Eli Lilly, dona do Mounjaro, vê avanço de novo remédio contra obesidade

A Eli Lilly, dona do Mounjaro, apresentou estudos detalhados com a "retatrutida", sua candidata da próxima geração para o tratamento contra a obesidade, e recebeu uma resposta positiva dos investidores.
As ações da farmacêutica (LLY) avançavam cerca de 4% no pré-mercado desta segunda-feira, 8, antes de diminuírem a velocidade para uma alta de 2,27%, por volta das 8h30 (horário de Brasília), a US$ 1.131,42, em Nova York.
O medicamento pode fortalecer ainda mais a posição da companhia em um segmento que se tornou um dos mais disputados da indústria farmacêutica. No estudo, os pacientes registraram perda de peso próxima de 19%.
Citi: remédio é uma nova alternativa
Para analistas do Citi, o desempenho da dose intermediária amplia as possibilidades de posicionamento comercial do medicamento. "Os dados de eficácia da dose de 4 miligramas de retatrutida são suficientemente convincentes", disseram em relatório obtido pela Reuters.
O medicamento pode se tornar uma alternativa para pacientes que já não obtêm os mesmos resultados com a "tirzepatida", princípio ativo utilizado nos tratamentos atuais da Lilly para obesidade e diabetes.
"A Lilly tem tudo o que é preciso para elevar ainda mais o padrão de atendimento na área da obesidade", acrescenta o analista do JP Morgan, Chris Schott, à agência. Ele vê que a Lilly amplia liderança em um mercado de US$ 200 bilhões.
Portfólio reforça vantagem competitiva
Além do retatrutida, a Lilly apresentou atualizações sobre outros tratamentos em desenvolvimento para obesidade, como um comprimido para perda de peso já aprovado e o eloralintide, candidato experimental por injeção.
O analista da RBC Capital Markets, Trung Huynh, pontua que o conjunto de projetos reforça a posição estratégica da companhia no setor, a qual acumula valorização de 46,96% nos últimos 12 meses.
"A abrangência do portfólio de obesidade da Lilly destaca o crescimento de sua liderança, em vez de uma redução da diferença em relação aos concorrentes", conforme o especialista, em dados divulgados pela Reuters.
A ação da farmacêutica Novo Nordisk (NOVO-B), por trás dos concorrentes Ozempic e Wegovy, cai mais de 3% hoje e acumula queda de 47% nos últimos 12 meses em Copenhagen, negociadas a 275 coroas dinamarquesas.
Efeitos colaterais também
A corrida deixou de ser apenas sobre quem oferece a maior perda de peso. Empresas do setor também buscam reduzir efeitos colaterais e simplificar os tratamentos para ampliar a adesão dos pacientes.
As taxas de interrupção do tratamento com a retatrutida foram semelhantes às observadas em outras terapias da categoria, enquanto os episódios de vômito permaneceram em níveis relativamente baixos.
Os resultados favoráveis foram vistos nas doses de 4 miligramas. Já nas doses mais elevadas os efeitos adversos foram mais frequentes, uma dinâmica comum em medicamentos voltados para perda de peso.
