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Mundo
28/10/2026
4 min

Eleições em Israel: apuração parcial indica impasse; entenda os 4 cenários possíveis

Com 77% dos votos contabilizados, blocos de Netanyahu e Eisenkot não alcançam maioria no Parlamento; negociações podem envolver siglas árabes ou nova ida às urnas.

Eleições em Israel: apuração parcial indica impasse; entenda os 4 cenários possíveis
RESUMO +

Com 77% dos votos apurados nas eleições em Israel, a aliança do centrista Gadi Eisenkot soma 49 assentos, ante 54 do bloco de direita e extrema direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Nenhum lado alcançou as 61 cadeiras necessárias para controlar o Knesset, Parlamento israelense de 120 membros, o que abre quatro cenários: coalizão, governo minoritário, unidade nacional ou novas eleições.

Com a apuração alcançando 77% dos votos, o cenário legislativo em Israel mostra um equilíbrio de forças. As estimativas indicam 49 assentos para a aliança liderada pelo centrista Gadi Eisenkot, enquanto o grupo de direita e extrema direita, encabeçado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, soma 54 cadeiras.

Nenhum dos dois lados atingiu a marca de 61 deputados exigida para garantir maioria absoluta no Knesset, o Parlamento israelense composto por 120 membros. No entanto, Eisenkot desponta com melhores condições para atrair novos parceiros. Diante desse quadro, quatro cenários principais se desenham para o país:

1. Formação de uma coalizão

Nos próximos dias, após a confirmação oficial dos resultados, o presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá convocar o candidato que julgar mais capacitado a reunir o mínimo de 61 parlamentares para formar o governo. A partir daí, começam as negociações, que tendem a ser longas e difíceis.

As siglas árabes israelenses, com destaque para o Raam, sinalizaram abertura para compor com o bloco de Eisenkot, embora o centrista tenha se distanciado delas na campanha por temer desgaste. Já o grupo de Netanyahu enfrenta dificuldades para ampliar sua bancada, pois algumas legendas menores de direita não atingiram o limite mínimo de votos para entrar no Parlamento. Vale lembrar que, após o pleito de novembro de 2022, Netanyahu levou 58 dias para montar seu atual governo.

2. Governo de minoria

Caso a marca de 61 cadeiras não seja atingida por nenhum dos blocos, abre-se caminho para um governo minoritário, sustentado por apoios pontuais no Legislativo.

Nesta conjuntura, os dois partidos árabes israelenses assumiriam um papel de árbitros da situação. O Raam, comandado por Mansur Abbas, já se mostrou disposto a atuar junto ao bloco de Eisenkot. Ao mesmo tempo, a Lista Unificada sugeriu fornecer uma "rede de segurança" a qualquer aliança disposta a tirar Netanyahu do poder.

Apesar disso, os líderes da oposição hesitaram durante a campanha em formar alianças com os árabes israelenses, temendo a forte rejeição de grande parte dos eleitores. Sabendo dessa fragilidade, Netanyahu focou sua retórica contra uma eventual união entre Eisenkot e os partidos árabes, classificando a aproximação como uma aliança entre a "esquerda e a Irmandade Muçulmana" e como uma ameaça ao Estado de Israel.

3. Governo de unidade nacional

Ainda que pareça irreal diante da intensa polarização em Israel, analistas frequentemente citam a possibilidade de uma união entre os chamados partidos "sionistas", deixando de fora as siglas ultrarreligiosas e árabes.

Uma sondagem divulgada em meados de outubro apontou que 55% dos entrevistados seriam favoráveis a um governo de unidade nacional em vez de novas eleições, caso não houvesse uma maioria clara.

Há um exemplo recente desse modelo: em 2020, mesmo sendo inimigos políticos, Netanyahu e o centrista Benny Gantz firmaram um pacto de divisão de poder após três votações em menos de um ano. O acordo estabelecia uma rotação no cargo de primeiro-ministro, mas a aliança ruiu em um ano, inviabilizando a alternância.

Recentemente, veículos de imprensa noticiaram que o presidente Herzog atua nos bastidores para promover uma aproximação entre Eisenkot e Netanyahu em caso de indefinição. A ideia, contudo, esbarra em forte rejeição de ambas as partes, sobretudo da oposição, que tratou o pleito como um referendo sobre o atual primeiro-ministro.

Gadi Eisenkot, principal concorrente de Netanyahu, nas eleições de Israel (Yahav Trudler - Yahav Studio/Creative Commons)

4. Impasse e novas eleições

Se as tentativas de formar um governo fracassarem, os israelenses terão de voltar a votar. A falta de consenso para estabelecer coalizões duradouras já levou o país a realizar quatro eleições entre abril de 2019 e março de 2021.

O político escolhido pelo presidente terá um prazo inicial de 28 dias para montar a coalizão, com a possibilidade de uma extensão de 14 dias — embora existam outras manobras para evitar a convocação imediata de um novo pleito. Durante todo esse processo de indefinição, Netanyahu segue no cargo de primeiro-ministro.

Com AFP

AutorDiego Pavão
FonteExame
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