Em meio a sanções dos EUA, Cuba lança pacote de reformas para reativar a economia

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou um amplo pacote de reformas econômicas que prevê mudanças nos setores de turismo, comércio exterior, investimentos e iniciativa privada. As medidas buscam impulsionar a economia da ilha em meio às restrições econômicas e às sanções impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Díaz-Canel, as reformas respondem às necessidades atuais do país e têm como objetivo tornar a economia mais dinâmica e eficiente.
“O país não está paralisado. O país está enfrentando toda essa situação com inteligência. Não podemos explicar tudo com tanta clareza porque o inimigo observa tudo o que fazemos. Nossa resposta deve ser a unidade”, afirmou o presidente.
O anúncio aconteceu um dia após o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA ampliar o cerco contra a ilha, com anúncio da inclusão da empresa estatal cubana Unión Cuba-Petróleo (Cupec) na Lista de Nacionais Especialmente Designados.
Turismo em Cuba terá abertura para novos operadores
Uma das principais medidas anunciadas prevê a abertura do setor turístico de Cuba a novos participantes e modelos de operação.
A iniciativa busca ampliar o uso da rede hoteleira estatal após a saída total ou parcial de empresas estrangeiras que reduziram sua presença no país devido ao risco de sanções americanas.
O turismo é uma das principais fontes de receita de Cuba e enfrenta dificuldades desde a pandemia de Covid-19. O cenário se agravou nos últimos meses diante da manutenção das sanções econômicas dos Estados Unidos.
Agricultura ganhará acesso direto a insumos e câmbio
As reformas em resposta às sanções dos EUA também alcançam o setor agrícola em Cuba.
Segundo o presidente, produtores passarão a ter acesso direto a insumos, poderão participar do mercado cambial e enfrentarão menos procedimentos burocráticos, segundo o governo cubano.
A expectativa é aumentar a eficiência e a produção agrícola em um momento de desafios econômicos para o país.
Cuba vai eliminar intermediários estatais no comércio exterior
Outra mudança anunciada por Díaz-Canel prevê o fim da obrigatoriedade das empresas estatais de importação atuarem como intermediárias no comércio exterior.
Atualmente, essas companhias exercem papel central nas operações de importação e exportação do país. O governo cubano também informou que pretende flexibilizar as restrições para importação de veículos.
O pacote inclui ainda uma reforma administrativa voltada à redução da estrutura do Estado. Segundo Díaz-Canel, a proposta prevê diminuir o número de ministérios e avançar gradualmente na substituição dos subsídios universais por programas direcionados aos grupos mais vulneráveis da população.
