Eles apostaram nos 'escritórios por assinatura' e já miram R$ 35 milhões
Com cinco unidades e mais de 10 mil m² administrados, Flowork atende 600 clientes e planeja três novos endereços em 2027, incluindo a chegada ao interior paulista.

Mesas, cadeiras, reformas, recepção e até o cafezinho. Montar um escritório pode custar caro, consumir tempo e comprometer recursos que poderiam ser investidos no próprio negócio.
Foi justamente essa equação que cinco empreendedores decidiram transformar em oportunidade. Criada em Porto Alegre, em 2017, a Flowork apostou no conceito de “escritório por assinatura” e projeta faturar R$ 35 milhões em 2027, crescimento de 40% sobre os R$ 25 milhões previstos para este ano.
A proposta é simples: em vez de investir na montagem e na administração de um escritório, a empresa contrata um espaço pronto para operar, planejado de acordo com suas necessidades.
O modelo combina o conceito imobiliário de Built to Suit (BTS), no qual os ambientes são desenvolvidos sob medida, com serviços de gestão e manutenção. Na prática, o cliente concentra seus recursos na atividade principal, enquanto a Flowork assume a estrutura física e operacional.
A ideia nasceu da parceria entre Daniel Goldsztein, Daniel Pocztaruk, Marcia de Oliveira Sessegolo, Lourenço Machado Paiva e Luis Napoleão de Oliveira Filho.
No início, os sócios precisaram dedicar horas a reuniões para explicar aos potenciais clientes uma modalidade de ocupação corporativa ainda pouco familiar a muitos executivos. A inspiração veio de operações imobiliárias utilizadas na implantação de agências bancárias, com imóveis customizados para contratos de longo prazo.
Quase uma década depois, a empresa administra mais de 10 mil metros quadrados, distribuídos por cinco unidades: duas em Porto Alegre, duas em Curitiba e uma em Florianópolis.
São 600 clientes, entre eles XP Investimentos, Nestlé, Michael Page, BTG e Booking.com.
O modelo vai além da entrega de mesas e computadores. Dependendo das necessidades do contratante, o projeto pode incluir salas de reunião, auditórios, áreas de convivência e estúdios audiovisuais, tudo com a identidade visual da empresa.
A Flowork também assume serviços como recepção, limpeza, copa, manutenção e administração de despesas do imóvel.
“À primeira vista, o que mais chama a atenção dos potenciais clientes é a possibilidade de abrir um escritório sem comprometer capital de giro”, afirma Daniel Pocztaruk, CEO da Flowork.
Segundo ele, despesas com reformas, mobiliário e equipamentos são incorporadas ao contrato de longo prazo, eliminando a necessidade de um desembolso inicial elevado. A terceirização também permite que as equipes administrativas deixem de dedicar parte de sua rotina à manutenção dos espaços.
Os planos de expansão
Um exemplo recente do modelo está em Florianópolis, onde a Flowork desenvolveu um projeto de 800 metros quadrados para a sede da Viver de IA, empresa investida do G4 Educação.
O espaço reúne 130 estações de trabalho, sete salas de reunião, lounges, copa e um estúdio para produção audiovisual.
Em Curitiba, a empresa foi responsável por um projeto para a XP Investimentos, com 600 metros quadrados, 150 estações de trabalho, auditório e salas de reunião. A operação permitiu concentrar as diferentes áreas da XP na capital paranaense em um único endereço.
Com o modelo consolidado nas três capitais do Sul, a próxima etapa será ampliar a presença geográfica. A Flowork prevê inaugurar três novos endereços em 2027, incluindo operações em Porto Alegre, Curitiba e Campinas, que marcará sua entrada no mercado paulista.
A expansão também envolve uma mudança na estratégia imobiliária. Atualmente, a empresa desenvolve seus escritórios em empreendimentos de construtoras parceiras.
Em novos projetos, pretende oferecer aos clientes a possibilidade de escolher o endereço, ficando responsável por negociar com os proprietários e viabilizar a implantação do espaço.
“Nossa proposta já foi testada e aceita e as mudanças no mercado criam uma situação propícia para o crescimento”, afirma Pocztaruk.
O movimento acompanha uma transformação mais ampla no uso dos escritórios corporativos. Pesquisa do instituto americano Gallup mostra que, em 2019, 60% dos trabalhadores dos Estados Unidos que desempenhavam funções compatíveis com o trabalho remoto atuavam exclusivamente de forma presencial. Outros 32% seguiam o modelo híbrido e apenas 8% trabalhavam inteiramente a distância.
Em agosto de 2026, o cenário era bastante diferente: 54% desses profissionais trabalhavam em regime híbrido, 25% exclusivamente de forma remota e 21% presencialmente.
Embora os dados retratem o mercado americano, eles ajudam a dimensionar uma mudança importante: o trabalho remoto não eliminou a necessidade de espaços corporativos, mas transformou a maneira como são utilizados.
Para empresas como a Flowork, essa reorganização abre espaço para um negócio baseado menos na propriedade ou na administração direta de imóveis e mais na contratação de infraestrutura como serviço.
A aposta dos sócios é que, no futuro, cada vez mais empresas prefiram investir no próprio negócio, em vez de imobilizar recursos para montar e manter um escritório.
