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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
09/08/2026
5 min

Em cinco anos, cidade de SP ganha 1 milhão de empresas — e atrai 100 mil negócios de fora da capital

Redução de impostos para atividades de tecnologia e simplificação na abertura de negócios estão entre as medidas usadas pela prefeitura para disputar investimentos

Em cinco anos, cidade de SP ganha 1 milhão de empresas — e atrai 100 mil negócios de fora da capital

São Paulo ultrapassou duas marcas na disputa por empresas e investimentos. Desde 2021, mais de 1 milhão de empresas foram abertas na capital, enquanto outras 100 mil companhias que funcionavam em outros municípios transferiram suas sedes para a cidade. 

Ao todo, foram 1.007.827 novas empresas abertas e 101.116 transferências de sede desde 2021. Só no primeiro semestre deste ano, cerca de 100 mil novos negócios foram registrados na capital.

O movimento das empresas vindas de outras cidades também ampliou a arrecadação municipal. Desde 2021, essas companhias recolheram mais de R$ 5,1 bilhões aos cofres públicos de São Paulo. Em 2026, o valor já superou R$ 1 bilhão.

Entre os grupos que transferiram suas sedes para a capital estão Netflix, MagaluPay, Casas Bahia, Amazon e Facebook. A prefeitura atribui parte desse fluxo à redução de impostos para alguns setores, à simplificação dos processos de abertura de empresas e aos investimentos em infraestrutura.

“São Paulo oferece segurança jurídica, incentivos e infraestrutura para quem quer investir. Esse ambiente favorável tem atraído empresas, gerado empregos e consolidado a capital como o principal destino de novos negócios do país”, afirma o prefeito Ricardo Nunes.

Qual é o tamanho do crescimento

Os números indicam que o ritmo se manteve ao longo dos últimos anos. Entre 2021 e 2025, a quantidade de novas empresas abertas em São Paulo cresceu 16%. No mesmo intervalo, o número de companhias que transferiram suas sedes para a cidade avançou 6%.

Uma das ferramentas usadas pela administração municipal é o Empreenda Fácil, sistema que reúne procedimentos municipais, estaduais e federais para abertura, alteração e encerramento de empresas.

Para atividades consideradas de baixo risco, o processo é digital e autodeclaratório. Segundo a prefeitura, o prazo médio para abrir uma empresa na cidade caiu de aproximadamente 100 dias para menos de 50 horas.

Outra frente foi tributária. Duas leis municipais aprovadas em 2021 e 2022 reduziram de 5% para 2% a alíquota do ISS para uma série de atividades ligadas à economia digital e à tecnologia, incluindo serviços de streaming, mobilidade por aplicativos, audiovisual, monitoramento remoto, franquias e comunicação visual.

“Fizemos aquilo que tinha que ser feito. Enxugamos a máquina, atraímos muitas empresas para virem para a cidade de São Paulo. Portanto, elas pagam seus tributos aqui”, afirma Nunes.

Ricardo Nunes: prefeito atribui chegada de empresas a incentivos, infraestrutura e simplificação de processos (Leandro Fonseca/Exame)

Quantos empregos foram gerados

A chegada e a abertura de empresas ocorrem em um momento de expansão do mercado formal de trabalho na capital. São Paulo terminou 2025 com taxa de desemprego de 5%, a menor já registrada na série informada pela administração municipal.

Em junho de 2026, a cidade chegou a quase 5 milhões de vínculos de emprego com carteira assinada, também o maior estoque da série histórica.

Nos últimos 12 meses, foram registradas 2,9 milhões de admissões na capital, o equivalente a mais de 11% das contratações realizadas no Brasil. São Paulo respondeu ainda por 25,9% das vagas criadas em todo o estado.

O setor de tecnologiaé um dos que ganharam espaço. Entre 2015 e 2025, o número de empregos formais em serviços de tecnologia avançou 61,2%, para 221.352 postos. O segmento representa 4,1% dos vínculos formais da cidade e concentra 19,2% dos empregos brasileiros na área.

A nova vitrine da cidade

A atração de empresas não se limita aos bairros que tradicionalmente concentram escritórios e sedes corporativas. A região central também passou a receber novos negócios, em paralelo a projetos residenciais, retrofits e investimentos públicos em infraestrutura.

Dados apresentados pela Prefeitura de São Paulo mostram um saldo positivo de 21.497 CNPJs na região em 2025. Entre janeiro e abril de 2026, o saldo foi de outros 6.957. Entre as atividades com maior número de empresas estavam comércio varejista, tecnologia da informação, saúde, serviços administrativos e publicidade.

Em entrevista à EXAME sobre a recuperação da região central, Nunes afirmou que a prefeitura passou a atuar diretamente na aproximação com empresas interessadas em ocupar imóveis no bairro.

“Conversamos com empresas e ajudamos a procurar espaços. Há companhias trazendo funcionários e operações para a região central”, disse o prefeito. Segundo ele, a administração criou uma estrutura para acompanhar empresas interessadas em se instalar na área.

A estratégia para o Centro, porém, não depende apenas da volta dos escritórios ou das lojas. Nunes lembra que a mudança nos hábitos de consumo reduziu o papel que o comércio tradicional exercia historicamente no varejoda região.

“Não dá para ficar pensando que somente a abertura de lojas resolverá a região. É necessário readequar a cidade à realidade atual”.

A aposta passou a incluir uma combinação de moradia, serviços, turismo, cultura e empresas. A região também recebe obras em 23 calçadões do Triângulo Histórico, com investimento de R$ 63 milhões, enquanto 14 ruas do Quadrilátero da República estão em processo de requalificação.

“Quando um prédio volta a ser ocupado, ele traz moradores, trabalhadores, consumidores e circulação para o entorno”, afirmou Nunes.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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