derrubá-lo a 165 mil, segundo a XP

Não é apenas o futuro do paísque se cerca de incertezas às vésperas das eleições de 2026. Na avaliação da XP Investimentos, o mercadotambém vive uma “encruzilhada”, com o humor ditado pelas dúvidas sobre a trajetória dos juros, a situação fiscal e o apetite global por risco.

Para os próximos meses, a corretora mantém uma visão construtiva para a bolsa brasileira e reiterou o preço-alvo de 200 mil pontos para o fim de 2026 — cerca de 7% acima dos 187.197,46 pontos (+0,46%) registrados no fechamento desta quinta-feira (1º).

Além da projeção-base, a XP também traçou dois cenários alternativos: um otimista, em que o índice poderia alcançar 248 mil pontos, e outro pessimista, com um recuo para 165 mil pontos.

Mas por que a corretora ainda vê espaço para a bolsa subir? O mercado brasileiro negocia a cerca de 8,5 vezes o lucro projetado, múltiplo 15% inferior ao dos mercados emergentes e 49% abaixo do observado nas bolsas globais.

Em outras palavras, as açõesbrasileiras estão relativamente baratas. Isso, porém, não elimina os riscos que devem permanecer no radar em 2027.

Riscos preocupam, mas estrangeiros voltam às compras

Segundo a XP, as contas públicas e a trajetória dos juros estão entre os principais riscos para o mercado, sobretudo diante do avanço da dívida bruta brasileira — já equivalente a 83% do Produto Interno Bruto (PIB) e que cresce cerca de três pontos percentuais por ano.

Nesse cenário, quanto maior a percepção de risco fiscal, maior tende a ser o retorno exigido pelos investidores para financiar o governo e aplicar em ativos do país. Por consequência, isso pode pressionar os juros e reduzir a atratividade da bolsa.

Para a XP, porém, parte do mercado já parece ter começado a se posicionar para as eleições presidenciais. Os investidores estrangeiros voltaram às compras em setembro, com entrada líquida de R$ 9,6 bilhões no mercado à vista, após uma retirada de R$ 18 bilhões em agosto.

Ainda assim, outra boa parte dele permanece em compasso de espera, aguardando maior clareza sobre o ambiente político e macroeconômico antes de ampliar a exposição ao Brasil.

Ações recomendadas para cada cenário

A XP também indicou ações para diferentes cenários políticos, fiscais e cambiais no Brasil.

Para a corretora, as ações ligadas à chamada “política alternativa” podem se beneficiar de um ambiente político mais favorável ao mercado. A cesta reúne Petrobras(PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Sabesp(SBSP3), B3(B3SA3) e Localiza(RENT3).

Se houver deterioração fiscal, ou seja, uma piora das contas públicas, a XP prefere empresas mais defensivas ou expostas ao dólar, como Aura (AURA33), Petrobras (PETR4), Gerdau (GGBR4), WEG(WEGE3) e Suzano(SUZB3).

Em um cenário de valorização do real, geralmente acompanhado por uma melhora da percepção de risco e pela queda dos juros, a corretora destaca empresas mais ligadas à economia doméstica e menos dependentes da moeda estrangeira. Entre elas estão Rede D’Or (RDOR3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Cyrela(CYRE3) e Allos(ALOS3).

Já diante de uma desvalorização do real, a casa destaca Prio (PRIO3), Vale(VALE3), Suzano (SUZB3), Klabin(KLBN11), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3). Por serem exportadoras ou terem receitas dolarizadas, essas empresaspodem oferecer alguma proteção em períodos de enfraquecimento da moeda brasileira.

Carteira de outubro da XP

Já na carteira recomendada para outubro, a XP decidiu aumentar moderadamente a exposição ao risco.

A corretora dobrou a participação do BTG Pactual (BPAC11), de 5% para 10%, devido à exposição do banco ao mercado de capitais e à qualidade de sua operação. O peso de Iguatemi(IGTI11) também subiu para 10%, apoiada pela qualidade dos ativos e pelo potencial de valorização diante de uma queda dos juros de longo prazo.

A XP ainda reforçou a posição em Sabesp (SBSP3), que passou de 7,5% para 10% da carteira. Segundo a casa, a companhia está entre as preferidas dos investidores estrangeiros e pode ser beneficiada por uma retomada do fluxo de capital para o Brasil.

Para acomodar essas mudanças, a XP reduziu a participação de Rede D’Or (RDOR3) de 10% para 5%, após a valorização recente das ações. O peso de Gerdau (GGBR4) também caiu pela metade, de 10% para 5%, abrindo espaço para ativos mais ligados ao ciclo doméstico.

Recapitulando:

Petrobras PETR4 10,0% Compra R$ 63,00
Prio PRIO3 5,0% Compra R$ 78,00
Gerdau GGBR4 5,0% Compra R$ 30,00
Vale VALE3 5,0% Neutro R$ 82,00
Embraer EMBR3 10,0% Compra R$ 116,00
Totvs TOTS3 5,0% Compra R$ 47,00
Iguatemi IGTI11 10,0% Compra R$ 35,00
Cury CURY3 5,0% Compra R$ 45,00
Rede D’Or RDOR3 5,0% Compra R$ 45,00
Axia Energia AXIA3 7,5% Compra R$ 55,52
Sabesp SBSP3 10,0% Compra R$ 36,84
Itaú Unibanco ITUB4 7,5% Compra R$ 50,00
BTG Pactual BPAC11 10,0% Compra R$ 63,00
Nubank ROXO34 5,0% Compra R$ 18,60

*Sob supervisão de Carolina Gama

AutorIsabella Scaramucci
FonteSeu Dinheiro
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