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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
08/06/2026
5 min

Eles criaram a maior arena de shows do Brasil. Agora, querem faturar R$ 15 mi com eventos ‘premium’

Eles criaram a maior arena de shows do Brasil. Agora, querem faturar R$ 15 mi com eventos ‘premium’

O gaúcho Tiago Escher passou as últimas duas décadas anos construindo um ecossistema que mistura gastronomia, entretenimento e hospitalidade. Agora, decidiu transformar uma das áreas que mais cresceu em sua empresa, o Te2 Hospitality Group, em uma nova frente de negócios.

O Te2 Live nasce como uma empresa dedicada a eventos corporativos e sociais de alto padrão. A operação já existia internamente, mas ganhou estrutura própria depois de atingir relevância dentro do grupo: em 2025, foram 65 eventos realizados, com faturamento aproximado de R$ 5 milhões. A projeção agora é triplicar esse valor em dois anos.

A nova empresa surge poucos meses depois de outro movimento de expansão do grupo: ainauguração da Fly51, maior arena de shows do Brasil— localizada em Porto Alegre (RS) e construída em parceria com outros grupos do setor. O espaço recebeu investimento de R$ 40 milhões e tem capacidade para até 15 mil pessoas. Desde que foi aberto ao público, o espaço recebeu shows de artistas de sertanejo e pagode.

A estratégia, agora, é transformar os ativos do Te2 em uma plataforma mais ampla de experiências.

“A gente percebeu que tinha as venues, a estrutura, gastronomia, bar, serviço, mas precisava organizar isso. Faltava padronizar e transformar em uma unidade de negócio para eventos premium”, afirma Priscilla Nunes, diretora do Te2 Live.

Priscilla, que é esposa de Tiago, veio do mercado financeiro e passou 15 anos trabalhando com investimentos e family offices antes de entrar no grupo. A aproximação dos dois universos — gestão financeira e experiência — acabou dando origem ao modelo que o grupo quer escalar.

Como se dará o crescimento do grupo

O Te2 Live começa operando dentro dos espaços do próprio grupo, que incluem casas de gastronomia, entretenimento e a Fly51. A meta de chegar a R$ 15 milhões em receita anual com eventos nos próximos anos dependerá de aumentar volume, ganhar participação no corporativo e aproveitar novos ativos.

“Agora a ideia é ter uma estrutura própria, com orçamento, marketing e equipe dedicados para conseguir ampliar esse braço”, diz Tiago.

A ideia é ampliar o portfólio para atender diferentes tamanhos de eventos — de celebrações menores, como festas de aniversário, até grandes encontros corporativos e casamentos. Segundo Tiago, hoje existe uma lacuna entre os espaços disponíveis: alguns são grandes demais para determinados eventos e outros pequenos demais.

Um novo equipamento em desenvolvimento deve ajudar a ocupar esse meio do caminho, atendendo eventos de 250 a 400 pessoas. Além disso, a empresa pretende fortalecer a presença no mercado corporativo, principalmente com grandes empresas e agências.

“Para aparecer no mercado corporativo, a gente precisa se posicionar como Te2 Live. Não pode ser só o evento do restaurante ou da casa. O cliente precisa saber que liga para a gente e resolve”, afirma Priscilla.

Qual é o diferencial do grupo

O principal argumento do Te2 Live é a verticalização. Em vez de o cliente contratar separadamente buffet, decoração, fornecedores de bebidas, audiovisual, mobiliário e produção, a empresa concentra essas etapas dentro do próprio ecossistema.

A operação reúne espaços próprios de gastronomia, bar, equipes de atendimento, fornecedores homologados, criação, identidade visual e produção.

“Eu vi que tinha essa lacuna. A gente tinha a estrutura, mas precisava organizar. Criamos os cardápios, os pacotes, os serviços e fomos padronizando para atender melhor”, explica Priscilla.

Segundo Tiago, esse modelo reduz tempo e aumenta previsibilidade.

“Hoje, se o cliente liga para fazer um evento, ele consegue saber rapidamente quanto vai gastar. A gente já tem a estrutura, os fornecedores e os padrões definidos”, afirma.

A empresa também aposta na escala para ganhar eficiência. Como já opera dezenas de eventos por ano, consegue negociar melhor com fornecedores e reduzir etapas de planejamento.

Da noite aos eventos corporativos

O Te2 nasceu há 16 anos como grupo estruturado e reúne hoje operações em gastronomia, entretenimento e eventos, incluindo unidades em Porto Alegre, Santa Catarina e litoral gaúcho.

A criação do Te2 Live acompanha uma mudança percebida pelo grupo no comportamento do consumidor depois da pandemia. Segundo Tiago, o mercado de eventos sociais e corporativos ganhou força nos últimos anos porque empresas e famílias passaram a valorizar mais experiências presenciais.

“Depois da pandemia, as pessoas começaram a comemorar mais. Festa de 15 anos, bodas, encontros corporativos. Esse mercado teve um boom e começou a se consolidar como uma tendência”, diz o executivo.

A leitura do grupo é que o crescimento não foi apenas uma recuperação de demanda represada, mas uma mudança estrutural de comportamento do consumidor. Para Tiago, quando um segmento cresce, ele começa a exigir mais organização e profissionalização. Foi o que aconteceu com eventos sociais e corporativos, segundo ele.

Ao mesmo tempo, o grupo identifica uma oportunidade maior fora do entretenimento tradicional.

“A noite estabilizou. Ela parou de sangrar, mas ainda não entrou em recuperação. Já esse outro segmento cresceu a passos largos e segue crescendo”, afirma Tiago.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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