Elevador dos juros parado: decisão do Copom e temporada de balanços movimentam a bolsa nesta quinta-feira
Ontem, na primeira alta desde a reeleição de Lula, a bolsa brasileira surfou a “onda azul” das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e subiu 1,23%

Poucas situações provocam tanto desconforto quanto ficar preso em um elevador entre dois andares. Desconforto nem sempre é a palavra. Uns entram em pânico. Outros sentem pavor. E não é por acaso.
Profissionais da saúde associam essas reações à claustrofobia, o medo de permanecer em espaços fechados, ou à cleitrofobia, caracterizada pelo receio de ficar preso sem conseguir sair de uma situação ou ambiente. Elevadores, por mais seguros que sejam, aparecem com frequência entre os gatilhos de ansiedade.
Mas nem é preciso sofrer de alguma fobia para se incomodar quando o movimento é interrompido. Dentro de um elevador, se estamos descendo, queremos continuar descendo. Se estamos subindo, esperamos continuar subindo. Simples assim.
Tudo isso para informar que o elevador dos juros do Banco Central (BC) parou. Depois de cinco reuniões consecutivas reduzindo a taxa básica, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem a Selic em 13,75% ao ano.
Não é novidade para ninguém que os juros estão altos no Brasil. Mas, diante da deterioração das projeções econômicas domésticas e das pressões por aperto monetário em outras partes do mundo, a parada no andar 13¾ não surpreende, embora incomode.
De um lado, a decisão pesa sobre a dívida pública e o custo do crédito para famílias e empresas. De outro, mantém um ambiente favorável para quem investe em renda fixa.
Em entrevista à repórter Monique Lima, o gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos, explica como navegar esse cenário e onde encontrar oportunidades enquanto o elevador dos juros permanece parado.
Esquenta dos mercados
O Ibovespa desencantou na quarta-feira (3). Depois de cair por seis pregões seguidos, o principal índice de ações da B3 fechou em alta de 1,23%. Já o dólar caiu 0,65%, na faixa de R$ 5,45.
No primeiro avanço desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bolsa brasileira surfou a "onda azul" das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com ampla vitória do Partido Democrata.
Mas isso foi ontem. Nesta quinta-feira (4), os investidores repercutem a decisão do Copom e o andamento da temporada de balanços.
Eles também aguardam uma fala de Lula sobre perspectivas econômicas e políticas em seu próximo mandato. A expectativa é de que o pronunciamento seja levado ao ar no domingo.
Outros destaques do Seu Dinheiro
PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições. Analistas veem distância entre o preço das ações e a rentabilidade do banco após o tombo provocado pelo cenário eleitoral.
CENÁRIO MAIS APERTADO
“É preciso ser realista”: CEO do Itaú (ITUB4) revela como o banco pretende equilibrar crédito e rentabilidade em 2027. Milton Maluhy Filho detalha como a instituição pretende lidar com a pressão sobre o crédito, a alta do custo de capital e a necessidade de controlar despesas.
MAIS UMA PARA A LISTA
Aeris (AERI3) recorre à recuperação extrajudicial para lidar com dívida de R$ 1,52 bilhão. Fabricante de pás eólicas recorre a pedido de recuperação extrajudicial para lidar com dívida bilionária.
PAPILA E CORAÇÃO
Chef que recusou cozinha em Paris hoje comanda delivery que deve faturar R$ 90 milhões: “Foi 100% por amor”. Cofundador da Papila, o carioca Antonio Mendes trocou estrelas Michelin por pokes e wraps e acaba de abrir, na Vila Leopoldina, o primeiro restaurante com salão da rede.
Uma excelente quinta-feira para você!
