Eles construíram uma marca renomada com formaturas em Curitiba — e agora querem ir além

O Espaço Torres, em Curitiba, nasceu realizando formaturas, mas tem mudado o foco do negócio para crescer. A empresa apostou nos eventos corporativos e, mais recentemente, também comprou um buffet infantil e uma fábrica de salgados.
A reorganização aconteceu nos últimos anos, quando o casal Karynele Valerye Karas e Ademar Batista Pereira Junior assumiu a gestão dos negócios da família e passou a estruturar um grupo empresarial para reunir as diferentes operações. Agora, a empresa avalia novos investimentos, incluindo a abertura de um novo buffet infantil, um novo centro de convenções e a ampliação da fábrica de alimentos.
"Hoje o nosso foco principal é o evento corporativo. Reformulamos a empresa, mudamos a marca e posicionamos o mercado para entender essa mudança", afirma Junior.
A estratégia acompanha a meta de alcançar cerca de R$ 15 milhões em faturamento em 2026. No ano anterior, o faturamento ficou próximo de R$ 13 milhões.
O fim da dependência das formaturas
Fundado em 2011, o Espaço Torres nasceu voltado às grandes festas de formatura, que durante anos foram o principal motor da operação. Junior acompanhou essa história desde o primeiro dia: começou trabalhando em diferentes funções dentro da empresa até assumir a gestão do negócio da família.
Quando passou a liderar a operação ao lado da esposa, Karynele, encontrou um mercado diferente daquele que impulsionou o crescimento da empresa.
"Na formatura, você negocia durante quatro anos com dezenas de pessoas. No corporativo, a lógica muda completamente: o cliente sabe exatamente o que quer ou apresenta um conceito, e cabe a nós transformar essa ideia em uma experiência”, diz Junior.
A empresa decidiu reduzir sua dependência desse segmento e concentrar os investimentos nos eventos corporativos.
Na avaliação de Junior, esse mercado oferece maior previsibilidade operacional e um processo comercial mais simples.
A mudança de estratégia também ficou visível na comunicação. O Grupo Torres reformulou a identidade visual do Espaço Torres, trocou a logomarca e as cores da marca para reforçar o novo posicionamento voltado ao mercado corporativo. O objetivo era desvincular a empresa da imagem construída ao longo dos anos como um espaço dedicado principalmente às festas de formatura.
Hoje, o Espaço Torres opera duas unidades em Curitiba voltadas principalmente para convenções, encontros empresariais, treinamentos e eventos corporativos de médio e grande porte.
Um grupo formado por diferentes negócios
A mudança não ficou restrita ao setor de eventos. Nos últimos anos, o casal passou a adquirir e desenvolver outras operações que deram origem ao Grupo Torres.
A primeira delas foi a compra do buffet infantil Play House. Karynele, formada em Direito, assumiu a gestão do negócio durante o processo de transição da advocacia para o empreendedorismo.A empresa precisou ser reorganizada praticamente do zero. "Não tinha processo interno, não tinha controle financeiro e não sabia se existia lucro ou não. Precisamos estruturar tudo antes de pensar em crescer", afirma.
Pouco depois, surgiu uma nova oportunidade. Um fornecedor de salgados utilizado pelas empresas enfrentava dificuldades financeiras. O grupo decidiu comprar a marca e criar uma fábrica própria para abastecer seus negócios e também atender outros clientes.
A operação tem pouco mais de um ano e iniciou um processo de expansão. Recentemente, a empresa adquiriu uma nova máquina para aumentar a capacidade produtiva após fechar contratos com clientes de maior porte.
O desafio da sazonalidade
A sazonalidade continua sendo uma característica do negócio de eventos. Embora o Espaço Torres realize eventos ao longo de todo o ano, os meses de junho e julho costumam registrar uma queda na demanda por causa das férias escolares. Em contrapartida, o segundo semestre concentra boa parte da receita, impulsionado por convenções, confraternizações e eventos corporativos de fim de ano.
"De agosto até novembro a agenda fica bastante movimentada. Em dezembro, em apenas 20 dias, a gente chega a fazer até 70 eventos", afirma Junior. Esse período é decisivo para o desempenho financeiro da empresa e ajuda a compensar os meses de menor atividade ao longo do ano.
A aquisição do buffet infantil também ajudou a reduzir essa sazonalidade. Diferentemente dos eventos corporativos, que concentram a maior demanda no segundo semestre, as festas infantis mantêm um fluxo mais constante ao longo do ano.
"O infantil tem um funcionamento mais equalizado, tem festa o ano todo", afirma Júnior Torres.
Próximos passos
Depois de reorganizar o negócio de eventos e diversificar a atuação do grupo, os empresários voltaram a olhar para a expansão. Os planos incluem uma segunda unidade do buffet infantil, um novo espaço para eventos corporativos e a ampliação da fábrica de salgados, que já começa a operar perto da capacidade planejada.
Nenhum dos projetos, porém, será executado sem uma análise detalhada dos investimentos. Segundo Karynele, empreendimentos como centros de convenções exigem um aporte elevado em infraestrutura, equipamentos e tecnologia, o que torna o processo de expansão mais lento do que em outros segmentos.
"Quando você fala de um espaço de eventos, as pessoas não imaginam o custo dos bastidores. Precisamos crescer de forma estratégica", afirma.
A fábrica de salgados também entrou em uma nova fase. Com pouco mais de um ano de operação, o negócio conquistou clientes de maior porte e já exigiu novos investimentos em capacidade produtiva.
Apesar dos planos, a expansão deve permanecer concentrada em Curitiba. Os sócios afirmam que o modelo de gestão ainda depende de acompanhamento diário das operações, o que dificulta levar os negócios para outras cidades neste momento.
"Temos vontade de expandir, mas antes precisamos garantir que os processos estejam funcionando e que as pessoas consigam entregar o mesmo padrão em todas as empresas", diz.
