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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
18/09/2026
7 min

Em pleno inverno, famosa marca de gelatos acelera expansão rumo às 300 lojas mirando R$ 650 milhões

À frente da operação há três anos e meio, o executivo Antonio Miranda lidera uma fase de profissionalização e escala da rede criada em Ribeirão Preto

Em pleno inverno, famosa marca de gelatos acelera expansão rumo às 300 lojas mirando R$ 650 milhões

RESUMO | A Gelato Borelli planeja encerrar 2026 com 300 lojas no Brasil e faturamento de R$ 650 milhões, mantendo de seis a oito inaugurações mensais. Sob o comando do CEO Antonio Miranda, a rede sustenta a expansão por franquias e pela Casa do Sabor, fábrica própria com capacidade para atender entre 500 e 700 unidades.


A Gelato Borelli quer encerrar 2026 com 300 lojas espalhadas pelo país e um faturamento de R$ 650 milhões. Para chegar lá, a rede brasileira de gelato mantém um ritmo de expansão de seis a oito inaugurações por mês — sem desacelerar nem mesmo nos meses do inverno — apoiada em um modelo de franquiase em uma estrutura própria de produção criada para sustentar o crescimento.

Criada em 2013, em Ribeirão Preto (SP), pela família Borelli, a marca vive uma nova fase sob o comando do executivo Antonio Miranda, o Tony, que assumiu a operação há três anos e meio com a missão de profissionalizar a expansão sem descaracterizar o negócio construído pela família.

Miranda faz questão de separar sua trajetória da origem da marca: não é fundador, mas o profissional contratado para liderar a expansão de um negócio familiar que já tinha uma década de história.

"A gente está indo longe, está indo com bastante velocidade, mas não quer esquecer de quem a gente é", afirma Miranda.

Para o executivo, o desafio da Borelli não está apenas em abrir novas lojas, mas em garantir que cada unidade entregue a mesma experiência criada na primeira operação, inaugurada em Ribeirão Preto.

Como crescer centenas de lojas sem perder o artesanal

A expansão da Borelli acontece baseada em um modelo de franquias. Segundo Miranda, a decisão de seguir esse caminho permitiu acelerar a abertura de unidades mantendo empresários locais à frente da operação.

"Quando ele encontra uma diversidade, uma oportunidade, ele tem de agir da mesma maneira que você. Porque se ele pensa igual, vai fazer as mesmas escolhas que você faria", diz o executivo sobre o processo de seleção dos franqueados.

Tony Miranda, CEO da Borelli: executivo assumiu a operação em uma fase de crescimento acelerado (Borelli/Divulgação)

A rede hoje está dividida entre dois formatos: aproximadamente metade das lojas está em shoppings e metade em pontos de rua. As lojas de rua funcionam mais como destino de consumo, enquanto as unidades em shoppingcapturam clientes em circulação.

Para abrir uma franquia, o investimento inicial é de R$ 790 mil, com prazo de retorno estimado entre 24 e 30 meses. Miranda afirma que a rentabilidade líquida fica em torno de 20% do faturamento.

A velocidade de crescimento é sustentada por um pipeline de novas unidades. Atualmente, a Borelli tem 315 contratos assinados, sendo que 60 deles ainda estão em implantação — entre aprovação de ponto, obras, projetos arquitetônicos e treinamento.

"Hoje a gente está nessa toada de seis a oito inaugurações por mês, o que leva para aquele número de 300 inauguradas até o final do ano", afirma Miranda.

Qual é a estrutura por trás da expansão

Para sustentar a abertura de lojas, a Borelli investiu na chamada "Casa do Sabor", unidade produtiva localizada em Cravinhos (SP). O espaço tem 7 mil metros quadrados, sendo 5.400 metros quadrados construídos, e passou recentemente por uma expansão de 1.200 metros quadrados.

O investimento passou de "uma dezena de milhões de reais", segundo o executivo, com recursos próprios dos sócios controladores. Miranda afirma que a empresa não possui endividamento e que a estrutura foi criada para aumentar o controle sobre a cadeia de insumos.

"O que a gente fez foi escalar. Antigamente a gente tinha uma panela, fomos para uma panela grande, fomos para um tacho e hoje estamos com um tacho enorme, automatizado", afirma.

A unidade permite ampliar a produção sem perder o controle dos ingredientes. Segundo Miranda, a capacidade atual poderia atender entre 500 e 700 lojas, caso a empresa utilize toda a estrutura disponível.

Casa do Sabor, em Cravinhos (SP), concentra a produção de insumos da rede: estrutura foi ampliada para acompanhar a expansão (Borelli/Divulgação)

Por que o gelato virou uma aposta premium e o que vem aí

O principal argumento da Borelli para disputar o mercado premium está no produto fresco. Diferentemente de sorvetes tradicionais de longa validade, o gelato da marca é produzido diariamente nas lojas.

"A gente está falando de um gelato feito para durar 24 horas. O máximo que a gente aceita é que ele seja reprocessado para 48 horas", afirma Miranda.

Segundo ele, a receita usa leite e creme de leite tipo A como base, com menor incorporação de ar e menor quantidade de açúcar em comparação a produtos tradicionais do segmento. Além da produção, a empresa aposta no controle dos ingredientes. O executivo cita como exemplo o pistache utilizado nos produtos, cuja torra segue uma curva desenvolvida pela própria companhia.

A próxima etapa da Borelli envolve ampliar os momentos de consumo. A empresa já lançou produtos fora das lojas, como um whey em parceria com a Mais Mu com sabor pistache e o Borelli Bites, snack feito com castanhas e amêndoas cobertas com chocolate.

A estratégia, porém, passa por uma decisão cuidadosa: entrar em novos canais sem comprometer a percepção da marca.

"O decisor disso não vai ser a cadeia de distribuição, não vai ser a margem e não vai ser o canal. O decisor disso vai ser o quanto o nosso cliente quiser ter a Borelli nesse lugar", afirma Miranda.

A empresa também avalia uma expansão internacional. O primeiro movimento deve ser pela América Latina, especialmente países de língua espanhola, antes de mercados mais complexos, como os Estados Unidos. Para Miranda, o crescimento só faz sentido se preservar a relação construída com o consumidor.

"É importante abrir novas lojas, desde que essas novas lojas entreguem a mesma experiência, o mesmo contato, a mesma relação da loja de 2013", afirma.


Qual é a meta da Gelato Borelli para 2026?

A Gelato Borelli pretende encerrar 2026 com 300 lojas no Brasil e faturamento de R$ 650 milhões. Segundo o CEO Antonio Miranda, a rede mantém um ritmo de seis a oito inaugurações por mês.

Quanto custa abrir uma franquia da Gelato Borelli?

O investimento inicial para abrir uma franquia da Gelato Borelli é de R$ 790 mil, com retorno estimado entre 24 e 30 meses. De acordo com Antonio Miranda, a rentabilidade líquida fica em torno de 20% do faturamento.

Quantos contratos de franquia a Gelato Borelli possui?

A Gelato Borelli possui 315 contratos assinados, dos quais 60 ainda estão em implantação. Essa etapa inclui aprovação do ponto, obras, projetos arquitetônicos e treinamento.

Qual é a capacidade de produção da Casa do Sabor?

A Casa do Sabor poderia atender entre 500 e 700 lojas com o uso de toda a estrutura disponível, segundo Antonio Miranda. A unidade produtiva fica em Cravinhos (SP), ocupa 7 mil metros quadrados e recebeu uma expansão de 1.200 metros quadrados.

Por que o gelato da Borelli é considerado um produto premium?

A Borelli aposta em um gelato fresco, produzido diariamente nas lojas e feito para durar 24 horas, com reprocessamento aceito por até 48 horas, segundo Antonio Miranda. A receita utiliza leite e creme de leite tipo A, menor incorporação de ar e menos açúcar do que produtos tradicionais do segmento.

A Gelato Borelli pretende abrir lojas fora do Brasil?

A Gelato Borelli avalia uma expansão internacional, começando pela América Latina, especialmente por países de língua espanhola. Mercados mais complexos, como os Estados Unidos, devem ser considerados em uma etapa posterior.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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