Elon Musk se torna o primeiro trilionário do mundo após IPO da SpaceX

Elon Musk acordou nesta sexta-feira, 12, como o homem mais rico do planeta. Ao fim do dia, era algo que nenhum ser humano havia sido antes: um trilionário.
A oferta inicial pública (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, precificada a US$ 135 por ação na Nasdaq, elevou seu patrimônio estimado para US$ 1 trilhão — tornando-o, em termos nominais absolutos, a pessoa mais rica da história registrada.
O caminho foi rápido. Em fevereiro, a fusão da SpaceX com a xAI adicionou cerca de US$ 100 bilhões ao seu patrimônio em uma única ação corporativa.
Em quatro meses, Musk foi de US$ 800 bilhões para US$ 1,1 trilhão, a maior acumulação de riqueza em período tão curto na história, segundo dados da Forbes.
De onde vem o dinheiro
A SpaceX sozinha representa quase 80% do patrimônio de Musk. Ele detém cerca de 39% das ações da empresa, participação que, ao preço de IPO de US$ 135, vale aproximadamente US$ 866,5 bilhões, segundo o prospecto S-1 arquivado na SEC.
A Tesla, que foi o principal motor de sua fortuna até 2021, responde hoje por cerca de US$ 165 bilhões, aproximadamente um quinto do total.
O caminho até aqui não foi linear. Em 2022, a aquisição do Twitter (hoje em dia chamado de X) por US$ 44 bilhões coincidiu com uma queda acentuada nas ações da Tesla e custou a Musk mais de US$ 100 bilhões em papel.
Ele voltou em 2023. A partir do fim de 2024, a SpaceX tornou-se o motor principal.
Cada rodada de venda de ações secundárias, cada revisão para cima na avaliação privada da empresa, cada arquivamento de IPO acrescentou entre US$ 50 bilhões e US$ 200 bilhões em meses.
A fusão com a xAI em fevereiro de 2026 adicionou cerca de US$ 100 bilhões numa única ação corporativa.
O mais rico da história — com ressalvas
Em termos nominais absolutos, Musk é o mais rico da história registrada.
Mas a comparação com figuras históricas é mais complexa do que parece. Rockefeller acumulou US$ 900 milhões em 1913, o equivalente a cerca de US$ 400 bilhões ajustados hoje, e controlava 1,5% a 1,6% da economia americana de sua época, número muito próximo ao 1,61% que Musk representava em 2025.
Jakob Fugger, banqueiro europeu do século XVI, chegou a deter o equivalente a US$ 531 bilhões ajustados. Mansa Musa, imperador do Mali no século XIV, distribuiu tanto ouro durante sua peregrinação a Meca que desvalorizou o metal no Egito por mais de uma década — e historiadores descrevem sua fortuna como "incompreensível".
Se o critério for riqueza nominal, Musk lidera sem contestação.
Se for influência proporcional sobre a economia de seu tempo, ele empata com Rockefeller e Fugger, e fica atrás de Mansa Musa e Augusto César, cujas fortunas representavam fatias maiores de suas respectivas economias globais.
O que vem pela frente
O patrimônio de Musk depende, em grande parte, do desempenho futuro de empresas que ainda precisam provar seus modelos de negócio.
A SpaceX perde dinheiro nos segmentos de espaço e IA — apenas o Starlink é lucrativo.
O segmento de IA registrou perda operacional de US$ 2,47 bilhões só no primeiro trimestre de 2026, segundo o S-1.
A projeção da empresa é crescer de US$ 25 bilhões em receita em 2026 para US$ 150 bilhões em 2040, mas essa trajetória depende do Starship funcionar, do Starlink continuar crescendo e da aposta em computação orbital se provar viável.
O Washington Post resumiu o momento com precisão: a fortuna de US$ 1,1 trilhão de Musk depende, em parte, de a SpaceX conseguir colocar humanos em Marte. Por ora, ele é o primeiro trilionário da história. Se continuará sendo, depende de foguetes.
