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Mundo
27/10/2026
5 min

Eleições em Israel: Netanyahu alega fraude em pleito histórico com alta participação

Primeira votação desde os ataques de 7 de outubro registra maior adesão desde 1973; atual premiê aparece empatado com o centrista Gadi Eisenkot

Eleições em Israel: Netanyahu alega fraude em pleito histórico com alta participação
RESUMO +

Nas eleições em Israel desta terça-feira, 27, as primeiras desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou três funcionários ligados à Lista Árabe Unida de tentar fraudar o pleito. A comissão eleitoral israelense tratou o episódio como um caso isolado sob investigação. A participação chegou a 44,9% à tarde, a maior desde 1973, segundo o órgão.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apontou nesta terça-feira (27) supostas tentativas de fraude nas primeiras eleições realizadas no país desde os ataques do grupo islamista Hamas, em 7 de outubro de 2023. O pleito é marcado por extrema polarização e por um comparecimento massivo dos eleitores às urnas.

A votação ocorre sob a sombra de três anos de conflitos regionais desencadeados após os ataques. O cenário traz questionamentos sobre a reação do Estado israelense e coloca a segurança como o principal pilar da campanha eleitoral.

Levantamentos recentes apontam um empate entre Netanyahu e seu maior adversário, o centrista Gadi Eisenkot. Ex-comandante militar de perfil sereno, Eisenkot é considerado um estreante no cenário político.

De acordo com a comissão eleitoral, a taxa de adesão dos eleitores atingiu 44,9% durante a tarde, configurando a maior participação no país desde 1973.

O encerramento da votação estava previsto para as 22h00 (17h00 no horário de Brasília). O Likud, partido do atual premiê, solicitou a prorrogação do prazo, mas enfrentou a oposição do Yashar, sigla de Eisenkot, que justificou a recusa afirmando que "não ocorreu nenhum incidente excepcional" para embasar a mudança.

Com sua continuidade no poder ameaçada, Netanyahu alegou que "três funcionários de alto escalão" vinculados ao partido Lista Árabe Unida (Ra’am) "estão tentando roubar as eleições". A acusação veio após a detenção dessas pessoas no sul do território israelense com envelopes contendo dinheiro.

Contudo, autoridades eleitorais esclareceram que o trio foi abordado nas proximidades de suas residências e que "ainda não haviam chegado aos locais de votação". O órgão classificou o episódio como um "caso isolado" que segue sob investigação.

Em resposta, o líder do Ra'am, Mansur Abbas, declarou que Netanyahu tenta "mentir" e "espalhar medo" com o intuito de "mobilizar os eleitores de direita". O partido Yashar, por sua vez, avaliou que o primeiro-ministro busca preparar "o terreno" para rejeitar o resultado das urnas em caso de revés.

Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, em Nova York (Michael M. Santiago/Getty Images) (Michael M. Santiago/Getty Images)

A jornada eleitoral também registrou um incidente em Tel Aviv. A polícia deteve um homem armado com uma faca que tentou se aproximar de forma ameaçadora do líder de esquerda Yair Golan. Por meio de nota, Golan garantiu: "A incitação e a violência não vão nos intimidar".

O pleito ocorre em uma fase de crescente isolamento internacional de Israel, motivado pela ofensiva militar em Gaza, pela expansão de assentamentos e pela violência de colonos na Cisjordânia ocupada. O cenário interno também é marcado por uma inclinação à extrema direita e ao nacionalismo religioso.

"Agora ou nunca"

Dezenas de milhares de israelenses que vivem no exterior retornaram ao país exclusivamente para participar da votação.

"Sinto que este é o momento decisivo. É agora ou nunca; caso contrário, o país realmente não vai sobreviver", afirmou Eilana Zisblit, de 55 anos, que voltou a Israel pela primeira vez após quase três décadas morando no Canadá. Eleitora do bloco de Eisenkot, ela complementou: "O país está seguindo em uma direção muito, muito ruim. Tanto para os judeus e os árabes que vivem aqui, quanto para os judeus que vivem no exterior".

O sentimento ecoa entre diversos eleitores ouvidos pela agência AFP, evidenciando a forte divisão na nação de quase 10 milhões de habitantes.

"Esta é a eleição mais importante porque metade do país rejeitou os valores básicos sobre os quais o Estado de Israel foi criado", avaliou Noam, de 78 anos.

Já a aposentada Zipporah Bennett, de 85 anos, revelou seu voto em Netanyahu sob a justificativa de que "ele tem a experiência de conduzir o país em momentos difíceis".

Conflitos e disputas por alianças

Aos 77 anos, Netanyahu acumula 19 anos não consecutivos no cargo de primeiro-ministro. Durante a campanha, ele focou na área de segurança e exaltou sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde que reassumiu o poder em dezembro de 2022, o líder conservador deflagrou diversas frentes de guerra: deixou Gaza em ruínas, ocupou o sul do território libanês e, com o respaldo americano, bombardeou o Irã, seu adversário regional.

Em contrapartida, os cidadãos israelenses sofreram com bombardeios disparados pelo Irã, pelo Hamas, pelos houthis do Iêmen e pelo grupo libanês Hezbollah. A população também vivenciou o pior ataque já registrado na história do país, episódio pelo qual parcela expressiva responsabiliza o atual premiê.

Do outro lado, Eisenkot, de 66 anos, assumiu o compromisso de criar uma comissão independente para apurar as falhas de segurança que permitiram os ataques do Hamas — uma medida que foi rejeitada pelo governo de Netanyahu. O Yashar, partido de Eisenkot, encabeça uma coalizão informal que abrange desde a direita até a centro-esquerda.

Gadi Eisenkot, principal concorrente de Netanyahu, nas eleições de Israel (Yahav Trudler - Yahav Studio/Creative Commons)

Embora seja contrário à formação de um Estado palestino e favorável aos assentamentos, Eisenkot prometeu frear a violência praticada pelos colonos na Cisjordânia. Netanyahu, por sua vez, sustenta-se em um bloco que engloba a extrema direita ultranacionalista e os ultraortodoxos, alas que ganharam forte influência nos últimos anos.

A apuração definitiva dos resultados pode levar dias para ser concluída. Dificilmente uma única legenda alcançará as 61 cadeiras exigidas para formar maioria no Parlamento (Knesset), que possui 120 membros.

Diante desse cenário, os partidos de maioria árabe tendem a ser decisivos para inclinar a balança. Apesar de representarem 21% da população, essas siglas não receberam, até o momento, indicativos públicos de aliança nem por parte de Eisenkot nem de Netanyahu.

Com AFP

 

AutorDiego Pavão
FonteExame
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