Eleições dos EUA: Trump perde maioria no Congresso em vitória histórica dos democratas
Partido conquista sete cadeiras no Senado, retoma o controle da Câmara e vence disputas históricas em redutos republicanos, como Texas e Kansas

Uma onda histórica de vitórias democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3, mudou o equilíbrio de forças no Congresso e em governos estaduais pelo país. O resultado representa uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump, que apoiou candidatos republicanos em disputas importantes e incentivou seus eleitores a comparecer às urnas como se ele próprio estivesse na cédula.
Os democratas conquistaram sete cadeiras ocupadas por republicanos no Senado, garantindo a maioria na Casa, e retomaram o controle da Câmara dos Representantes. O partido também avançou em governos estaduais e assembleias legislativas, vencendo disputas em regiões tradicionalmente alinhadas aos republicanos.
A dimensão da vitória ficou evidente em estados como Texas, Kansas e Carolina do Sul, onde os democratas alcançaram resultados históricos. No Texas, o partido voltou a eleger democratas para cargos estaduais pela primeira vez desde 1994. Já no Kansas, venceu uma eleição para o Senado pela primeira vez desde 1932.
O resultado também representa um revés para Trump, que viu candidatos escolhidos ou apoiados por ele perderem disputas importantes. Entre eles estão Ken Paxton, derrotado na corrida pelo Senado no Texas, e Vivek Ramaswamy, que perdeu a eleição para governador de Ohio.
Democratas conquistam maioria no Senado
Os democratas conquistaram sete cadeiras republicanas no Senado, nas disputas realizadas em Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul e Texas. O partido também manteve todos os assentos que já ocupava.
Entre as vitórias mais simbólicas está a de James Talarico, que derrotou o republicano Ken Paxton na disputa pelo Senado no Texas. O resultado encerra uma sequência de décadas sem vitórias democratas em eleições estaduais no estado e representa uma derrota para o candidato apoiado por Trump.
A disputa também entrou para a história como a eleição para o Senado mais cara dos Estados Unidos.
No Maine, o democrata Troy Jackson derrotou a republicana Susan Collins, que tentava conquistar seu sexto mandato. No Kansas, Adam Hamilton venceu o senador republicano Roger Marshall, marcando o retorno dos democratas ao cargo após mais de 90 anos.
Outro resultado de destaque ocorreu na Carolina do Sul. Annie Andrews derrotou Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham, e conquistou uma cadeira que estava nas mãos dos republicanos desde 1964, quando Strom Thurmond trocou de partido.
Democratas avançam no Meio-Oeste
A onda democrata também alcançou estados do Meio-Oeste americano, região em que o partido vinha enfrentando dificuldades eleitorais há anos. Os democratas venceram disputas para governador e para o Senado em Iowa, Michigan, Minnesota e Ohio.
Em Iowa, Josh Turek derrotou a republicana Ashley Hinson na corrida pelo Senado, em uma disputa marcada por críticas às tarifas de Trump e ao aumento dos preços do diesel em meio à guerra com o Irã.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown conseguiu retornar ao Senado ao derrotar o republicano Jon Husted, dois anos depois de perder a outra cadeira do estado. Em Michigan, Abdul El-Sayed venceu o republicano Mike Rogers, enquanto, em Minnesota, a vice-governadora Peggy Flanagan derrotou a ex-apresentadora esportiva Michele Tafoya.
O avanço também chegou às assembleias estaduais. Os democratas derrubaram supermaiorias republicanas em estados como Indiana e Missouri, ampliando a presença do partido em regiões onde os republicanos haviam consolidado sua força nos últimos anos.
Texas tem vitória histórica dos democratas
O Texas foi um dos principais símbolos da virada democrata. Além da vitória de James Talarico para o Senado, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott e conquistou o comando do estado.
O resultado encerra mais de 30 anos sem vitórias democratas em disputas estaduais no Texas. Abbott, que buscava um quarto mandato após três eleições consecutivas, tinha uma vantagem financeira expressiva, com mais de US$ 100 milhões em recursos de campanha.
A mudança representa uma derrota significativa em um dos principais redutos republicanos dos Estados Unidos e reforça a dimensão nacional da onda democrata.
Eleição indica rejeição à agenda de Trump
A derrota republicana representa uma rejeição às decisões e à agenda de Trump em seu segundo mandato, segundo a análise da CNN. Os ganhos eleitorais obtidos pelos republicanos durante a era Trump, especialmente entre eleitores latinos e em áreas rurais, foram revertidos em uma única noite.
Trump, porém, rejeitou a responsabilidade pelo resultado. Em entrevista à Fox News, afirmou que não considera o desempenho republicano uma derrota pessoal e defendeu os resultados de seu governo.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente também argumentou que os republicanos teriam vencido com ampla margem caso ele próprio estivesse na cédula. Afirmou ainda que a derrota foi uma surpresa pequena e atribuiu o resultado ao cenário político do momento.
