Em busca de novas tecnologias, fabricante do Ozempic se junta à Amazon para novo super laboratório
Parceria mira acelerar a descoberta de medicamentos em meio à perda de espaço da Novo Nordisk para a Eli Lilly

A Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa fabricante do Ozempic e do Wegovy, anunciou nesta segunda-feira, 10, uma parceria com a Amazon Web Services para acelerar a descoberta de medicamentos com inteligência artificial (IA).
A promessa é comprimir a etapa que vai da identificação de um alvo terapêutico até a primeira dose administrada em humanos — um dos pontos mais caros e demorados de todo o processo de desenvolvimento farmacêutico.
A farmacêutica também disse que já obteve resultados com a colaboração, incluindo "a redução do tempo de documentação clínica e o empoderamento de mais de 25 mil funcionários para aumentar a produtividade".
Canetas emagrecedoras turbinam vendas nas farmácias, mas não a bolsaO acordo com a AWS é a segunda grande parceria de IA fechada pela Novo Nordisk em quatro meses.
Em abril, a farmacêutica já havia firmado colaboração com a OpenAI, cobrindo pesquisa, fabricação e operações comerciais, com integração completa prevista para o fim de 2026. A empresa também foi nomeada colaboradora inicial do GPT-Rosalind, primeiro modelo da OpenAI construído especificamente para raciocínio biológico.
Uma corrida que a Novo Nordisk está perdendo no mercado
A aposta em tecnologia acontece num momento de pressão financeira crescente sobre a farmacêutica dinamarquesa.
A Novo Nordisk perdeu a liderança que abriu no mercado de medicamentos para obesidade. A companhia já deteve fatia próxima de 60% do segmento; hoje responde por cerca de 40%, enquanto a rival americana Eli Lilly controla a maior parte restante, segundo estimativas de mercado.
O resultado apareceu no preço da ação. Os papéis da Novo Nordisk caem cerca de 70% desde o pico histórico, atingido em meados de 2024.
Na primeira semana de agosto, a empresa voltou a decepcionar investidores — o medicamento experimental CagriSema teve desempenho inferior ao da tirzepatida, princípio ativo por trás do Mounjaro e do Zepbound, da Lilly, em estudo direto de controle de glicemia.
A versão em comprimido do Wegovy também ficou abaixo das projeções de analistas no trimestre.
No mesmo período, a Eli Lilly superou as expectativas do mercado. A receita do segundo trimestre saltou 48%, para quase US$ 23 bilhões, alta de US$ 20,6 bilhões estimada por analistas — e a empresa elevou a própria projeção anual para uma faixa entre US$ 85 bilhões e US$ 87 bilhões.
Por que a corrida por IA farmacêutica se intensificou?
A Novo Nordisk não está sozinha em buscar velocidade via inteligência artificial — e a Eli Lilly também lidera essa frente.
A concorrente americana assinou 16 parcerias de IA só em 2025, e ampliou o ritmo neste ano com um acordo de US$ 1 bilhão com a Nvidia para construir um laboratório de coinovação próprio, além de outro de US$ 2,75 bilhões com a Insilico Medicine.
A Sanofi e outras gigantes farmacêuticas seguem estratégias parecidas, multiplicando fornecedores de tecnologia em vez de apostar numa única parceria.
O setor de descoberta de medicamentos assistida por IA já movimenta bilhões de dólares globalmente e segue em expansão acelerada, à medida que laboratórios tentam reduzir o tempo e o custo de levar uma molécula da bancada ao primeiro paciente — processo que tradicionalmente consome mais de dez anos e bilhões de dólares por medicamento aprovado.
