‘Eleitor endividado de São Paulo vai ser o divisor de águas’: estrategista da Empiricus analisa o impacto do Bolsa Família nas eleições
O cenário fiscal brasileiro e as medidas relacionadas ao Bolsa Família podem influenciar tanto o mercado financeiro quanto a disputa eleitoral de 2026, segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research. Para ele, os dois fatores estão conectados e representam pontos de atenção para os investidores. Em entrevista ao Giro do Mercado, Spiess destacou que o […]

O cenário fiscal brasileiro e as medidas relacionadas ao Bolsa Família podem influenciar tanto o mercado financeiro quanto a disputa eleitoral de 2026, segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research. Para ele, os dois fatores estão conectados e representam pontos de atenção para os investidores.
Em entrevista ao Giro do Mercado, Spiess destacou que o risco fiscal é um dos principais canais de comunicação das eleições com os ativos financeiros, especialmente diante da possibilidade de novos gastos e da necessidade de ajustes no Orçamento de 2027.
Confira a análise completa no Giro do Mercado
“Estamos percebendo que existe espaço para rompimento adicional do fiscal, então é um gasto que indica que ‘a peça de ficção’ chamada Orçamento 2027 pode comportar o que quiser. O questionamento é se de fato será executado”, afirmou.
Segundo o estrategista, o aumento dos benefícios sociais e a necessidade de um ajuste fiscal no próximo ano podem pressionar os vértices mais longos da curva de juros e os ativos financeiros.
Bolsa Família entra no radar eleitoral
Spiess também apontou que o mercado brasileiro vinha, nas últimas semanas, surfando um rali eleitoral, apesar de um cenário externo mais pressionado por questões geopolíticas.
Nesse contexto, a antecipação do pagamento do Bolsa Família em algumas cidades e o aumento do valor do benefício podem alterar o cenário eleitoral, na avaliação do estrategista.
“A antecipação do pagamento do Bolsa Família em algumas cidades e o aumento do valor pode começar a modificar o imaginário do eleitorado e pode aumentar a chance do Lula de vencer”, disse.
Para ele, a medida também pode ser interpretada como uma tentativa de conter o avanço de Flávio Bolsonaro no Nordeste, região onde há concentração de beneficiários do programa.
Spiess citou a pesquisa Nexus, segundo a qual Lula teria invertido a posição com Flávio Bolsonaro e se tornado preferido nas intenções de voto para o segundo turno, associando esse movimento ao eleitorado beneficiário do Bolsa Família.
Apesar do potencial de aproximação com beneficiários do programa, o estrategista alertou que a iniciativa também pode produzir um efeito contrário ao esperado.
“Também pode ser um ‘tiro pela culatra’, porque por um lado aproxima eleitores beneficiários do Bolsa Família, mas aliena o eleitorado que se vê escanteado, aquele que não recebe o benefício e está distanciado do processo político”, afirmou.
Eleitores moderados de São Paulo podem decidir a eleição
Ao comentar os possíveis fatores determinantes para a disputa presidencial, Spiess destacou o papel dos eleitores moderados e endividados de São Paulo.
“Tenho a impressão de que quem vai decidir essa eleição são os eleitores moderados de São Paulo, notadamente os eleitores endividados. Eles vão ser os divisores de água, algo que temos visto nas eleições Sul-Americanas como um todo”, afirmou.
A declaração relaciona o comportamento do eleitorado com as condições econômicas e financeiras enfrentadas pelas famílias, especialmente aquelas que têm dificuldades para equilibrar o orçamento mensal.
Impacto no Orçamento de 2027
Além dos efeitos eleitorais, Spiess afirmou que os gastos associados à medida não estariam contemplados no Orçamento de 2027.
“O impacto dessa medida não cabe no Orçamento 2027, inclusive algumas coisas do próprio Orçamento vão ter que ser remoduladas para caber”, declarou.
Para o estrategista, o cenário fiscal exigirá mudanças na estrutura das despesas públicas, incluindo uma possível reavaliação do próprio Bolsa Família.
“Em relação ao fiscal, me parece que algumas coisas vão ter que ser redesenhadas. Algumas coisas precisam ser reavaliadas sobre o próprio Bolsa Família”, concluiu.
*Com supervisão de Renan Sousa
