Eleições devem aumentar o movimento na Bolsa de Valores no fim do ano, projeta UBS BB
O banco pondera, porém, que a fuga de capital estrangeiro e os riscos macroeconômicos devem limitar a recuperação da bolsa brasileira

Os períodos de eleições presidenciais no Brasil são historicamente marcados por maior volatilidade nos mercados, o que tende a elevar o volume de negociações na Bolsa. É o que aponta o UBS BB em relatório sobre as perspectivas para a B3, no qual o banco avalia que a atividade de negociação pode ganhar força no 2° semestre deste ano à medida que o ciclo eleitoral se aproxima.
A análise dos três últimos ciclos eleitorais — 2014, 2018 e 2022 — mostra, segundo o banco, uma "aceleração relevante" da atividade de negociação no terceiro e no quarto trimestres dos anos eleitorais.
Comas eleições presidenciais marcadas para outubro, o UBS BB projeta uma recuperação dos volumes da B3 nos próximos meses, apesar da perda de ritmo observada no primeiro semestre.
"Historicamente, os períodos eleitorais no Brasil têm sido caracterizados por maior volatilidade de mercado, o que se traduz em volumes de negociação mais elevados", afirma o banco.
A expectativa é que o volume financeiro médio diário negociado (ADTV, na sigla em inglês) da B3 avance para R$ 28,4 bilhões no terceiro trimestre e R$ 31,1 bilhões no quarto trimestre, acima do registrado em julho. No mês passado, o ADTV ficou em R$ 22,6 bilhões, uma queda de 24% em relação a junho.Recuperação, porém, ficará abaixo do pico do ano
O UBS BB, porém, pondera que a recuperação não deve levar os volumes aos níveis registrados no início do ano. A atividade nos primeiros meses de 2026 foi beneficiada por fortes entradas de capital estrangeiro, que perderam força ao longo dos últimos meses.
Em agosto, os investidores estrangeiros acumulavam uma saída líquida de R$ 21 bilhões, segundo o relatório.
De acordo com o banco, esse movimento ajuda a explicar a redução das perspectivas para os volumes nos próximos anos. "Os influxos estrangeiros continuam diminuindo no Brasil", afirma o UBS BB. Para 2027 e 2028, o banco reduziu em 6% suas projeções de ADTV, embora mantenha, no cenário-base, a expectativa de crescimento adicional dos volumes de negociação.
Os dados operacionais mais recentes também contribuíram para uma visão mais cautelosa. O UBS BB classificou os números de julho como “pouco animadores”, embora tenha destacado uma recuperação nos dados acumulados até 24 de agosto. O banco também considera que os períodos de férias em importantes mercados internacionais podem ter afetado a atividade de negociação no mês passado.
Além da pressão sobre os volumes, o banco vê baixa visibilidade para o desempenho da B3 no médio prazo. As perspectivas para 2027 e 2028, segundo o relatório, dependem em grande medida da evolução do ambiente macroeconômico brasileiro. Diante desse cenário, o UBS BB também reduziu em 1% suas estimativas de lucro para 2026 e 2027.
UBS mantém recomendação de compra
Apesar dos riscos, a avaliação da B3 continua positiva. O UBS BB manteve a recomendação de “Compra” para as ações, com preço-alvo de R$ 18,50. Para o banco, os múltiplos atuais oferecem uma relação favorável entre preço e perspectivas, mesmo diante das incertezas sobre o crescimento dos volumes.A B3SA3 é negociada atualmente a 12,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica de aproximadamente 14 vezes. Na comparação com outras bolsas, a ação apresenta um prêmio de 6% em relação à mexicana BMV, ante uma média histórica de 18%.
"Embora a visibilidade sobre os volumes no médio prazo continue limitada, acreditamos que a avaliação atual reflete parte da incerteza em torno das perspectivas operacionais", afirma o UBS BB.
